quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Virgens de fogo


















Tal à doce maçã,
que enrubesce-se
acima, nos mais altos ramos,
bem lá no alto, intocada.
_Esqueçeram-na os catadores!
Não, em absoluto.
Não a puderam alcançar.


οἶον τὸ γλυχύμαλον
ἐρεύθεται ἄχρωι ἐπ' ὔσδωι,
ἄχρον ἐπ' ἀχροτάτωι, λελάθοντο
δὲ μαλοδρόπηες·
ὀν μὰν ἐχλελάθοντ' , ἀλλ' οὐχ
ἐδύναντ' ἐπίχεσθαι.


variação sobre um fragmento de Sapho.

Viva!

Um feliz ano novo a todas e todos !
Deixo-vos com a imagem abaixo. Acho que ela diz, melhor que as palavras, os anseios que temos de um mundo e uma vida melhores.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Virá que eu vi


De Hitler, a lição incompleta

Esta música me lembra uma namorada que tive.
Houve um tempo que o nome "judeu" trazia-me a imagem dos campos de concentração. Sim, aqueles cadáveres magérrimos empilhados em valas coletivas que vi em revistas quando criança criaram essa associação para sempre em minha mente.
Mas "judeu" também queria dizer "arte", como o violino de Misha Elman.



Agora "judeu" virou sinônimo de nazi-fascismo, de genocídio, de matadores de criancinhas.
O que diriam Misha Elman, Isaac Stern, Gustav Mahler, Arnold Schoemberg, Straus, Gombrich, Kafka, Mendelssonhn, Andre Previn, Benjamim, Heine, Rubinstein, Stefanie Zweig, e tantos outros. A lista é só de artistas e escritores judeus austríacos, alemães e ucranianos. Alguns dentre muitos.
Um povo que produziu tanta beleza parece agora perdido em uma guerra de extermínio. Querem fazer aos palestinos o que os nazistas fizeram com eles.
Parece que não aprenderam, de Hitler, a lição completa.

domingo, 28 de dezembro de 2008

A luta desigual dos Habirus

















Poesia para os nazi-sionistas raivosos



Não iremos embora

Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em vossas goelas
Como cacos de vidro
Imperturbáveis
E em vossos olhos
Como uma tempestade de fogo
...
Em lavar os pratos em vossas casas
Em encher os copos dos senhores
Em esfregar os ladrilhos das cozinhas pretas
Para arrancar a comida de nossos filhos
De vossas presas azuis
...
Nossos nervos são de gelo
Mas nossos corações vomitam fogo
Quando tivermos sede espremeremos as pedras
E comeremos terra quando estivermos famintos
Mas não iremos embora
E não seremos avarentos com nosso sangue

Aqui
Temos um passado
E um presente
Aqui
Está nosso futuro.


Poesia da resistência palestina Tawfic Zayyad, palestino de Nazaré

Contato profundo

Por Deus que já nem esperava mais por uma explicação.

Cada um de vocês é uma parte integral um do outro, como espíritos que estão fingindo estar separados entre si. Enquanto jogam esse jogo, vocês se comunicam em muitos níveis diferentes. Vocês falam através de suas palavras, com seu riso ou com suas lágrimas. Se comunicam com seus olhares ou pela linguagem corporal, através de um sorriso ou pela expressão do rosto. E também se comunicam pelo toque, muito mais do que imaginam.. Muitas vezes, essas formas de comunicação não-verbal na realidade falam mais alto do que as palavras em que vocês confiam tanto. À medida que todos os humanos continuarem a evoluir, vocês verão alterações em todas as formas de comunicação.
[...]
Em sua caminhada pela vida, vocês encontrarão outras almas; algumas delas vocês conhecerão: algumas vezes será com o seu esposo, outras vezes com um estranho, ou poderá ser com um amigo — e vocês olharão para eles de forma diferente da usual; sentirão que estão se apaixonando. Saibam que então estarão apaixonados pela sua própria imagem, refletida de diferentes espelhos.
[...]
De uma maneira geral, no começo o que acontecerá será que as pessoas experimentarão um pouco dessas novas energias, para depois dar um passo atrás, de volta a seus antigos sistemas de crença. Trata-se de um processo normal, então não julguem muito duramente se isso vier a acontecer consigo ou com seus amigos. Muitas vezes acontecerá deles irem em frente; eles vivenciarão o Contato Profundo com uma outra pessoa e ficarão iluminados com a experiência. Um sistema de crença muito simples é o da percepção de que só se pode amar uma pessoa, assim como em um casamento monogâmico. No entanto, qualquer mãe com mais de um filho poderá lhes dizer que isso não é verdade.

[...]
Dirigimo-nos aos espelhos deste planeta. Muitos dentre vocês escolheram não fazer outra coisa, a não ser funcionar como um espelho preciso para que as pessoas pudessem se ver refletidas em vocês. Vocês são os curadores e os professores do Planeta Terra e agora vocês estão entrando em posição. E estão chegando bem na hora. Sintam e saibam que passarão a viver suas vidas diárias num processo de se apaixonarem. Virá um tempo em que vocês se apaixonarão só por andar pela rua. E que planeta alegre e engraçado haverá de ser este, pois vocês então nunca mais terão espaço em seus corações para travar guerras, uma vez que o tenham preenchido com amor. Não terão espaço em seus corações para discórdias quando o tiverem preenchido de amor. E é essa a idéia. Saibam que o reflexo que vêm em outra pessoa é o seu próprio reflexo. E existe o reverso da moeda em tudo isso, pois vocês atualmente vivem em um campo de polaridade.
[...]

in Os faróis de luz

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Um fim de ano plural, como o Brasil.













Composição para Exu, amarelo e lilás. Relaciono à estrela de Belém, a quem vai abrindo os caminhos. É um de meus desenhos sobre os orixás.
Não é por nada não, mas dá um ótimo papel de parede,
tem definição e energia boas,
podes crer.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Deus, se existe, só se importa com nós,
quando estamos em perigo,
quando sair desse perigo for importante para outros.
Deus só se importa com nós,
não comigo.
Deus é plural,
é de eus.

Os livros de 2008

Entre os livros que li durante o ano que se finda, quero fazer uma pequena, mas significativa, lista dos que considerei os melhores. Devo ter lido uma média de quatro livros por mês. São os seguintes, sendo que alguns trazem os links dos modestos comentários que fiz sobre eles:

Madame Bovary, de Flaubert, foi um livro belo, um excelente livro. Considerei-o um clássico.
A San Felice, de Dumas Père, que me custou mais de um mês para percorrer suas 1800 páginas, também foi um livro tocante, como a maioria do autor francês.
A feiticeira, de Jules Michelet, curioso e difícil que precisarei reler para compreendê-lo melhor.
O Homem que ri, de Victor Hugo, um livro muito triste.
E, os três mais importantes, daqueles que mudam alguma coisa na alma da gente, ainda que se não perceba:
O Idiota, de Dostoievsky, uma maravilha, emocionou-me profundamente.
Os miseráveis, também de Victor Hugo, cujo protagonista só está a um passo atrás de Jesus, se é que não caminha ao lado dele.
E Memórias de um médico (1,2,3,4), também de Dumas Père, uma coleção de várias livros, todos interligados numa epopéia de mais de vinte anos da história de França, contando ao todo quase 5.000 páginas, onde desfilam inúmeros personagens, os quais não esquecerei nunca. Ou pelo menos perto disso.

Ano que vem, se conseguir realizar os planos, quero estudar francês com mais profundidade do que a gramática que comprei, continuar com a franco-literatura, pois ainda faltam muitos livros de Dumas (reler Os três mosqueteiros, Vinte anos depois e alguns outros que ainda não li, tais como A rainha Margot, O Visconde de Bragelone, Luis XIV e seu século, O cavaleiro de Harmental, entre outros), de Victor Hugo (A Notre Dame de Paris, O último dia de um condenado, entre outros), de Balzac, Eugene Sue entre outros.
O interesse pela literatura francesa vem das vidas passadas, é claro, marcadas ainda pelo sobrenome e por devaneios difusos da alma. Não precisam acreditar nisso.
Quero também, atacar um pouco a literatura brasileira do século dezenove, principalmente Machado e Alencar. Todos, é claro, empréstimos da biblioteca pública. Comprar, só as raridades.
Os livros de autores contemporâneos, não os desprezo, mas é que a maioria tem que ser comprada, pois demoram a aparecer nas estantes da Luis de Bessa os poucos que ali chegam.
Tudo planos, talvez quimeras, como o amor...

Sobre o natal

SONETO 575 REVISITADO

Quem disse que o Natal é só mercado?
Por trás do panetone ou da castanha
está um publicitário, uma campanha,
o lucro, as estatísticas, o Estado.

É certo. Mas o espírito arraigado
mais dura que o presente que se ganha,
mais lembra que um peru, que uma champanha
a alguém com mais futuro que passado.

Pois ela, a criancinha, é quem segura
o tempo, em seu efêmero momento,
salvando algo de júbilo ou ternura.

Esqueça-se o comércio! Ainda tento
rever cada Natal, cada gravura
em meio a tanto adulto rabugento...

Glauco Mattoso


in http://glaucomattoso.sites.uol.com.br/index5.html

domingo, 21 de dezembro de 2008

um anjo já te pediu ajuda?

Ele estava alimentando os cachorros. Passava das dez daquela noite um tanto fria de um quase verão. Misturava os restos do macarrão à ração para que os cães tivessem o seu prazer. Ouviu quando bateram no portão. Virou-se e dirigiu-se para lá e, como estava escuro, precisou chegar bem perto da porta e da fechadura para se certificar que o irmão, ao sair, havia passado a chave. Voltou à casa, já pensando que, quem quer que fosse àquela hora, lhe traria uma experiência diferente. A pessoa bateu novamente, e dessa vez com mais vigor, ao mesmo tempo que ele rodava a chave na fechadura, o que fez o estranho interromper as batidas. Ali, na porta da rua, por causa das muitas árvores, é muito escuro, pois não chega a luminosidade dos dois postes que se encontram um de cada lado da casa. O homem, pois era um homem, lhe disse: _Oh senhor, deixa eu te mostrar. E pegando de um saco grande que tinha ao lado, deitou-o ao chão e abriu-o para mostrar ao dono da casa o que tinha dentro. O dono da casa lhe disse então: _De que o senhor precisa?
_Eu preciso ir para casa, senhor, e também levar comida às crianças.
E abaixando-se novamente, abriu o saco e disse:
_Olha, curtidinha. Da outra vez eu não soquei, o senhor se lembra não?
Então ele se lembrou do homem. Havia lhe comprado um saco de esterco há uns meses atrás.
_É verdade, estou vendo, esse daí está bem soltinho. O senhor espere um instante.
Voltou à casa e pegou vinte reais.
_Pode colocar aqui, senhor. E deu-lhe o dinheiro.
Qual foi a alegria daquele homem, às dez horas da noite de um domingo, carregando aquele saco pesado de esterco às costas, de um lado para o outro, como um passarinho que ainda não havia ganhado o dia. Ah pobreza terrível!
_Oh senhor, me fez muito feliz! salvou o meu dia, senhor! - dizia senhor várias vezes - Oh como estou feliz!
E passava as mãos sobre o rosto como que para acreditar naquele dinheiro. Vinte reais.
O homem lhe disse que fazia qualquer trabalho, pintura, alvenaria, telhado, jardinagem, piso, tudo.
Ele não tinha um telefone de contato e o dono da casa pediu-lhe que, se pudesse, voltasse e deixasse na caixa de correio um contato. O telefone da irmã que havia esquecido. O homem agradeceu novamente. Estava visivelmente feliz.
Oh, como foi bom ver alguém feliz assim, ele pensou. Como é bom ver feliz um homem que o merece. Vinte reais: a passagem e o alimento.
Ele observou, por um instante ainda, o homem se afastar e fechou a porta.
As lágrimas imediatamente correram-lhe pela face. O homem pensou que ele fosse um anjo a salvá-lo naquela noite escura. Não sabia que o anjo era ele mesmo.

Danton, Marat, Robespierre e o 93























Estou lúgubre. Dizem que uma das formas de aprender a amar a si mesmo é assistindo a um paciente terminal. Ver o sofrimento alheio faz diminuir o nosso. Acabei mais uma novela: "93" de Victor Hugo. Em francês Quatrevingt-treize. O livro narra acontecimentos do ano de 1793 na França. Era a época do terror e da guerra da Vendéia, na Bretanha. Esta guerra civil é o fio condutor do romance. Foi ali que se arquitetou um exército contra-revolucionário formado de camponeses apegados à tradição monárquica e aristocrática, orgulhosos da sua vassalagem, incitados pelos padres e liderados por nobres da região. Paris, por meio do Comitê de Salvação Pública, decidiu por exterminar a rebelião. A guerra, que durou até 99, matou algumas centenas de milhares de pessoas. A ordem era "Nada de quartel". Ou seja, não poderia haver misericórdia. As tropas republicanas foram acusadas de cometer o que teria sido o primeiro genocídio da era moderna. Mulheres e crianças foram executadas aos milhares. O general Westermann enviado para sufocar a rebelião escreveu em seu relatório final: :" Não há mais Vendéia . Está morta sob nossa espada livre . Degolei os homens e as mulheres, esmaguei as crianças sob as patas dos cavalos . Não tenho nenhum prisioneiro , exterminei a todos, não há mais mulheres para dar nascimento a novos rebelados. " É um bom livro que narra os heroísmos dos corações e também suas crueldades. A revolução foi importante, mas custou caro por demais. Cometeram muitos crimes em nome da liberdade. Será que valeu a pena? Será que o mundo é mais justo hoje? Será? Escola para todos, eleições, direitos individuais, isto tudo de fato existe?
O 93 foi o último romance escrito por Victor Hugo.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Soneto para um mar melancólico

A linha tênue da ilusão rompeu
o sonho que me percorreu, senti
que não errei em eleger a ti.
Oh, linda, tu, quimera, engano meu!

E o coração uma vez mais sofreu
a ausência de outro coração que aqui
junto do meu a vida ofereceu; pedi
a Deus o instante, a graça, o himeneu.

Mas quão inútil esperar que a vida
traga esse tempo de gozar, de canto,
a vida só me traz o fel e o pranto.

Inda esta vez a solidão, a estrela
de meu caminho é a esperança em vê-la
aqui, ali ou acolá, querida.

Ps. No quarto verso, da segunda estrofe, achei por bem trocar a palavra gineceu por himeneu. Gineceu é por demais negativa, eu acho. E além do mais, a segunda tem mais a ver com o poema. Não me incomoda alterá-lo, assim, depois de postado. Tudo está vivo.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

o mar















Aproveitem o papel de parede. A água se agitando.
É um desenho meu.

Típica Belo Horizonte

A chuva ainda cai constante na região de Belo Horizonte. A quinta-feira amanheceu com chuva fraca, que persiste até o momento. De acordo com as medições do Instituto Nacional de Meteorologia, o total de chuva acumulado em Belo Horizonte, até as 10 horas de ontem, é de 299 milímetros, muito perto da média histórica de dezembro que é de 319 milímetros. Praticamente toda a chuva foi acumulada entre a sexta-feira e ontem.
O excesso de chuva observado esta semana é climaticamente normal em Belo Horizonte e também em outras áreas de Minas Gerais. Historicamente, o mês de dezembro é o que mais chove na capital mineira e na maioria das regiões do Estado de Minas. Entre anos 2000 e 2007, apenas dezembro de 2007 e de 2003 terminaram com chuva abaixo do normal. Em Dezembro de 2005, Belo Horizonte recebeu cerca de 500 milímetros de chuva. Nos anos de 2002, 2001 e 2005 o total de chuva sobre a cidade ficou em torno de 400 milímetros, de acordo com as medições do Instituto Nacional de Meteorologia.
A chuva dos últimos dias vem sendo provocada pelas áreas de instabilidade da Zona de Convergência do Atlântico Sul - ZCAS - um sistema de tempo que todos os anos se formam sobre o Brasil, com o maior ou menor intensidade. A ZCAS é formada por uma extensa área de nuvens que se espalha por grande parte do Norte, do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil e por uma frente fria que fica semi-estacionária ao largo do litoral do Sudeste. Este sistema demora vários dias para se dissipar. Ainda há previsão de mais chuva para Minas Gerais, pelo menos até a segunda-feira que vem.



http://www.climatempo.com.br/destaquecompleto.php

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

As chuvas chegaram
















Não se vê o sol desde quinta-feira passada aqui em Belo Horizonte. Chove quase que o tempo todo, uma chuva grossa e sem relâmpagos. Já conheço nuvens como essas. Costumam ficar duas ou três semanas. A umidade chega até o osso. As pessoas mais pobres, como sempre, é que sofrem o pior.
Daqui a dez minutos sou eu que saio para a aventura de moto e chuva. Vou para a escola da tarde, lá no morro e, de lá, no fim da tarde, para a outra em Contagem. Esta está com os dias contados para mim. E para ficar bem repetitivo, depois eu conto mais sobre isso. Hoje à tarde será de suma importância.

sobre o aborto

Uma reportagem importante sobre um têma polêmico e que precisa ser retirado da esfera da moral, hipócrita já se vê, como tudo que parte da igreja católica, que, como sabe até o meu cachorro, não tem moral alguma, depois de ter torturado e mandado à morte milhares, se não milhões de seres humanos, particularmente mulheres.
Da carta capital:

A missão de lidar com algo condenado à marginalidade ganhou contornos surreais no episódio de Campo Grande (MS). Insuflados por uma reportagem veiculada pela afiliada da Rede Globo, a revelar a existência de uma clínica que praticava abortos na cidade, o promotor Paulo Cezar dos Passos, a delegada Regina Márcia Mota e o juiz Aluízio Pereira dos Santos travaram uma batalha sem precedentes contra quase 10 mil mulheres, todas acusadas de praticar aborto.

Após a veiculação da reportagem, em abril de 2007, o Ministério Público denunciou as 9.896 mulheres, cujos prontuários médicos foram apreendidos na clínica. Em novembro, o juiz determinou o arquivamento de 7.698 fichas nas quais não havia “fortes indícios” de aborto ou o registro era mais antigo do que a prescrição do crime, que é de 8 anos. Após essa triagem, cerca de 1,5 mil mulheres estão sendo indiciadas por crime de aborto. Cento e cinqüenta já foram investigadas e, até o momento, perto de 50 foram convocadas e aceitaram um acordo que propõe a suspensão do processo em troca do cumprimento de condições, sendo o trabalho comunitário em creches e instituições carentes uma das opções.

“Meu objetivo não é perseguir mulheres, mas não posso prevaricar”, argumenta Santos, de 45 anos, 11 como juiz. Ele se declara um católico que vai à igreja em batizados e casamentos. “Não sou tão ativo como disseram.” Santos considera-se injustiçado pelo teor das reportagens veiculadas sobre o caso, “um monte de absurdos”, e discorda das críticas que recebeu, de defensores dos direitos das mulheres, de que enviar acusadas de aborto para trabalhar em creches é uma forma de tortura psicológica. “Na minha visão, é uma oportunidade para a mulher que cometeu aborto ver como outras conseguem criar os filhos, apesar das dificuldades, e refletir. Jamais imporia uma situação humilhante”, sustenta. Ele credita todas as atitudes tomadas à letra fria da lei, e não esconde o cansaço com o tema. “No dia que o aborto deixar de ser crime, ótimo, menos perturbação na minha vida.”

continua...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

domingo, 14 de dezembro de 2008

O Homem que ri



















Terminei ontem à noite "O Homem que ri", de Victor Hugo.
Aos poucos vou entendendo melhor o porquê d' ele ter dito:
"Já não tenho inimigos quando eles são infelizes."
Eta livro triste sô!

Que mundo maravilhoso



















O mundo está, sim, muito louco. Besteira, sempre foi.
Falam em destruição da Terra. Outra besteira,
poderemos até nos destruir,
mas a Terra continuará sem a gente.
A não ser que por saudades de nós,
a quem tem amado tanto,
ela se suicide
de tristeza.

Judiciário brasileiro

Gilmar Mendes, o supremo, dando um jeitinho.



Segunda à noite, no ex-excelente programa Roda Viva, agora teatro da farsa serrista. Não vou assistir, é claro. Mas, com certeza, vou ler os comentários no dia seguinte. Fico imaginando as pérolas que serão proferidas por Reinaldinho Azevedo, o pinguim e Eliane Cantanhêde, a musa da febre amarela.

P.S. Desculpem-me a chacota, mas eles merecem.

Sapho e a maestria das palavras

Tenho vontade de investir na tradução dos versos de Safo. Tradução talvez não seja a palavra correta, mas recriação, variação, transcriação sejam mais adequadas. Quase tudo o que restou são fragmentos inteiramente desfigurados. Lapsos, ausências, fendas, frinchas, interstícios. Onde vagueia a imaginação. Há, também, o eólico estranho e o uso que faz das figuras de linguagem, notadamente os muitos sentidos possíveis de algumas palavras e a constância de neologismos.
No fragmento de poema abaixo, a palavra ὄσσοις (óssois) é o dativo do irregular dual ὄσσε (ósse), que significa 'os dois olhos'. O dual é um terceiro número, relativamente pouco usado, pois tem a concorrência do plural, e que serve para designar seres ou coisas que aparecem em pares, como os famosos gêmeos, filhos de Zeus e Leda e irmãos de Helena e Clitemnestra , Castor e Pólux, ou as mãos, as pernas, um casal, dois amigos, etc. No entanto, há a palavra ὅσσοις (hóssois), onde o primeiro sinal ῾ é uma marca de aspiração da vogal, como o h da língua inglesa, ou os nossos rr. A palavra é uma declinação de ὅσος ou ὅσσος, cuja principal tradução é um advérbio, quanto/quão/tanto/tão. Como advérbio, em grego, apenas flexiona-se em gênero: masculino, feminino e neutro. Mas pode ter muitos outros significados e funções declináveis. Daí a complexidade, que não cabe expor aqui, mesmo porque não tenho a competência para isto.

Assim, após esta introdução enfadonha, mas necessária, o poema:

στᾶθι χἄντα φίλη*
χαὶ τὰν ἐπ' ὄσσοις' ὀμπέτασον χάριν


(stàthi chánta phílee

chai tàn êp (i) óssois (i) ompétason chárin)
Que transcrevi assim:
diante a mim, amiga, fique
e envolva-me com a graça de teus olhos

Como estava dizendo sobre os duplos sentidos das palavras sáficas, poder-se-ia transcrever o poema assim, utilizando-se o vocábulo tamanha como adjetivo de graça, como se os olhos do amigo* fossem e significassem um tanto de coisas?
diante de mim, amiga, fique
e envolva-me com tamanha graça
Na verdade não. ὄσσοις está no dativo/masculino/plural e χάριν - graça - no acusativo/feminino/singular. A primeira não poderia qualificar a segunda. Em grego, o adjetivo acompanha o caso em que está o substantivo. No entanto, me parece, fica ainda o duplo sentido, a insinuação. Safo era mestra nisso.

Acho que hoje abusei da paciência de meus leitores. Vou ter que acabar criando um outro blog, só para os poemas de Safo.

* No original φίλος, amigo. Tomei a liberdade de, neste caso, alterar o gênero.


sábado, 13 de dezembro de 2008

Pessoas que fazem a diferença...

Também do blog da Glória.

Enquanto isso no planeta Terra...

A hipocrisia dos países ricos

(Texto do Neto, diretor de criação e sócio da Bullet, sobre a crise mundial.)

Vou fazer um slideshow para você.É comum, você já viu essas imagens antes.Quem sabe até já se acostumou com elas.Começa com aquelas crianças famintas da África.Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.Aquelas com moscas nos olhos.Os slides se sucedem.Êxodos de populações inteiras.Gente faminta.Gente pobre.Gente sem futuro.Durante décadas, vimos essas imagens.No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.São imagens de miséria que comovem.São imagens que criam plataformas de governo.Criam ONGs.Criam entidades.Criam movimentos sociais.A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.Ano após ano, discutiu-se o que fazer.Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.Resolver, capicce?Extinguir.Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.Não sei como calcularam este número.Mas digamos que esteja subestimado.Digamos que seja o dobro.Ou o triplo.Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse.Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia.

P.S. É uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar. Se quiser, repasse, se não, o que importa? O nosso almoço tá garantido mesmo...

O P.S. acima é da Glória, de onde trouxe o texto.

Vieste
















Vieste e eu te ansiava.
Meu coração,
queimando há muito
de desejo,
serenaste.

ἤλθες ἔγω δὲ σ' ἐμαιόμαν
ὂν δ' ἔψυξας ἔμαν
φρένα χαιομέναν
πόθωι
Sapho (variação livre minha)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

lula e o pré-sal chamado povo

Um link do blog do Azenha.

...Lembro bem de suas barbas hirsutas, de seu jeito desajeitado, sua cara suja e oleosa; seu semblante verdadeiro e puro, seu ar de anjo natural, de um ser fabricado com os tênues fios que afinam os instrumentos da orquestra que toca a sinfonia do universo...
Continua...

Ela


















Tenho falado, um tanto veladamente é verdade, aqui no blog, sobre ela. É uma forma de desabafo porque não tenho mesmo com quem falar. Se é que alguém o tem.
Me lembrei aqui de Dido e Ana no livro de Virgílio.
Há muitos anos que me isolei em mim mesmo, não permitindo que outros se aproximem. Vinha vivendo razoavelmente assim. Sem emoções fortes, mas dentro de um certo equilíbrio; não estava, digamos, com desassossegos. Não é que esteja sofrendo ou algo assim, mas estou correndo um certo perigo.
Eros me trespassa e agita...
Tudo ainda não passou de alguns olhares. E eu, como sempre, já teci um monte de conjecturas. O certo, diz uma voz tranquilamente no fundo de minha cuca, é ter paciência.
O que tiver que ser será.
Ou não?

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Papo ufano

Muitas linhas confluem no mesmo nó, que pode ser o fim
ou não. Quiçá o começo. Como é mesmo que Deleuze dizia? Encontros marcados?
O Brasil de tantos... tantos sonhos, jamais esperado, mas sempre querido,
enfim
se faz...
junto comigo
ainda aqui.
Sempre soube que, de mim, os melhores eram o Brasil e
eu mesmo.

Música - Neil Young

Um mestre da música, um cara que honra a camisa de roqueiro, uma lenda viva. Figura sensível, talentoso e genial. Gosto muito. Quero voltar a postar clips aqui no blog e, aproveitando o embalo...


Sapho

] Eros
me trespassa e agita, como o vento
que, dos altos montes, desaba
sobre os carvalhos [

(Joaquim Brasil, variação)

Manifestação a favor da Educação



O vídeo é da passeata que fizemos na noite de quinta feira, 27 de novembro, no coração de Contagem. Éramos pouco mais de mil: 200 professores e o restante de alunos e pais, além dos espias do governo, claro. Protestávamos contra a implantação do pró-jovem no município, que estava (e ainda está) sendo feita autoritariamente e sem qualquer diálogo com as escolas e a comunidade. A prefeitura (que é do PT, mas que junto com a de BH, está tendo um caso com o governo Aécio Neves) nunca deu a menor bola para os professores. Nossas manifestações sempre foram sumariamente ignoradas. E como a unidade da categoria não existe, fruto de um quadro docente onde predominam professoras já em fim de carreira, que sempre furam as greves, conformadas que são com as coisas e com as suas tristes vidas, vamos engolindo o desdém.
No entanto, a manifestação que vocês viram acima surtiu efeito. Não foi por causa do descontentamento dos professores, mas sim pela presença maciça das comunidades. Que tomou o microfone e se posicionou criticamente com relação às mencionadas reformas que obrigariam alunas e alunos a se deslocarem do bairro, à noite e, em muitas casos, a pé. Entre outras coisas. O que a prefeitura quer é passar a mão no dinheiro do governo federal para substituir a sua própria responsabilidade, o seu próprio e obrigatório gasto com a educação do município. Como, para poder receber a verba, tinham eles (os burocratas politiquentos da secretaria de educação) que iniciar com mais de mil alunos o pró-jovem, decidiram tirá-los da EJA. Não querem ter que gastar dinheiro com a necessária campanha para mobilizar o público-alvo do programa federal: o jovem de periferia, desocupado e perdido, que se encontra com um pé (se não os dois) no crime. Então resolveu a prefeitura se apropriar dos alunos da EJA que são, em sua maioria empregados, que trabalham o dia inteiro e à noite vão à escola, e que não estão interessados em pró-jovem e nem em ter que se deslocar para longe do bairro onde moram, principalmente à noite, depois de um dia de trabalho.
A prefeita Marília Campos suspendeu a operação. O melhor para ela é deixar de ser autoritária e dialogar com a escola e a comunidade. Somos nós que podemos diagnosticar os alunos com o perfil que o pró-jovem demanda. Nós é que estamos no contato real e cotidiano com a comunidade. A prefeita retrocedeu por causa do envolvimento da comunidade. Nós, professores, sozinhos, no Brasil, somos nada apesar de muitos. Mas o povo, e isso foi o mais bonito, tem poder. A passeata me lembrou muito aquelas das Diretas-já, lá nos distantes anos oitenta. Havia um sentimento de união e harmonia: não houve um só incidente, a população abraçou a manifestação, ainda que esta lhe impedisse de pegar o ônibus, de chegar em casa; mesmo os motoristas, que tiveram que aguardar quase meia hora a liberação da Av. João César de Oliveira ( uma das principais da cidade), não buzinaram uma vez sequer. Foi mesmo bonito.
Power to the people!

Florbela Espanca





















EU

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca (08.12.1894 - 08.12.1930)

Cai ou não cai?



















Henrique Meirelles, do BC, esteve hoje às 11:00 no Planalto para uma reunião com o Presidente Lula; Copom anuncia nesta quarta-feira decisão sobre taxa de juro
(Carta Maior com agências, 08-12, 12:29)

Tomara que seja verdade e que o conservador Banco Central brasileiro diminua consideravelmente a taxa de juros. É o que espero para comprar a porcaria do carro. Ainda não posso viver sem ele.


Enquanto isso, em Pindorama...














por EMIR SADER, na CARTA MAIOR

A manchete do Diário Oficial Tucano (DOT), a FSP (Força Serra Presidente) estava pronta. O editor chefe encomendou nova pesquisa de opinião, menos de 2 meses antes da anterior, para constatar os evidentes desgastes na imagem do presidente, com a crise e, principalmente, com o clima de pânico e de pessimismo que a mídia privada – e em especial, o DOT – tinham disseminado. Como toda pesquisa fabricada, não se pesquisava a popularidade de Lula, mas a eficácia da campanha de desgaste que a mídia oligárquica tinha desatado. Propagandeia-se todo o tempo OMO LAVA MAIS BRANCO e se contrata pesquisa para conferir a efetividade da lavagem de cérebro.

Tudo pronto, convocados os zelosos funcionários tucanos da página 2, os chamados “especialistas” – disfarce da tucana fernandohenriquista - para comentar, tudo pronto para explorar a queda irreversível do apoio a Lula. CRISE FAZ DESPENCAR POPULARIDADE DE LULA. Ou: LUA DE MEL DE LULA TERMINA DEFINITIVAMENTE. Sub-título: Serra se diz pronto para enfrentar a crise. Economistas tucanos: Só volta das privatizações pode salvar o Brasil.

Faltava combinar com o povo brasileiro. Mais uma vez “o povo derrotou a opinião pública” fabricada pela mídia privada. 70% de apoio, 6% a mais que na ultima pesquisa, depois da intensa campanha propagandística contra o governo. Crescimento em todos os setores – nível de renda, nível de escolaridade, região do país, tudo, tudo, pior não poderia ser para a FSP e a direita brasileira.Conseguiram apoio de apenas 7% de rejeição a Lula, com tudo o que gastaram na campanha. Contra eles, 93%. O resultado os surpreendeu tanto, que no dia mesmo da publicação da pesquisa, ninguém tinha nada a dizer, nenhum comentário, luto fechado.

Foram necessárias 48 horas para encontrar palavras que dessem conta do incompreensível para mentes tucanas dos jardins paulistanos. Depois da ressaca, das doses de uísque para consolar, o jornal sai todo sem graça, buscando razões que a própria razão desconhece, esfarrapadas, para consolar o inconsolável, depressivo e sorumbático chefe que os havia convocado para mais uma batalha serrista.

Pensaram em títulos como:

POVO AINDA NÃO PERCEBE A CRISE.
Ou: DEMAGOGIA LULISTA ESCONDE A CRISE.
Ou ainda POVO BRASILEIRO, IGNORANTE, MERECE LULA E A CRISE.

Ou, como teria sugerido um funcionário casado com uma tucana ou outro, casado com um tucano: FHC: LULA ENGANA OS BRASILEIROS. Subtítulo: Ex-presidente sugere que FSP publique Max Weber em fascículos, embora creia que é biscoito muito fino para a plebe.

Pensaram em declarações da sua galera, como:

Gilmar Mendes: Supremo vai questionar resultado da pesquisa.

Fiesp: Pessimismo empresarial ainda vai vingar.

Gianotti: Leitura de Wittgenstein permite perceber que Lula está condenado pela Lógica.

Assim age um jornal com o rabo preso com os tucanos e, através deles, com a elite branca, milionária, um intelectual orgânico das elites dominantes brasileiras internacionalizadas. Editorial para xingar Lula, carta de leitor indignado com a realidade, um colunista diz que o desgaste de Lula ainda está por vir, não custa esperar, um “intelectual” tucano repete a mesma coisa, um psicanalista diz que o povo gosta de fugir da realidade.

Agora é fazer logo outra pesquisa, quem sabe alguma oscilação no apoio a Lula, quem sabe aumentar a dose do pânico, talvez mandar embora essa equipe de funcionários incompetentes, talvez outra dose de uísque.

Bog do Emir

domingo, 7 de dezembro de 2008

Não quero morrer de amor, quero viver...

Sobre o trovadorismo, também do entre Douro e o Minho, já fiz outra postagem.

PAI GOMEZ CHARINHO

(séc. XIII, 2ª metade)

Muytos dizem com gram coyta d'amor
que querriam morrer e que assy
perderiam coytas, mays eu de mi
quero dizer verdad' a mha senhor:

Queria-me lh' eu mui gram ben querer,
mays non queria por ela morrer,

Com'outros morreron, e que prol ten?
ca, des que morrer, non a veerey,
nen bôo serviço nunca lhi farey;
por end' a senhor que eu quero ben

Queria-me lh' eu mui gram ben querer,
mays non queria por ela morrer,

Com'outros morreron no mundo já,
que depoys nunca poderon servir
as por que morreron, nen lhis pedir
ren, por end'esta que m'estas coitas dá

Queria-me lh' eu mui gram ben querer,
mays non queria por ela morrer,

Ca nunca lhi tan ben posso fazer
serviço morto, como sse vivier.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Um poema que li esta semana que passou. Li em sala de aula, em meio à agitação adolescente. Meus olhos se encheram de lágrimas, as quais tive que conter, estou acostumado. Nunca um aluno percebeu uma dessa marca da emoção profunda. Ou sim, percebeu. Achei mesmo muito bonito o poema, parece comigo.

Mnemosine
(Leda Maria Martins)

Eu não vi quando amanheceu
e não ouvi o canto das lavadeiras
madrugada afora seguindo o rio.
- Eu não estava lá

Eu não vi quando vergaram as árvores
e fecharam os dias
Nem quando recortaram as serras
de antenas elétricas eu vi.
Disseram-me
- Mas eu não estava lá.

A memória da minha ausência
lembra os anciãos nas veredas das noites
luarando cantigas serenas
fazendo sonhar as meninas quase moças.
Eu não ouvi os últimos suspiros
da infanta já feita senhora.
Passam autos velozes pelos calendários
mas nem mesmo quando chegou o primeiro comboio
e que todos se pintaram de novo eu vi.
- Sequer me apresentei.

Eu não estive lá quando queimaram os mortos
e dançaram nas bordas do fogo.
Nem quando se abraçaram ébrios das vitórias
e nas miragens por vir
lavraram novos totens
e os celebraram.

Os barcos soçobraram em labirintos tarde
e eu não estive no vento de nenhuma vela
no marulho de nenhuma vaga.

Eu e a ausência de mim.
Não ter estado nunca em parte alguma.
Não ter feito sequer um gesto de ficar
ou partir.
Não estar simplesmente.
Assim como alguém que ouve bater à porta
uma, duas, infinitas vezes
mas não se mexe, não se levanta,
não faz barulho.

domingo, 30 de novembro de 2008

soneto estranho

O poema, que é para ser lido no ritmo, é para ela, a qual espero o possa ler um dia. Vai depender da minha coragem para ser ridículo. Mas algo me inspira: Todos os poetas e poemas de amor são ridículos.

Você voltou e não sei por quanto tempo
ainda. A vida a chance me dará de um
beijo; um encontro fortuito , ou um ensejo
com a morte que enfim se me virá

tranquila. A morte, o amor que assim em mátria
língua têm ambas quase que o mesmo conceito,
aquilo que é mutável , vira um ao peito,
a outra as células aniquile ou extinga!

Pensei que tu, do sol, não viste a hora ainda
em que te vai falar aos átomos do corpo a Deusa;
presta atenção Teresa, vou ser o primeiro!

Oh sim, quero o sagrado templo onde possa eu,
inteiro, me refastelar em água, e terra, e a alma
em ar e fogo, oh queima a minha calma de beleza!

domingo, 23 de novembro de 2008

Às mulheres
















Este fim de semana consegui retomar o grego. Em algumas passagens recorri aos mestres. A maior parte, ainda assim, fiz sozinho. Além do arranjo. A consulta de Almeida Cousin foi fundamental.

Continua a solidão
de quem não está sozinho.
Os heróis e mestres do passado
vagueiam pela casa.
A deusa utópica também.
Mas não se enganem,
em meu vocabulário
utopia não é sinônimo
de quimera.
Talvez apenas
uma porta que não se vê
ainda.

ÀS MULHERES

Aos touros deu a natureza os chifres,
os cascos aos cavalos,
a ligeireza às lebres,
o abismo de dentes aos leões.
Aos peixes deu a natação,
o bater d'asas às aves,
aos homens resolução.
Às mulheres nada mais restou.
O que devo dar-lhes? pensou a natureza.
A Beleza:
Lanças e escudos
confrontando,
vence o ferro e o fogo
quem quer que seja bela.

Anacreonte de Samos

ΕΙΣ ΓΥΝΑΙΚΑΣ

Φύσις κέρατα ταύροις,

Ὁπλάς δ' ἔδωκεν ἵπποις,
Ποδωκίην λαγωοῖς,
Λέουσι χάσμ'᾽οδόντων,
Τοῖς ἰχθύσιν τὸ νηκτόν,
Τοῖς ὀρνέοις πέτασθαι,
Τοῖς ἀνδράσιν φρόνημα.
Γυναιξίν οὐκ ἔτ' εἶχεν.
Τί οὖν δίδωσι ; κάλλος·
᾽Αντ' ἀσπίδων ἁπασῶν,
᾽Αντ' ἐγχέων ἁπαντων,
Νικᾷ δὲ καὶ σίδηρον
Καὶ πῦρ καλή τις οὖσα.

(Ἐκ τῶν᾽Ανακρέοντος ᾠδῶν)

Delenda Tucanus


O título do post não é uma invenção minha. Na verdade é uma recriação de uma recriação. O Miguel do Rosário, do blog 'Óleo do Diabo' fez há uns dias uma postagem onde pede: Delenda Serra.
Eu já estendo o pedido à tucanada em geral. Não há o que se salve ali.
Para os que não sabem ou não se lembram, a frase original é de um antigo senador romano, da época da república ainda, quando da luta contra os cartagineses pelo domínio do mediterrâneo: Delenda Cartago! Catão era seu nome. Ele insistia que a única alternativa para o problema da concorrência cartaginesa era a destruição completa da cidade de Dido e de Aníbal. Acordos e pactos não mais interessavam. O seu pedido foi ouvido. Um general romano, que não era romano, conhecido como Cipião, o africano (o jovem), tomou e arrasou a cidade até aos alicerces. Depois mandou salgá-la, para que nada mais ali nascesse. Alguns anos depois os próprios romanos reconstruíram a cidade. Mas o estrago foi bem feito. Hoje, quem visita suas ruínas, na contemporânea Túnis, não mais vê ali qualquer lembrança da arquitetura dos cartagineses. Com exceção de algumas tumbas escavadas. Os prédios cartagineses já não existem desde 146 a.c. quando de sua tomada definitiva. Outro dia faço um post sobre a história dessa grande cidade e desse grande povo da antiguidade. O de hoje é sobre a educação no Brasil e o Vlad, que tem pretensão à presidência da república. Leiam:

E não é que tucanaram a lei do piso nacional?

Por Brunna Rosa [Quarta-Feira, 8 de Outubro de 2008 às 19:36hs]

Aprovada em julho deste ano, a lei do Piso Salarial Nacional dos professores é uma conquista história dos professores e pode representar o primeiro passo para uma série de modificações necessárias para valorizar a educação pública do país. A nova lei, além de institucionalizar uma remuneração mínima para a categoria no valor de R$ 950,00 para uma jornada de 40 horas semanais, garante que 33,3% das horas sejam destinadas a atividades extra-aula. O assunto é abordado em matéria da Fórum de outubro (em bancas a partir do dia 15) e não deixa dúvidas: garantir esse um terço da jornada para a preparação das aulas, correção de atividades e formação continuada será o grande desafio da categoria.

Na 3ª Reunião do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) foi preparada uma contra-proposta pedindo a revisão da lei no Congresso Nacional e no Senado. A nova “idéia” é a decisão do governo José Serra (PSDB) de contabilizar como horário para atividades extra-classe os intervalos de dez minutos entre as aulas na rede estadual.

A medida, segundo informações do jornal Folha de São Paulo, foi tomada para ajustar a rede à Lei do piso. Na mesma matéria, o autor do projeto de lei, o senador Cristovam Buarque (PDT), afirma que a nova interpretação do governo paulista "é uma farsa". O parlamentar ainda questiona: "como o professor vai corrigir provas, preparar aulas, em dez minutos?”. E declara o óbvio. “Esse período é para ele tomar água, ir ao banheiro."

Segundo a Secretaria de Educação de São Paulo, se não considerasse o intervalo, teria de gastar R$ 1,4 bi com novos professores. Informação controversa, uma vez que os custos adicionais do piso salarial deverão ser arcados em conjunto com a União. Agora, com a nova “adequação”, a proporção de atividades extra na rede estadual subiu de 17,5% para 31% da jornada.

Ou seja, após implementar metas, introjetar a política neoliberal e congelar o salário da categoria agora a pedagógica tucana quer acabar com o café e xixi dos professores...

sábado, 22 de novembro de 2008

Sapho



















As palavras de Safo,
fragmentadas em pedaços resistentes de papiros,
complementadas por citações em manuscritos outros,
antigos,
intercaladas de silêncios,
nos falam através de enigmas.
Formam mais de um possível pensamento.
Reservam, para nós, o preenchimento;
tornam-se outras.
Variações, como diz Brasil Fontes.
O grande barato são os espaços vazios,
onde colocamos a nós mesmos.
É ali que a poesia dança.

Enamorei-me de ti Átis.
Foi há muito:
pequena criança,
a mim
feia (a)parecias...


Ἠράμαν μὲν᾽Éγω σέθεν,
Ἄτθι, πάλαι ποτά
σμίχρα μοι πάις
ἔμμεν ' ἐφαίνεο
χἄχαρις


quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Poema ufanista revisitado

















Filhas e Filhos do Kosmos...
... e de Tupis e Áfricas sagradas,
e hermosos Portugais
nós somos.
Proliferam-se as flores
e abelhas e rosas.
De antas, e pacas, tatus;
Xavantes, Tapuias e sárx;
entre estes, todos
ocultaram-se à visualização
das "xaves" helênicas orgânicas.
E de atlântidas-sumérias e
de sulaméricas-fenícicas-floraclóricas
nos fizemos.
E com atos e efeitos serumanominais e
tão sublimes
quanto
os Átenas e Dórios,
todos tortos;
também tosaram
os cabelos de Astartês
dos sertões, e de
Diadorins e Tróias abundantes;
e Ártemis e
Deméters sagradas.
Chega a onda
que vem de longe
e geme no tempo,
e Tétis não
pode pará-lo,
impedi-lo de
levar-lhe embora
o adorado guerreiro,
Tupi de tao bugre
história.
De Ílio tão
antiga como a anta,
como yara, ou uiara,
ou aiuuiara,
sereia, sirene, Silena.
Helena, de belas luas-madeixas,
e queixas de pedidos,
com toques nos queixos tão lindos,
os toques e gestos faceiros,
nas faces sublimes quão
já, servil e sedudora Rainha,
sujeita Páris, Heitores e Aquiles,
e Menelaus na rinha.
E de estar-se sujeita
ao cio da Terra, que
a Lua, de novo,
empurra
às antigas e novas
freqüencias de
Frânciscas-Fenícicas
Guilhotínicas luzes,
declarações e
testamentos; dizem,
que a história do mundo
inda é torpe por demais,
e vil.
O resto da história
cabe ao Brasil.

Poema megalomaníaco.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Se não foi um ciclone, o que foi?

Estou em fase vazia. Trabalhando muito. Quase estressado com a escola da tarde; os jovens, claro. Por isso poucas palavras. Hoje à noite pude presenciar pela primeira vez algo parecido ao que se poderia chamar de um ciclone. As árvores vergaram até o chão. Muitas foram arrancadas pela raiz. Uma parte imensa da cidade ficou sem luz. Vários alagamentos. Postes tombaram e transformadores explodiram. Telhas voaram. Fiquei bastante impressionado.

domingo, 16 de novembro de 2008

A San Felice

















Terminei de ler "A San Felice". Gostei. Dizem ter sido considerado pelo autor como o melhor dos seus últimos dez anos de vida. Mas, no meu projeto de ler a obra completa de Dumas Pere, onde ainda estou nos primeiros passos, não tenho dúvida: "Memórias de um médico" é o mais tocante. Uma epopéia de 25 anos que antecede e finaliza no terrível ano de 1793. Acho que foi o livro que mais me tocou entre todos os que li. E olha que há, na disputa, Homero, Dostoievsky, Victor Hugo, os atenienses, o Rosa e outros menos conhecidos. Já disse aqui antes: Não sei porque adoro as tragédias.
Mas voltemos à "San Felicie". A história se dá durante os preparativos e instauração da República Partenopéia e da restauração, logo em seguida, da monarquia bourbônica no Reino das Duas Sicílias, que para quem não sabe, ocupava a ponta sul da península itálica, de Nápoles até Malta. Fernando IV, um rei medíocre, e Carolina, rainha de personalidade forte ( a verdadeira monarca), como todas as Habsburgos. Dumas faz o que se pode chamar de 'romance histórico'. O principal do enredo é histórico, mas entre os heróis, um é fictício: Salvato Palmieri. Dumas também modifica a história pessoal de Luisa San Felice para poder adequa-la ao romance com Salvato. Sua morte trágica, no entanto, foi real. É interessante como Dumas desenvolve seus romances basicamente em descrições e narrações. Há relativamente poucos diálogos. E, o que mais me chama a atenção, o pouco interesse (proposital?) no mundo interior dos heróis e heroínas. Neste livro, chega ao ponto de tornar mais interessantes os personagens secundários ou mesmo os vilões. O Rei Fernando, um completo escroque, chega a se tornar interessante. O mesmo com Maria Carolina, figura definitivamente inferior à sua irmã Maria Antonieta. Ou mesmo o Cardeal Rufo, que apesar de honesto, cometeu um desserviço à humanidade; aquela história que de boas intenções o inferno está cheio. Todos personagens nos quais o autor se detem por muitas mais vezes que em Luisa ou Salvato.
Mas termina o livro com ela. É impressionante, também, como com apenas uma frase a personagem se nos mostra inteira como é. Quando ela, já no cadafalso, se ajoelha sobre o cepo e pergunta ao medonho carrasco: _Assim está bom, assim está, senhor? Oh, por favor, não me faça sofrer! A gente se dá conta que a nossa heroína era uma moça de 23 anos, delicada e apavorada com o que lhe estava acontecendo. A forma como se dá a sua morte é terrível. Mas quem quiser saber que leia o livro.
Agora, para não deixar de lado outro projeto (a literatura francesa), estou lendo "O homem que ri", de Victor Hugo. Já nas primeiras páginas achei maravilhoso. A narração do encontro da criança com o enforcado e a visita dos corvos é extraordinária.
Ah, os livros, quase tudo que me resta!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ainda Alejandra Robles

Para quem ainda duvida do talento da moça.

sábado, 8 de novembro de 2008

Coração pã-americano, Alejandra Robles, ou eis gunaikás...






















Leio bem o espanhol, mas para escrever e falar sou um desastre. Ainda assim...
Esta chica es mui guaca. Y su banda tambien. Viva America!



As verdadeiras artistas e os artistas também me emocionam muito. Principalmente no nascituro. Essa moça é das grandes.
Que a Deusa a tenha!
E Deus a eles.
Tudo é por demais...

Whitman feliz

E como uma coisa concatena a outra e gosto e divulgo a boa poesia, da tradução de Geir Campos:

Democracia!
Junto a você, ao alcance da mão,
há agora uma garganta
que infla e canta com alegria.

Ma femme!
Pela ninhada nossa e além de nós,
pelos que já são daqui
e pelos que estão por vir,
eu, exultante de estar para eles pronto,
quero agora entoar mais fortes cantos
e mais soberbos que os jamais ouvidos
sobre a face da Terra.

Hei de entoar cânticos de paixão
para lhes dar passagem,
e hei de entoar cantos também a vocês,
réus à margem da lei,
pois eu os fito com olhos de parentesco
como a todos os outros.

Hei de entoar
o verdadeiro poema das riquezas,
a ganhar para o corpo e para a alma
tudo que adere e toca para a frente
e não é suprimido pela morte.

Hei de cantar o amor-próprio
e hei de mostrar que ele está na base de tudo,
hei de ser o cantor da personalidade.
Hei de mostrar macho e fêmea
como iguais um do outro,
e os órgãos genitais e os atos sexuais
que se concentrem em mim,
pois de vocês vou falar
em alto e bom som
para provar que vocês são
maravilhosos,
e hei de mostrar
que no presente não existe imperfeição
nem pode haver nenhuma no futuro,
e hei de mostrar
que coisa alguma pode acontecer
mais bonita que a morte,
e hei de tecer um fio
atravessando os meus poemas todos
e em uma coisa só
ligando o tempo e os acontecimentos,
pois que todas as coisas deste mundo
são perfeitos milagres
cada qual mais profundo.

Não vou fazer poemas referentes às partes,
mas vou fazer poemas, canções e pensamentos,
referentes ao todo,
e não hei de cantar com referência a um dia
mas com referência a todos os dias,
e não farei poema, nem parte de poema,
quie não seja de referência à alma,
porque, tendo já visto as coisas do universo,
acho que nada existe,
nem existe partícula de nada,
que não tenha uma referência à alma.


Walt Whitman, Folhas das folhas de Relva, Ediouro - 1983

Quem aprende minha lição completa?


















Embora, em minha vida cotidiana, tenha esta semana que passou sido uma como qualquer outra, sabemos que não o foi. O acontecido no EUA foi por demais significativo. Mas não vou me estender sobre a eleição de Barack. Muitos já o fizeram com emoção e beleza que não sou capaz. Eu também me emocionei e me senti feliz.
























Há algo maior por trás disso tudo, e é esse algo que me fez chorar. Chorar de regozijo. Uma emoção semelhante àquela que se sentiu após a rendição alemã em Stalingrado ou nas praias de Salamina após à histórica batalha.
Uma coisa muito boa venceu uma coisa muito ruim, apenas isso.
Haverá um mundo melhor. Juntos construiremos algo que sozinhos não o poderíamos fazer.
Parabéns ao povo norte-americano pelo passo indiscutível dado rumo à sua maturidade espiritual, e Obama é aquele que aprendeu a lição completa.
Walt Whitman, onde quer que esteja, está soltando urros de alegria.

domingo, 2 de novembro de 2008

A dança de Shiva






















Do bramanismo hindu - espero não estar sendo pleonástico - vem um tratamento da diferença que, sempre, me faz pensar no quanto estamos perdidos com o nosso pretenso e hipócrita "Todos são iguais perante a lei". A maneira como a mito poética brâmane trata as dualidades é por demais séria e sincera para não nos sentirmos envergonhados de nossa suposta superioridade civilizatória ocidental. Há muitos anos estudei um pouco do budismo tibetano, hoje já quase não me lembro mais dos conceitos, dos diversos mitos, da gênese cosmogônica. Mas ficaram lembranças impregnadas nas cadeias do DNA; foi uma época muito louca de minha vida.
Caiu-me à mão um livro de poesias de Décio Pignatari, 31 poetas 214 poemas, que traz uma antologia de poemas de épocas distintas, começando com os "hinos do Rigveda (séc. XVI a.C.)" e os "poetas-santos de Xiva (séc. XI a.C.)" de onde trago esta pérola de simplicidade:

Poetas-santos de Xiva

DASIMAIA

1-

A esse mistério
(que traz a si mesmo dentro)

Indiferente a diferenças

Rezo, Senhor.

2-

Com corpo
a gente tem fome

Com corpo
a gente mente

Não zombe
não censure
de novo
por eu ter um corpo

Tenha um corpo
você mesmo
uma vez
como eu
e veja o que acontece

Ó Senhor.

3-

Se eles veem
seios e cabelos compridos
dizem que é mulher

se barba e costeletas
é homem

o suspenso
entre ambos
que é?

Ó Senhor.



Se alguém responder à pergunta com:
_ É um tremendo de um Travesti.
é porque é incapaz de se colocar em outro tempo-espaço e perceber a sutileza da pergunta proposição. Tobias costumava dizer que, para se chegar a um equilíbrio, o indivíduo macho deveria se mostrar 51% masculino e 49% feminino e a fêmea o contrário evidentemente.

O mundo precisa deixar de ser governado por machos 99% masculinos. Paredes de insensibilidade.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Aos teóricos da educação, vão tomar...





















Novamente peço desculpas aos leitores pelo título da postagem, mas me defendo dizendo que é o meu sentimento mais verdadeiro. E como este blog é meu, escrevo o que quiser. Certo?


Certo. Então vamos ao que interessa.

Entre meus alunos jovens e adultos da escola noturna, creio haver um ou dois, no máximo, que, eventualmente, leem alguma literatura. A maioria (dos que leem quaisquer coisas) só lê os jornalecos de 0,25 cents ou a Bíblia. Quando lhes digo que não acredito em Deus eles sempre me dizem que Jesus me ama assim mesmo. Sempre me calo depois dessa. O fato é que acredito em Deus cá com os meus botões. O faço à minha moda e, como não quero evangelizar ninguém, guardo para mim.


Mas fiquei ligeiramente feliz com os meus alunos da tarde pois que os vejo alguns com livros interessantes debaixo dos braços, tais como a aluninha que lia um calhamaço de 400 páginas sobre mitologia nórdica. Um luxo! Outro dia era outra com a mitologia greco-romana.


Mas o fato é que entre esses meus adolescentes - o possessivo é brincadeirinha hein! - há alguns que gostam de ler. Muito me surpreendeu. Principalmente em se tratando de uma escola de periferia. Não quero parecer preconceituoso ou racista, mas minha experiência de 6 anos com escolas de periferia me mostra que a maioria absoluta dos jovens e adolescentes pobres só gosta mesmo é de ouvir e dançar o créu e semelhantes. Quanto digo maioria absoluta é que quero dizer mais de 50 %.


Por isso e outras momunhas mais é que tenho vontade de mandar às favas (para não....) aqueles que me vêm dizer que é preciso lidar com a juventude na base do diálogo e da concessão. Isto é, você, que é professor de música, ou que faz sua licenciatura, quando for dar aula nas escolas públicas brasileiras, se prepare, pois vai ter que ensinar a moçada a ler partitura ao som do rap e do funk. Beethoven ou Mozart nem pensar. Esqueça!


Mas nem tudo está perdido como pudemos ver com as nossas queridas alunas leitoras dos mitos. Sempre pode ser possível realizar algum trabalho diferenciado com um pequeno grupo de crianças, adolescentes e jovens mais sublimados, onde o professor de música vai poder ensinar de Luis Gonzaga à Villa-lobos e os professores de arte vão poder mostrar imagens de Tintoretto, El Greco ou Velasquez, por exemplo, sem ter que se incomodar com 35 alunos conversando e ridicularizando os mestres e a sua beleza.


Podem me chamar de reacionário, autoritário, arrogante ou coisas parecidas. Mas em aula minha ninguém escuta o créu e os da família. Quem quer escutar essas coisas tem sempre a sua casa é o que digo.


E como dizia Galileu na Galiléia: "A beleza é que vai salvar o mundo"


E tenho dito.

Calor e alimentos


Amigas e amigos, cuidado com os alimentos nesta época de muito calor. Ontem, após comer uma moqueca de cação, passei tanto mal que fui parar no hospital. Tomei sorinho na veia - coisa que adoro - e depois fui pra casa descansar, o que fiz até às 10 horas da manhã de hoje. É claro que, não gostando de cação, não deveria tê-lo feito, burrice nº 1. Comer moquecas sem que sejam feitas por mamã e, inda por cima, em minas gerais, foi a burrice nº2. Saibam que sou filho da capixaba D. Norma, que faz deliciosas comidas com frutos do mar e que, vez ou outra, me brinda, como outro dia mesmo, com gostosos peixes, siris e camarões. Adoro.

Comer essas coisas, no entanto, em restaurantes mineiros não especializados, aviso, é fria!

Mas então, após ter saído quase correndo da sala de aula para ir vomitar no banheiro, e ficar indo e voltando dali por mais de uma hora, decidi que tinha de ir a um hospital. Deixei a moto na escola, o que me está preocupando, e ganhei uma carona até o Semper. Quase eternos vinte minutos.

Agora já estou bem, só ficou uns restos da diarréia, que também já está passando.

Então fica o toque: não comam peixe em qualquer lugar. Especialmente cação, que é um peixinho muito do safado...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O trovadorismo, as cantigas d'amor galego-portuguesas















Um pouco do trovadorismo galego-português, meados do século XIII.

Nuno Fernandez Torneol

Quando mi-agora for'e mi alongar
de vos, senhor, e non poder veer
esse vosso fremoso parecer,
quero-vus ora por Deus preguntar:
Senhor fremosa, que farei enton?
Dized' ay! coita do meu coraçon!

E dizede-me: en que vus fiz pesar,
por que mi-assi mandades ir morrer?
Ca me mandades ir alhur viver!
E pois m'eu for e me sen vos achar,
Senhor fremosa, que farei enton?
Dized' ay! coita do meu coraçon!

E non sei eu como possa morar
u non vir'vos, que me fez Deus querer
ben, por meu mal; por en quero saber:
e quando vus non vir, nen vus falar,
Senhor fremosa, que farei enton?
Dized' ay! coita do meu coraçon!

Coita, é o drama passional do trovador.
Senhor, forma de tratamento com que o trovador se dirigia à mulher, reminiscência do tratamento feudal dirigido ao suserano. Demonstra a posição de humildade do trovador em relação à dama.
U, onde.

O resto acho que dá para adivinhar e depois falo mais sobre isso.

Extraído de "A lírica trovadoresca, Sigismundo Spina"

domingo, 26 de outubro de 2008

Kryon em África

Eis um site que acompanho há vários anos. Trata-se de canalizações de Kryon na África do Sul por David Brown. É um Kryon, diferente de Lee Carol, mais focado no mundo abaixo do equador e nas questões de equilíbrio entre masculino e feminino. Tem traduções em vários idiomas, inclusive em português, já que há uma grande colônia portuguesa no país africano. Gosto muito.
Uma boa semana a todos!

En el momento estamos entrando a una nueva era, a la Era de Acuario. Hay un problema al dar el nuevo paso y es que el paso hacia Piscis nunca se completó. Hubo ciertas energías y fuerzas en este planeta que bloquearon el camino hacia la verdadera energía de Cristo fluyendo hacia la conciencia del hombre. Una base de gran poder ha sido construida en este planeta como un resultado con unas cuantas personas controlando la mayoría de la riqueza en el planeta también controlando a la mayoría de las personas en el planeta. Tanto como el occidente parece ser libre, no es totalmente libre aunque de alguna manera es mucho más libre que otras partes del mundo pero de otras formas es mucho menos libre por la condición social.

Cuando uno disecciona las palabras “libertad” e “independencia” y lo que en realidad significan uno debe preguntarse: “¿en realidad se es libre en el occidente?” La respuesta a eso debe ser un resonante “no”. Por otro lado, uno debe preguntar, “¿estamos mejor en el occidente que nuestra contraparte en el oriente?” Financieramente uno podría contestar “sí”. El dinero no lo es todo. Tiene que haber verdadera paz interna, tiene que haber verdadera alegría y libertad y después en verdad saben que son la libertad y la paz, cuál es su propio poder, cuánto se aman en verdad.

El occidente está un poco inquieto por lo que pasa en la India, China, Brasil y Sudáfrica y otras naciones emergentes alrededor del globo pues esto significa menos control en las manos del occidente. ¿Qué significa esto en una base individual? Significa que si EE.UU. tiene problemas con su economía ya no afecta a todos en el mundo, afecta a muchas personas pero estas nuevas economías están sosteniendo una energía diferente, una energía que no depende en los Estados Unidos o en Europa occidental para manejar sus economías. Sus economías están haciéndose más y más fuertes y de una forma esto está creando seguridad en el planeta, pues el poder base alrededor del globo está cambiando aunque uno tenga compañías globales aún hay un cambio de poder.

continua...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sobre os tempos

Uma pausa nas belezas da arte e da literatura para comentar as atualidades (que são belas também).

O presidente Lula recebeu um telefonema de Bush, o norte-americano, convidando o brasileiro para participar de uma reunião do G8 (os sete países mais ricos do mundo mais a Rússia); quer escutar suas opiniões. Achei lá no blog da Glória.

"No telefonema, de aproximadamente 15 minutos, Bush aproveitou para consultar Lula sobre a disposição da Índia em retomar as conversas para a conclusão de um acordo na Rodada Doha pela liberalização do comércio."

Me deixou com um bom sentimento de amor à mátria Brasileira.

sábado, 18 de outubro de 2008

A San Felice

Estou, há quarenta dias, lendo um livro do Dumas pai (mais um), um dos últimos dele e preferido, chamado "A San Felice".
Estou com medo de terminá-lo.
Ele vai matar a todos.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Maria Antonieta


Os que acompanham este blog há mais tempo sabem de meu fascínio por momentos dramáticos da humanidade. Desde a lendária divisão dos sexos ocorrida na não menos lendária Lemúria, passando pelas progressivas destruições do continente atlante, até a nossa civilização. Aí, a revolução patriarcal do neolítico; as guerras entre os primeiros impérios; os gregos e suas Tróias e Termópilas; Roma e o advento do Cristo; as invasões bárbaras e o questionável silêncio medieval; a lenta agonia de Constantinopla e o golpe de misericórdia de Maomé II; as navegações; as Américas; a revolução francesa e as grandes guerras mundiais. Não falemos de hoje, que está tão perto que minhas vistas cansadas não conseguem ver. De todas, a que mais atrai é, sem dúvida, a revolução francesa. Apesar de parecer tolice, tenho simpatias pela aristocracia e, em especial, pela figura de Maria Antonieta. Muito me espanta a imaginação o contraste entre o luxo indizível de Versailles e o quartinho de 16 m2 da Conciergerie que ela ocupou em seus dois últimos meses de vida. Das filhas de Maria Teresa, também Marias, duas pode-se dizer que se destacaram na história. Mª Antonieta e Mª Carolina. A primeira foi rainha de França, a segunda do reino das Duas Sicílias. Após tanta leitura sobre essa época da história (leitura certamente ainda muito superficial), guardo de Mª Antonieta a imagem de uma mulher frívola que não soube perceber a revolução. Em seu pequeno mundo do Petit Trianon não via que havia ao seu redor um mundo em ebulição. Aqueles vinte últimos anos do século XVIII foram um daqueles grandes momentos dramáticos da história do mundo a que me referi. E Mª Antonieta não o viu; pelo menos até à fatídica noite de 5 para 6 de outubro de 89, quando uma turba de mulheres, instigadas por Marat (só podia) invadem Versailles e, por muito pouco, não foi ali mesmo que Antonieta deu adeus ao mundo. Desde então, durante os quatro seguintes anos, a rainha vai lentamente decaindo e a heroína (sim, ela sabia o que lhe estava reservado) aparecendo. As filhas de Mª Teresa eram mulheres fortes, como ela. Dadas à voluptuosidade, apreciavam os prazeres amorosos e, parece, nutriam carinhos especiais às suas favoritas. Grandes parideiras; Carolina teve dezoito filhos, Antonieta quatro. E só não os teve mais que a morte não lho permitiu. Carolina lutou com mais argúcia pela coroa e pela cabeça. A morte da irmã já lhe havia avisado do perigo. Carolina não teve demasiadas dúvidas quando teve que fazer rolar cabeças para preservar a sua. Antonieta não me parece ter sido uma mulher capaz de decretar a morte de alguém. Muito embora um colar de brilhantes podia mesmo alimentar muitas pessoas. Confortos de Rainha.

Fico pensando que, se aquele seu último ano e meio de vida fosse colocado na balança, em relação aos anos de Rainha ainda no poder, a balança se equilibraria.

Carolina preservou a coroa e a cabeça.

No 16 de outubro de 1793, Mª Antonieta foi guilhotinada e seu corpo enterrado, junto com a cabeça, em uma cova comum.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

coroai-me de rosas, maria...






















Coroei-te de rosas senhora, inda
os espinhos, que se me perfuravam os dedos...

Os certamente centenas de milhares de milhares de poemas escritos para se coroar alguém me fazem pensar: O que é coroar alguém de flores? Tecer uma grinalda com hastes e galhos e botões, costurando as fibras, os talos; uma arte. Arte perdida certamente. Ou quase. Quem hoje em dia sabe a técnica de se tecer uma coroa de flores? Na internet, procurando-se, nada se acha. Tenho vontade de conseguir as flores e tentar tecê-las. Tranças de três fios que são fáceis.
Bouganvilles, boninas, jatobás-mirins.
Mas e as rosas? Como pode ser possível trançar uma coroa de rosas sem se furar os dedos todos de espetadas? Os galhos das rosas são totalmente espinhentos...
e duros, e rígidos; não se vergam e os espinhos são fortes; não é à toa que os melhores cachimbos são feitos de galhos de roseira.
De forma que tecer-se uma coroa de rosas há de ser uma obra de arte.
Certamente que alguma outra estrutura vegetal deve servir de base para se entrelaçar as rosas, o que se deve fazer utilizando-se, seguramente, seus próprios espinhos. Mas para tal deve ser necessária uma grande dose de talento e arte.
Primeiramente para não sair logo de cara se espetando nos espinhos. É preciso conhecer a maneira de segurar o talo da roseira sem se ser ofendido pelo espinho.
Depois, há de se saber o lugar certo de cortá-la de forma a se poder aproveitar o desenho do galho e a direção da floração. Se bem que esta segunda parte é secundária, ou não.
Para isso, só se me afigura possível com o auxílio de uma segunda planta que, a princípio, deveria ser algum tipo de trepadeira. Ou seja, uma planta flexível,
onde se amarrariam, de forma agradável ao olhar e ao vestir-se, a grinalda. Ou seja, ela não deveria espetar quem a segurasse e nem parecer desarmoniosa aos que a vêem.
E aí entra toda a coisa do desenho, da escultura e da pintura. Esta no que diz respeito às cores das diversas qualidades de flores, e as nuances.
Em Pindorama eram as penas de mutuns, uirapurus, araras, cores iridescentes. As coroas de flores de nossos índios eram os endoapes.
Mas, voltando às rosas, havia de ser uma grande demonstração de amor e sacrifício tecer-se uma coroa com a rainha das flores, que certamente devia ferir bastante os dedos.
Mas havia algo mais nesse ritual de tecer e coroar. Era uma espécie de celebração da beleza e da vida, um culto também à natureza, à madre-terra.

Se não, vejamos em Anacreonte a relação das flores, especialmente das rosas rubras, com o vinho, com o amor e com as festas a Baco. Algumas invocações em fragmentos:

"A rosa dos amores
A Baco misturemos!
De rosas coroados
A taça levantemos!
O riso sobre os lábios,
Bebamos sob as rosas!
Rosa, glória das flores,
Da primavera encanto,
Mimo dos próprios deuses,
Nas cores volutuosas!
Ergamos nossas taças.
Bebamos sob as rosas!
Se o filho de Afrodite
Vai, na dança ligeira,
Dançar em meio às Graças,
Tu, rosa, estás-lhe ornando
A bela cabeleira!...
Oh! já! Trazei mimosas
Coroas! Soem liras!
Fronte cheia de rosas,
Eu vou dançar, Dionissos
Com a rapariga nova,
Os véus a voar nos ares,
De seios tremulantes,
Em torno aos teus altares!"

"Todos, coberta a fronte
De rosas -- rubra orgia --
Oh! vamor rir, bebendo
O vinho da alegria!"

"_Com a primavera coroada,
Louvor à rosa delicada!
Junta-te, amiga, a estes meus cantos!"

"_Do artista é objeto dos cuidados
Entre os discursos que ela excita.
Planta das Musas, delicada,
É doce até por seus espinhos,
Quando nos ferem nos caminhos
Flóreos, estreitos e aculeosos...

_Doce é, nas mãos tendo-a, aquecê-la
Com dedos moles, voluptuosos...
Ó suave flor! terna e ligeira
Incendedora de amores..."

_traduções de Almeida Cousin






















Ou entre as ruínas dos amorosos versos de Safo, as flores, os cantos, as danças, as tecituras:

frag. 8
] a morte - sim a a morte eu prefiro:
ela me deixava, e entre muitas
-------------

lágrimas falava [
Ah! quanto nós sofremos,
Psappho! contra a vontade, eu te abandono!
-------------
e eu lhe respondi, então:

vai na alegria, e guarda-me na lembrança:
sabes bem como nos prendemos a ti,
-------------
não sabes? Pois quero retirar
do esquecimento, para ti [ ] [ ]..
..[ ] quanto somos felizes,
-------------

e tan[tas grinaldas] de r[osas],
de aça[frão] e violetas
..[ ] a meu lado tecias,
-------------
e tantas guirlandas
[ ] no teu colo suave,
de flores trançadas [
-------------
e..tanto perfume de flor
preciosas [ ]..[ ].
ungias; feito para rainhas;
-------------
e, sobre um leito macio,
o desejo saciavas [ ]
por [

frag. 21
o doce feitiço destes cantos
eu vou tecer para as amigas


frag.30
antigamente, era assim que dançavam
a essa hora, as mulheres de Kreta;
ao som da música, ao redor do altar sagrado
dançavam, calcando sob os pés delicados
as flores tenras da relva

frag. 39
[poikíletai mèn
gaîa polystéphanos]

a terra coroada de flores,
trama de cores e brilhos

frag.42
entrelaça, com as mãos delicadas, guirlandas
de ramos de anis, e enfeita, ó Dika,
teus lindos cabelos; fogem as Khárites divinas
da moça que vem sem guirlandas, pois gostam

das preces trançadas no brilho das cores [

frag.43
] uma linda menina colhendo flores [

frag.44
] as meninas em flor

entrelaçavam guirlandas de flores [

-Todos os fragmentos são numerados de acordo com J.B.Fontes - Variações sobre a lírica de Safo - Estação Liberdade - 1992



Não sei se pelo tempo em que viveram o poeta e a poetisa, mas havia, certamente, uma relação mais íntima com a natureza. Hoje em dia nos parece, talvez, excessivamente 'florida' suas composições.
Mas somos nós que estamos por distante demais das flores, não?
Bem, as coroas, pelo menos, só as usamos nos cemitérios, por sobre os caixões.

Provérbios gregos