sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Coisas do tempo e de finais de ano

Ontem estive com alguns amigos que os tenho há coisa de trinta anos. Lembramos dos 'causos', das viagens, dos ausentes; tiramos fotos e admiramos outras, antigas; conversei com a velha namorada que está ficando velha, como todos nós; tomamos bons vinhos e champanhe, comemos foie gras; contamos uma parte de nossas histórias pessoais, lamentamos algumas perdas e valorizamos os ganhos, se é que podem haver.
Bebi e falei demais, como sempre.
Acho que todos falamos coisas que até então não tinham sido ditas.
Foi muito divertido apesar dos momentos melancólicos e de algumas palavras mais ásperas.
E hoje bateu um enorme banzo.
Saturno, que, como diz o poeta, jamais volve a sua face.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Feliz ano novo a todas e todos!

Que possamos realizar, quem sabe, um sonhozinho.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Despedida

Perdi hoje uma pessoa muito querida. Não é ninguém que os meus ocasionais leitores conheçam. Mas como aqui é o meu espaço de divagar e expor eventualmente meus pensamentos e sentimentos, fica um registro, nesse dia, da partida desse ente querido.

Caro primo, que estejas sendo bem recebido aí onde chegastes agora. Sei que partistes na hora certa. Fica a saudade.

Vai contigo!

domingo, 19 de dezembro de 2010

E na tradução que muito gosto de Geir Campos, uma folha da relva:

11. Uma vez no Alabama, enquanto eu dava
o meu passeio matinal,
vi pousada uma fêmea de pardal
em seu ninho entre os galhos
chocando seus filhotes.

Eu vi também o passarinho-macho
e parei a escutá-lo
ao alcance da mão
inflando o peito e gorjeando em júbilo.

E estando eu ali parado, me ocorreu
que o canto dele
não era só para o que estava ali,
nem para a parceira dele
nem mesmo para ele só,
nem para tudo o que os ecos mandavam
de volta
_ mas muito além, sutil e clandestina,
era mensagem transmitida e oculta herança
para os que estavam acabando de nascer.


Cosette, em ilustração para "Os Miseráveis"


Walt Withman
fragmentos de Saindo de Paumanok

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Júpiter, Io e Ganimedes




Nesta noite de 16 para 17 de dezembro de 2010.

Urano trama o eclipse.

sábado, 20 de novembro de 2010

Minas

Onde o oculto do mistério se escondeu.



Grupo Boca Livre em música de Dori Caymmi e letra de Paulo César Pinheiro.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Atualizando esta merda

Aqui em BH só chove, chove, chove.
Blá!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Provérbios gregos e latinos













As Moiras

8.92· Ἐπὶ λεπτοῡ μιτοῦ τὸ ζῇν ἤρτηται.


A tenui filo vita dependet.


A um tênue fio pende-se a vida. 

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Atualizando

A única coisa que fiz direito até hoje foi sonhar.

domingo, 31 de outubro de 2010

Nossa Presidenta


Parabéns ao nosso povo por saber vencer o ódio e a mentira e seguir no caminho bom.

sábado, 30 de outubro de 2010

Sábado à noite

Estou saindo em um sábado à noite, coisa rara ultimamente, mas vá lá. O meu Galo perdeu de novo, mas não não vamos desistir. Amanhã é o dia D. Espero que o povo brasileiro tenha juízo.
É Dilma lá!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O Manu da raça

Uma homenagem singela à pessoa que mais admiro neste mundo.





















Feliz aniversário, Presidente!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O mal de braços e abraços com o bem?

Nestas eleições, novamente, precisaremos do auxílio luxuoso dos deuses. Somente uma força superior poderá nos ajudar contra o Leviatã da mídia e da velha elite carcomida e gasta que é capaz de tudo para lançar este país no buraco. Sua intenção (ou  de quem ou do quê está por trás dela) é impedir a ascensão da civilização brasileira, com tudo o que isto possa representar para a mudança no eixo das relações internacionais e dos paradigmas de convivência. Contam com a ignorância do povo e com a manipulação das mídias. Mas não é somente na estupidez da massa ignara que está o perigo, é também e mais que nunca, no medo e no ódio, as negações de sempre ao amor. É a hora de rogarmos à grande Mãe para que ilumine a consciência e o coração do povo. O momento é mais que delicado.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Aviso-comunicado-sugestão

Como há algum tempo atrás mudei o design do blog, muitas postagens tornaram-se ilegíveis. É que, sendo antes negro o fundo, vários textos formatei em cores claras. Agora, com o fundo branco, essas postagens ficaram difíceis de se ler. A solução é eu ter a paciência de refazer todas.
Enquanto tal não acontece (se é que vai acontecer), uma sugestão e um pedido aos visitantes interessados: pode-se selecionar o que tiver por ali, que será possível a leitura.
Une bonne chance!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Provérbios gregos

16.45· Πόλλ' οἶδ' ἀλώπηξ, ἀλλ' ἐχῖνος ἓν μέγα.

Scit multa vulpus, magnum echinus unicum.

Muito sabe a raposa, mas o ouriço uma só ( a raposa tem muitos recursos, mas o ouriço só precisa de um: o espinho).

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Adolescentes e bárbaros

Deu o sinal. Deixo um pedaço de pau propositalmente colocado na sala em um local para ser encontrado não sem uma certa dificuldade. Também de propósito demoro a começar a aula. Finjo estar lendo alguma coisa enquanto igualmente finjo não ouvir os reclames do porquê eu não dava logo a aula. Pensava, com meus botões, que eu as vendia cada uma por alguma coisa em torno de quinze reais para salas de trinta alunos pelo período de uma hora. Eles rapidamente vão sentindo confiança de que não colocarei limites naquele dia e vão se expandindo. Os tons de voz vão se elevando. Os celulares começam a tocar os batidos funk de sempre. As meninas vão se abaixando nas imaginárias boquinhas de garrafas, enquanto os rapazes lambem os beiços ao redor.
O pedaço de pau ainda descansa no canto. Não visto e intocado.
Alguns rapazinhos começam a testar a testosterona com abraços um pouco mais violentos.
Eu continuo no meu fingimento, mas percebo que, afinal, alguém descobre o porrete em um canto. Redobro a atenção.
Ele se apodera do pau, firma-o nas mãos e já parte para experimentá-lo no mais desavisado. Antes do golpe, no entanto, tomo-lho.
E duvidam que estamos, ainda, helenizando.

domingo, 19 de setembro de 2010

Tom Waits

Recordar é viver?

Eis que nos últimos meses venho murchando. Não o murchar natural da vida, do envelhecer, que vai também ocorrendo, mas o murchar de uma morte menor. Uma das mortes em vida que todos somos obrigados a passar.
Mas, em verdade, nem sei eu em que morro. São coisas tênues, profundas, que se remexem no coração, difíceis de se identificar. Durante o dia, vêm-me inúmeras imagens, confusas, atropelando-se umas às outras, sucedendo-se sem nenhum critério de causa-efeito, que trazem-me lembranças fáceis, algumas, mas a maior parte de acontecimentos há muito esquecidos. Muitas dessas imagens não as consigo mesmo identificar. Talvez de outras vidas.
Haverá outra vida?
Um sorriso de mulher, crianças brincando junto à calçada, muros de velhas casas, a ramaria de algumas árvores balançando ao vento. Um velho vento soprando de algum antigo mar sobre um escuro e assombrado bosque de alguma ainda mais antiga vida. Por aquele bosque passava uma estradinha e, quando por ali se andava, o barulho de nossos passos podia nos assustar. Recordações de um tempo em que tudo era mais calmo e a vida transcorria lentamente.
A velha escadaria para a cidade alta em Vitória, na longínqua infância. A visão do porto e do velho penedo vistos lá de cima. Nuvens. A estrada antiga que ligava BH a Vitória e que passava por Santos Dumont, onde havia (e talvez ainda haja) o museu dedicado ao grande aviador. Lembranças desse museu que sempre me voltam. Uma aleia em flores, jardins, sombras dançando sobre o chão e sempre, sempre aquele escafandro que traz o terror à cena.
A manhã real de domingo vai. Está nublado o céu. Passarinhos cantam aqui e ali. Há um silêncio também. Há o velho vento que sopra. Há este texto confuso. Há o meu coração confuso. Há essas lembranças.
Uma carruagem faz uma curva sobre a estrada de terra. De dentro dela, alguém observa a paisagem que passa. Uma criança dorme embalada pelo sacolejo. Ao longe, uma casa grande sobre uma colina. Mais além, outras casas mais. Uma mulher que me abraça o pescoço, sorrindo, e me beija o rosto. Ela é feliz. O cachorro late. Também ele é feliz. Um passeio de cavalo, um lago, uma pescaria, um dia familiar perdido no tempo. As árvores, sempre as árvores. Por que, diferente de nós, elas se vão tornando mais belas quanto mais velhas se vão tornando? Um riachinho serpenteia pela mata. Borboletas flanam de um lado ao outro dele, poisando aqui numa flor, ali em outra. Besouros, libélulas, formigas, vespas, o bosque está vivo.
Eu estou vivo?
Em um velho canto de muro há um reboco caído. Não muito longe, há um outro muro, feito de pedra sobre pedra. Por detrás dele, um castelo. Que se passou ali? Houve um amor? Um crime? Talvez.
Numa certa rua em que morei, brincávamos todos os dias. Jogos de botão, futebol, rouba-bandeira, pique-esconde, pula-toco, finca em dias de chuva. Havia a velha igreja abandonada. Gostávamos de atravessar o quarteirão pelos telhados das casas. Vagávamos pelas ruas daquele bairro, lá na distante infância. Havia a escola. Ali, ainda há (estive lá) um velhíssimo ficus que me assistiu muitas correrias da infância. E também o primeiro beijo roubado.
Agora, um vento sopra pela janela. Uma porta bate.
Eu me pergunto se o sentido é só a experiência em si.

domingo, 12 de setembro de 2010

Atualizando

Passei por aqui para dar um alento ao blog. Cansado, naquele mesmo embate com a profissão e com a vida, tenho estado sem criatividade alguma. E sem desejo de escrever. Em vez do nada, o registro do nada.

domingo, 11 de julho de 2010

Um velho e bárbaro crime



A propósito do mais recente episódio da interminável violência contra as mulheres, que vai rendendo na nossa mídia, um texto excelente na "Carta Maior":

A solidariedade masculina vista no episódio é habitual, atingindo, igualmente, a um grande conjunto de mulheres que aceitam sem qualquer problema o machismo de seus parceiros. O sexismo é uma ideologia, não tem sexo, idade, cor ou classe social. Esta solidariedade explicaria a inação das autoridades que foram alertadas deste crime anunciado pela própria vítima, que registrou o problema em uma longa entrevista incriminadora dada à maior rede de TV do país e deu queixa às autoridades. Tudo isto faz com que se compreenda sua ingenuidade relativa de vítima traída por quem poderia ajudá-la: as instituições de Estado.

No meu trabalho, escutei algumas senhoras reproduzir o velho discurso misógino-cristão: _Mas, também , uma vagabunda, que fazia até filme pornô, tinha que dar no deu!

Estou para assistir um filme que baixei há pouco da internet, chama-se "Ágora". Trata-se da história de Hipácia de Alexandria, filósofa e cientista pagã que viveu por volta do ano 400 DC. Hipácia sofreu a perseguição da nascente igreja cristã, que a assassinou barbaramente. Foi destrinchada viva e, em seguida, teve as carnes e os ossos queimados para não restarem provas do crime. A igreja canonizou seu inquisidor e assassino.
O privilégio, no entanto, não é do fundamentalismo ocidental. Fanáticos muçulmanos apedrejam e enterram-nas vivas no velho oriente.
Os gregos, que tanto admiramos, roubavam-nas núbeis para vendê-las em mercados.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Lua e Júpiter
















Hoje, por volta de uma hora da madrugada.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Safo lírica




Por causa dessa lua de junho, por estar lendo um livro interessante sobre a lírica antiga e para vivificar o blog.

Outra vez as estrelas, em torno
à Lua bela, ocultam
suas luminosas figur[inhas] .
[Isto acontece sempre que]
Ela, toda cheia,
no auge [do firmamento]
vai prateando
a [obscura] Terra.

Na verdade, não tem tradução que não traia.

ἄστερες μὲν ἀμφὶ χάλαν σελάνναν
ἂψ ἀπυχρύπτοισι φάενον εἶδος
ὄπποτα πλήθοισα
                 μάλιστα χάμπη
γᾶν
           ἀργυρία

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Atualizando o blog

Hoje fui a um bar dançante.
Samba de raiz.
Bandinha boa, ambiente agradável,
belas mulheres.
Fazia tempo que não saia à noite.
Foi bom.
Vou sonhar com uma baixinha.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Provérbios gregos

 







Γλῶσσα βλάσφημος διανοίας κακής ἔλεγχος.

Lingua maledica improbe mentis argumentum.

A maledicência é a intenção canalha.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

domingo, 13 de junho de 2010

Experimentando


















O concurso para o qual estudava passou finalmente.Não o fiz. Simplesmente não fui lá. Acordei com mal estar. É que tem sido difícil digerir a vida. Não quis gastar o dia de hoje ruminando questões para disputar uma vaga com outros 450 candidatos. Dessa loucura não preciso. Ou apenas foi preguiça ou medo. Talvez.
O que amo é a arte e a literatura e estas tardes de outono nítidas e as copas das árvores e os diálogos que seus pássaros ali travam entre si.
Decidi que não quero morar em Brasília que também tem pássaros e árvores.
É que não posso abandonar a arte e, de alguma forma, é preciso manter a chama acesa.
Ainda que reste quase que só uma pequenina e tênue brasinha. Como aquela cena do filme "A Guerra do Fogo", em que o personagem principal assopra o que resta da chama, já apenas brasa e que, por fim, se apaga. Ando triste e só. E é tudo.
Talvez se apague a brasa, não sei.
Mais não sei fazer que assoprá-la.
Assim faço esta mudança no blog: assoprando.

domingo, 30 de maio de 2010

Gravuras para "Os Miseráveis"

Eis que o contingente maior de visitantes do blog é por conta de uma velha postagem que fiz após ler "Os Miseráveis". Foi uma análise mais ou menos longa mas despretensiosa; desconfio muito de minha capacidade. Mas o pessoal sempre passa por aqui atrás de alguma coisa sobre o livro. Uma coisa que me esqueci de postar, quando da ocasião, foi o link para a página na internet onde consegui as imagens que utilizei. Fica aí, são centenas de ilustrações para dezenas de edições:

http://www.pontauchange.com/Gallery/gallery.html

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Poema pequeno

Tenho tentado crer
no meu amor por mim
só nos poemas, fingindo.
Mas ao menos me obriga
ao exercício diário da
compaixão.
Tudo tão difícil anda:
saúde, profissão, amor...
tudo falta.
Como se faz hein?

terça-feira, 25 de maio de 2010

Variação para uma ode de Ricardo Reis

Que calma aflição
silencio!...mágoas!?...
te não quero.
Nem a mim,
que antes amo mais
se anchas
são a dor e a solidão.
Que cuidem de se querer!
Amo-te, pois em ti me vejo.
Não me amas,
não te vês em mim.
Estrangeiro sou.

terça-feira, 18 de maio de 2010

A caso Irã

Não passa de mais uma farsa protagonizada pelos Estados Unidos e seus lacaios europeus. O verdadeiro motivo das sanções é o interesse no petróleo do Oriente-Médio. A farsa seria ridícula, não fosse a tragédia de milhões de mortes no Iraque, Irá e Afeganistão.

Coisas do Brasil

Para renovar minha habilitação para direção de veículos automotores despendi algo em torno de 90 reais. Metade para a confecção da carteira e a outra metade pelo exame médico. A carteira é um pedaço de papel que, sob qualquer critério, jamais poderia custar 45 reais; só se fosse de folha de ouro. Os outros 45 reais que paguei pelo exame médico, que durou cinco minutos, eu gasto, para ganhá-los, duas horas e meia dentro de sala de aula com adolescentes semi-bárbaros.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Kerouac

my beloved who wills not to love me:
my life which cannot love me:
i seduce both.

she with my round kisses...
(in the smile of my beloved the approbation of the cosmos)
life is my art...
(shield before death)
thus without sanction i live.
(what unhappy theodicy!)

one knows not-
one desires-
which is the sum.

a translation from the french of jean-louis incogniteau*
allen ginsberg
*(kerouac translated by ginsberg)

minha amada que não quer me amar:
minha vida que não me ama:
Seduzo as duas.

ela com meus beijos redondos...
(no sorriso de minha amada a aprovação do cosmos)
a vida é minha arte...
(proteção face a morte)
assim sem sanção eu vivo.
(que infeliz teodiceia!)

que não sabe-
que deseja-
o que é o soma.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Futebol

Como não tem muito jeito nem de ler nem de dormir em dias de jogos como os de ontem, vou fazer uns comentários hoje sobre o futebol.
Há quarenta anos que torço para o Atlético. Foi meu pai que mo ensinou. Uma das muitas heranças ruins que o velho me deixou. Desculpe a franqueza, pai, donde quer você se encontre.
Digo ruim porque é um sonho impossível.
Faz mais de vinte anos que deixei um pouco de lado as agruras de torcedor fanático, daqueles de brigam por causa do time. Aqui em Minas, discutir com os cruzeirenses virou há muito uma palhaçada. Os torcedores do time da Toca conseguem ser ainda mais estúpidos que os alvi-negros pois demonstram sentir mais prazer nas derrotas do Galo do que nas vitórias de seu time.
Há uma elite no futebol brasileiro e o Galo nunca esteve nela. Minto, talvez ali entre 1970 e 1977.
Aliás, esse ano de 77 foi o marco de uma transformação sofrida pelo clube. Dali em diante foi construindo seu caminho rumo ao fracasso que o caracteriza desde então. Nunca mais se recuperou da derrota para o São Paulo.
Vou relacionar, sem muita preocupação de rigor com estatísticas oficiais e pode ser que não seja a mais correta, como entendo os times brasileiros.
A elite tem: Flamengo, Vasco, Corínthias, São Paulo, Palmeiras, Santos, Internacional, Grêmio e Cruzeiro, todos times com três ou mais títulos nacionais e internacionais.
Num segundo grupo vêm: Botafogo, Fluminense, Atlético Mineiro, Atlético Paranaense, Guarani, Bahia e Sport, todos uma vez campeões do campeonato brasileiro. Acho que alguns ganharam também a copa do Brasil.
No caso do Galo eu vejo um problema de natureza quase irreversível porque essencial. Se a gente pergunta qual é a essência de um time, as pessoas normalmente vão buscar o coração do time. Quase sempre elege-se para isso um jogador, mas pode ser também mais de um, ou um esquema, ou mesmo o técnico.
Mas não é. Jogadores, esquemas, técnicos vão e vêm. E o que fica?
A torcida, claro. É ela a essência do clube.
No caso do Galo a torcida é a grande responsável pelo seu fracasso.
Eu acho que tem a ver com uma certa burrice fanática de estar sempre apoiando o time, mesmo quando ele mostra não merecê-lo. E tem também um certo masoquismo. Excetuando-se os casos de influência familiar, quem decide torcer espontaneamente por um time perdedor só pode gostar de sofrer, né?
Então me parece que está entranhado na essência, no âmago do clube, o fracasso. É por isso que, mesmo tendo um time competitivo, só conhece derrota. É por isso ( e é claro que foi fundamental o auxílio dos juízes) as derrotas sofridas ante o Flamengo nos saudosos idos de Reinaldo e Cerezo. Aquele time era mais que competitivo e, ainda assim, escreveu a sina do perdedor. Foi para a panela.
Como ontem.
E aí ficamos posando de time grande face ao arqui-rival, que há muito nos deixou para trás.
Mas eles acham ótimo que nos comportemos assim:
Têm um rival à altura, na pose, para que possam se deliciar curtindo com a nossa cara, já que no campo não há rival algum, são infinitamente superiores.
E a Libertadores está aí para maiores divertimentos.
Já o campeonato brasileiro começa no Domingo para mais um sonho impossível da torcida do Atlético.
Mas está tudo no seu lugar: Vencer é o nosso ideal!

Ps. Não se enganem torcedores, o Luxa vai guardar a grana que vocês dão para no Mineirão e o Galo vai embora mais cedo como dita a tradição.
Não é culpa do Luxa, é claro.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Estudando muito

Resolvi dedicar parte de meu tempo útil ao objetivo de passar em algum concurso público. Como trabalhar dois turnos da rede de ensino sempre acaba por me estressar ou adoecer de alguma forma, decidi manter apenas o turno normal da tarde, ganhando o mínimo necessário, e utilizar o restante do dia para estudar matérias relevantes à maior parte dos concursos, quais sejam os direitos constitucional e administrativo, o português e a informática. Estou pensando em inscrever-me no concurso do INCRA, mas estou em dúvida se tento Brasília, onde a concorrência certamente será muito grande, ou Santarém, no Pará, onde haverá menos candidatos, mas traz o inconveniente de ser MUITO longe daqui onde está a minha família e minha mãe, que dada a sua idade, precisa da atenção dos filhos. Aliás, neste sentido, até Brasília é um complicador.
Mas estou mesmo precisando largar o magistério como já o disse algumas dezenas de vezes por aqui e em toda a parte.
Por isso este blog terá menos postagens do que já tem. Preciso me concentrar nos temas do concurso e o blog sempre me direciona para a literatura e as questões sociais.
Mas estarei por aí.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Greve dos professores em BH




Tanques e bicicletas - Escultura polaca em homenagem às vítimas do Massacre da Paz Celestial em 1989


Para encerrar a greve dos professores de BH aqui no blog (ainda aperece gente por aqui pelo google), quero somente dizer que a tão sonhada educação de qualidade e dignidade da pessoa humana de profissionais da educação, de alunos e comunidade só será alcançada quando nós, professores e agentes ontológicos da transformação da sociedade, tivermos a coragem e o brio de honrarmos nossos antepassados e não temermos governadores, cortes de salários, prefeitos e canhões.

Fora disso, tudo não passa de farsa e simulacro de luta.

Sejamos realistas: peçamos o impossível!

O PIG e como desviar o cometa em rota de colisão






















Casal de PIGs tentando proteger Serra da chegada do cometa

Como os anacrônicos demo-tucanos não conseguem entender que o tempo passa (e como está passando!), não deixam de apelar para os velhos institutos de pesquisas, das manipulações midiáticas, das criações infundadas de CPIs, do apelo aos amigos do judiciário, de provocar os militares, de criar incidentes diplomáticos, de culpar o governo Lula pelos fenômenos atmosféricos e de outras formas sujas mais velhas de guerra.

Só que o tempo passou.

E como está passando!

Eu, por exemplo, estou ficando velho e chato.

Não tenho bola de cristal, e mesmo regras seculares da ciência como as leis de Newton não garantem, no mundo em rápida mudança de hoje, que a inércia preserve o movimento de um corpo pesado no espaço vazio. Quero exemplificar: Um cometa, em linha de colisão com a Terra, poderá ser desviado pela ação heróica e espetacular de astronautas da NASA como o demonstram os filmes de Hollywood.

Mesmo Newton não poderia prever a qualidade e vigor do soldado norte-americano.

Mas o que eu quero mesmo ver, para ficar boquiaberto - e infinitamente arrasado é claro - é a vitória do Serra neste ano.

Aqueles astronautas vão ter de trabalhar muito.

domingo, 18 de abril de 2010

provérbios gregos de Miguel Apostolius















Jocelino Soares

1.56· Ἂει γεωργὸς ἐις νέωτα πλούσιος.

Agricola semper in futurum dives est.

A riqueza do plantador está na semente.

Odes de Ricardo Reis

Prazer, mas devagar,
Lídia, que a sorte àqueles não é grata
que lhe das mãos arrancam.
Furtivos retiremos do horto mundo
os depredandos pomos.
Não despertemos, onde dorme, a Erínis
que cada gozo trava.
Como um regato, mudos passageiros,
gozemos escondidos.
A sorte inveja, Lídia. Emudeçamos.

sábado, 17 de abril de 2010

provérbios gregos de Miguel Apostolius



7.53: Ἐι μὴ δύναιο βοῦν, ἔλαυν ὄνον.


Si nequeas bovem, asinum agito.

Se não podes com o boi, conduza o burro.

Mas eu já não dizia...




Mais no blog do Nassif

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Continuidades



Me lembro bem de ter ouvido essa música lá nos idos dos 80, no auditório do sindicato do bancários quando da exibição proibida do clássico "Muito Além do Cidadão Kane". Mautner foi chamado para fazer o show que servira como disfarce para a exibição do filme. E pensar que o sonho se tornou realidade. E vai se tornando. E vai se tornando...

É DILMA LÁ!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Greve em BH termina




















Os professores decidimos hoje, em assembleia, suspender a greve. Ficou resolvido, por pequena maioria, aceitar a proposta de 4,11% de reajuste oferecida pela PBH para ser pago em duas vezes. É ridículo, eu sei, parar quase um mês de trabalhar e aceitar uma proposta indecente dessa. Pedíamos 22,41%.
Vou fazer o concurso para o INCRA.

domingo, 11 de abril de 2010

Continuidades

















Formações rochosas próximas à Nova Venécia - ES



Parece que a dengue que peguei já passou. Foram longos e inesquecíveis sete dias. A semana começa com uma visita à junta médica na segunda, com uma assembléia da greve na terça para discutir uma proposta da prefeitura e com a visita da arquiteta representante do proprietário do imóvel onde moro para avaliar a casa. Estamos com esperanças de conseguir comprá-la.
Preciso fazer uma redação em francês e não posso bobear porque perdi duas aulas.
Volto a estudar o português e o direito constitucional para algum concurso possível.
Uma mulher que conheci e que não me mereceu mandei pastar.
Com o fim das chuvas voltam os silêncios das noites estreladas da nossa solidão aparente.

domingo, 4 de abril de 2010

Atualizando o blog

Blogueiro além de estar em um impasse com o proprietário do imóvel, está de greve há quase três semanas, tem o cachorro-melhor-amigo-de onze anos doente e, ele também, arranjou uma denguezita para embelezar a vida.
Para alguma coisa há de servir toda essa confusão.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A mídia golpista e a greve dos professores em SP













...O ditador José Serra não foi um único alvo dos protestos. Os manifestantes também criticaram, num gesto democrático e consciente, a cobertura manipulada da mídia “privada”, que sataniza os grevistas, jogando a sociedade contra os professores. A Folha Online até registrou o protesto, mas também de maneira distorcida. “Servidores hostilizam jornalistas em manifestação contra Serra”, foi o título da matéria. “Policiais militares tiveram de intervir e a equipe da TV Globo foi levada para uma base da PM na região”, descreveu a reportagem em tom terrorista.

mais aqui no blog do Miro.

A CONAE e a greve dos professores em BH














Enquanto, no encerramento da CONAE, o ministro Hadad defende a inclusão, no PNE - Plano Nacional de Educação - de uma mesa permanente de negociação e recuperação do piso nacional para o professor, o prefeito Márcio Laranja dá o golpe juntamente com o judiciário podre e diz que "não tem pressa para negociar". É importante que o povo saiba que este prefeito não se interessa pela educação de seus filhos.
Ao vivo o encerramento aqui.

Ps. Lula diz que "democracia não é um pacto de silêncio, mas sim um contexto de múltiplas manifestações e opiniões da sociedade". É uma boa mensagem ao prefeito Laranja que proibiu as manifestações em praça pública em Belo Horizonte.
Ele, o laranja, deve estar com saudades da ditadura...

quarta-feira, 31 de março de 2010

Greve dos professores em BH

















Como eu havia previsto, a podridão que emana do nosso judiciário já estende suas garras fétidas para nos prejudicar. Conforme se pode ler na página do sindicato, há uma ação judicial orquestrada entre a prefeitura e um desembargador do Tribunal de Justiça que já determina o fim da greve sob pena de pesada multa. É claro que, tanto quanto a proibição de manifestarmo-nos em praça pública, essa nova determinação é inconstitucional. Não entendo como estamos acatando uma lei municipal que fere direito líquido e certo protegido pelo texto da carta magna. Aliás, fiz hoje uma pergunta no site do sind-rede sobre a questão. Vamos aguardar a resposta.

A mídia e o golpe de 64

É muito importante a conscientização do que representam os principais grupos midiáticos brasileiros.

Altamiro Borges:

Mídia clama pelo golpe militar no Brasil

Quinta-feira, 1º de abril, marca os 46 anos do fatídico golpe civil-militar de 1964. Na época, o imperialismo estadunidense, os latifundiários e parte da burguesia nativa derrubaram o governo democraticamente eleito de João Goulart. Naquela época, a imprensa teve papel destacado nos preparativos do golpe. Na sequência, muitos jornalões continuaram apoiando a ditadura, as suas torturas e assassinatos. Outros engoliram o seu próprio veneno, sofrendo censura e perseguições.

Nesta triste data da história brasileira, vale à pena recordar os editoriais dos jornais burgueses – que clamaram pelo golpe, aplaudiram a instalação da ditadura militar e elogiaram a sua violência contra os democratas. No passado, os militares foram acionados para defender os saqueadores da nação. Hoje, esse papel é desempenhado pela mídia privada, que continua orquestrando golpes contra a democracia. Daí a importância de relembrar sempre os seus editorais da época:

O golpismo do jornal O Globo

“Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares que os protegeram de seus inimigos. Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais”. O Globo, 2 de abril de 1964.

“Fugiu Goulart e a democracia está sendo restaurada..., atendendo aos anseios nacionais de paz, tranqüilidade e progresso... As Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a nação na integridade de seus direitos, livrando-a do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal. O Globo, 2 de abril de 1964.

“Ressurge a democracia! Vive a nação dias gloriosos... Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas que, obedientes a seus chefes, demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições. Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ter a garantia da subversão, a ancora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada”. O Globo, 4 de abril de 1964.

“A revolução democrática antecedeu em um mês a revolução comunista”. O Globo, 5 de abril de 1964.

Conluio dos jornais golpistas

“Minas desta vez está conosco... Dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma parcela mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições”. O Estado de S.Paulo, 1º de abril de 1964.

“Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou, o Sr João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu”. Tribuna da Imprensa, 2 de abril de 1964.

“Desde ontem se instalou no país a verdadeira legalidade... Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas”. Jornal do Brasil, 1º de abril de 1964.

“Golpe? É crime só punível pela deposição pura e simples do Presidente. Atentar contra a Federação é crime de lesa-pátria. Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, desordem social e corrupção generalizada”. Jornal do Brasil, 1º de abril de 1964.

“Pontes de Miranda diz que Forças Armadas violaram a Constituição para poder salvá-la”. Jornal do Brasil, 6 de abril de 1964.

“Multidões em júbilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do estado e chefes militares. O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade”. O Estado de Minas, 2 de abril de 1964.

“A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento”. O Dia, 2 de abril de 1964.

“A paz alcançada. A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil”. O Povo, 3 de abril de 1964.

“Milhares de pessoas compareceram, ontem, às solenidades que marcaram a posse do marechal Humberto Castelo Branco na Presidência da República... O ato de posse do presidente Castelo Branco revestiu-se do mais alto sentido democrático, tal o apoio que obteve”. Correio Braziliense, 16 de abril de 1964.

Apoio à ditadura sanguinária

“Um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social – realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama”. Folha de S.Paulo, 22 de setembro de 1971.

“Vive o País, há nove anos, um desses períodos férteis em programas e inspirações, graças à transposição do desejo para a vontade de crescer e afirmar-se. Negue-se tudo a essa revolução brasileira, menos que ela não moveu o país, com o apoio de todas as classes representativas, numa direção que já a destaca entre as nações com parcela maior de responsabilidades”. Jornal do Brasil, 31 de março de 1973.

“Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada”. Editorial de Roberto Marinho, O Globo, 7 de outubro de 1984.


domingo, 28 de março de 2010

Imprensa e compromisso com a verdade?



















Quando o presidente Lula reclama da imprensa, como o fez recentemente na sua projeção futurista de um estudante que, daqui a trinta anos, fizesse uma pesquisa nos tablóides de hoje e, lamentavelmente, só leria ali mentiras, esquece que a imprensa nunca foi muito diferente disso não. Já nasceu comprometida com interesses.
Da mesma forma como hoje alguém pesquisa sobre a revolução francesa, e se atraca com os textos de Marat, Hébert ou Camille Desmoulins no L'amie du peuple, no Père Duchesne ou no Vieux Cordelier respectivamente, e vai tentando descobrir ali não apenas onde estava a mentira, mas também discorrer sobre os talentos de cada um para desvirtuar ou inventar verdades que servissem aos seus propósitos (ainda que nem mesmo eles soubessem quais o fossem), terá o nosso estudante um certo trabalho.
Não quero aqui equiparar a fera Marat com o idealista Desmoulins.
O que questiono é a forma com que se dá a ação jornalística. Se Marat era essencialmente mal intencionado e se, com suas palavras impressas e faladas, foi, conscientemente, a perdição de milhares, Desmoulins também fez suas concessões à mentira, pondo também vidas a perder. Diferentemente de Marat, arrependeu-se amargamente antes de morrer.
Amargamente no sentido que lhe deu Vieira.
Isto é língua e pena que matam, afinal.
E ainda que eu me alie com blogs como o do Paulo Henrique Amorim, não posso deixar de reconhecer que ele sabe muito bem como manipular os dados para atacar aqueles de quem não gosta, como o governador de São Paulo, a quem também não aprecio: Bye-bye Serra 2010!
O que quero dizer é que jornais têm donos, que têm interesses e jornalistas são empregados. Eles todos, quando o querem, manipulam os fatos.
Mesmo os chamados independentes, esses, manipulam por ideologia pessoal.
Temos que os ler nas entrelinhas.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Greve dos professores em BH

















A gente, professores da rede pública de BH, resolveu, em Assembléia que contou com aproximadamente 800 pessoas, entrar em greve. Eu não estava predisposto a aderir ao movimento, mas resolvi, pela última vez, sondar o embate com o governo. E vamos até o dia 23 quando da próxima assembléia. Somos algo em torno de 10.300 professores e aí se pode ver a diferença entre os que param o trabalho um dia para discutir os problemas da categoria e aqueles que aproveitam para resolver os problemas pessoais ou simplesmente dormir mais um pouco e ver tv.

A questão da greve da educação é complexa eticamente e juridicamente mal regulamentada. O provável é que, se o movimento engrossar suas fileiras, o judiciário mazelento decretará sua ilegalidade. Poder-se-ia valer o nobre juiz do TRT, para fundamentar sua decisão, da fala de uma minha aluna, que perguntou depois de eu ter lhe dito que estava em greve: Mas o que que a gente (os alunos) temos com isso? Por que jogar contra a gente? Não sei coleguinha, respondi-lhe, boa pergunta. Mas o que a gente (os professores) podemos mais fazer para melhorar as condições de trabalho e sair do estado de escravização em que se encontra? Tem muitos que trabalham 60 horas semanais...

No meu caso, que tenho apenas oito anos de magistério, e que me faltam ainda longos quinze ou mais anos para a aposentadoria, posso tentar (como vou fazer) um outro concurso público. Mas e os colegas (e são muitos, a maioria) que faltam-lhes poucos anos para aposentar? O que lhes resta senão lutar por melhores condições (inclusive para enfrentar a velhice) ou resignar-se. Muitos optam pela segunda alternativa. C'est la vie!

Só sei que algo preciso fazer para mudar minha vida porque já faz algum tempo que parei de sonhar.

terça-feira, 16 de março de 2010

Astrologia sub-reptícia

O conhecido astrólogo Quiroga, que escreve suas profecias diárias para a Folha de São Paulo, parece que está mais interessado em imiscuir-se nas opiniões de seus leitores, do que em interpretar as energias dos astros ou do Altíssimo como ele mesmo chama. E essa imisção, naturalmente, visa a formar opiniões favoráveis à ideologia e interesse do patrão.

Cuidado, astrólogo, pois o trabalho sagrado dos vates quando a serviço da pena que mata e não do espírito que vivifica pode trazer transtornos quando não de ordem moral, mas também de algum dano físico, pois que de muito olhar para o céu - ou para a conta bancária - cai por aí em algum buraco por falta de atenção à terra.

A PROMOÇÃO DA RIVALIDADE.
Data estelar: Sol e Mercúrio em conjunção com Urano; Lua Nova transita pelo signo de Áries.
A idéia de desprezar o que veio antes para valorizar o atual não é nada brilhante, revela insegurança e limitada inteligência. É comum ouvir acusações contra governos anteriores, como se tudo de errado tivesse sido feito antes e só agora se acertasse. Também é comum, por exemplo, elevar acusações contra o imperialismo estadunidense, mas sob um olhar mais sincero, deveríamos agradecer o povo americano por ter ensinado ao mundo como se faz a experiência democrática de convivência das marcantes diferenças raciais e sexuais. A promoção da rivalidade não senta as bases de uma perspectiva democrática em nosso planeta Terra, pois colocar uns humanos contra outros é caldo de cultivo para as malfeitorias travestidas de justiça.



E então cara pálida, quer dizer que uma eleição não é uma disputa entre correntes que defendem pontos de vista diferentes? Uma disputa que pode, sim, ser saudável e democrática? Quer dizer que para fazer uma escolha entre candidatos e suas propostas e interesses que representam não tenho eu de comparar suas histórias pessoais e dos grupos com os quais se alinham para projetar, assim, a minha visão do que podem fazer no futuro? Quer dizer que tenho apenas que olhar para o futuro, simples assim? Acho que ouvi outro dia essas mesmas palavras na bocas de certos governadores de estado.

Chamar a Lula de pouco inteligente revela o preconceito típico da elite que aí se encontra e que está, irremediavelmente, perdida, sem rumo. Todos os fatos apontam em direção contrária. O cara é respeitado por gregos e troianos e fez uma revolução no país. Comete erros? sim, como qualquer um. Temos também ainda muito o que consertar e em oito anos creio que o presidente fez muito mais do que esperávamos possível. Acusá-lo de burro é pura maledicência fadada ao fracasso.

E são mesmo os norte-americanos exemplos de convivência racial e sexual? A Kukluxkan e o Buttman que o digam. Vamos celebrar as centenas de bases americanas pelo mundo afora e a democracia e os golpes de estado que representam! Talvez, quem sabe, sejam inspiradas na pax romana de Augusto...Eu gosto de Whitman, mas o futuro que ele cantou não tem muito a ver com o que Tio Sam se tornou. Esse pessoal, sempre que há alguma diferença entre o Brasil e os Estados Unidos, defende o ponto de vista americano! Esse cara é argentino ou yankee? Brasileiro vê-se que não é.

Colocar uns humanos contra outros é o que você também anda fazendo, adivinho.

Cuidado, astrólogo, que não vais vendendo a pena ao diabo!

Eu não gosto de comentar a maledicência da oposição. Acho que se deve deixá-los ladrar até cansar. Mas estava precisando atualizar o blog.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Uma ode






















Atrás não torna, nem como Orfeu, volve
sua face, Saturno.
Sua severa fronte reconhece
só o lugar do futuro.
Não temos mais decerto que o instante
em que o pensamos certo.
Não o pensemos, pois, mas o façamos
certo sem pensamento.

Odes de Ricardo Reis.

Atualizando o blog













(Ilustração para edição d "Os Miseráveis")


Sem ter o mais que dizer, envolto com a busca de uma casa nova para morar, trabalhando dois turnos, com a velha crise existencial que me caracteriza, vou sem tempo ou espírito para escrever no blog.

Nem os sonhos cada vez mais constantes servem de mote.

A poesia a Musa afastou de mim.

Continuo com as leituras que é o que me sustenta no conflito diário da sala de aula, nas relações familiares sempre difíceis, nas possibilidades de amor que surgem e me metem medo, no drama humano, enfim, cada vez mais confuso.

Ou não, vai que tudo se clarifica.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O trânsito brasileiro

No sábado passado, voltando de uns dias de férias no litoral norte capixaba, escapei da morte por um dedo de Deus talvez. Mas não escapei de presenciar uma das cenas mais chocantes de minha vida quando o grupo de carros que se adiantou a mim na ultrapassagem de alguns caminhões se envolveu em um medonho acidente com uma carreta que vinha em sentido contrário. Só não estava eu no mesmo grupo porque o motorista do caminhão que se encontrava à minha frente não me permitiu a ultrapassagem. Agradeço-lhe meu amigo!

O acidente foi próximo à cidade de São Gonçalo do Rio Abaixo, logo após passar por Monlevade, a 80 km de BH.

Após passarem a cidade de João Monlevade as rodovias federais Brs 262 e 381 se encontram e seguem juntas para Belo Horizonte num trecho de 100 kilômetros somente de curvas e sem duplicação. Há uma quantidade imensa de caminhões, sendo pois o trecho um afunilamento do tráfego dos eixos São Paulo-Bahia e Espírito Santo-Oeste de Minas e de seus inter-cruzamentos. Todos os dias morre-se ali.

É simplesmente uma loucura.

Os gritos de desespero dos que estavam presos entre as ferragens os escuto até agora, juntamente às imagens. Em especial a de um braço que pendia na janela de um dos carros que ficou inteiramente esmagado pelas rodas da carreta.

Pavoroso.

Não parei para dar socorro pois aqueles que chegaram instantes antes de mim já o estavam fazendo e a coisa já se ia tornando numa pequena confusão de carros parando, gente correndo, gritos, desespero, mas também e principalmente é claro, solidariedade. Segui por alguns quilômetros e parei em uma lanchonete para beber uma água e me acalmar. Fiquei muito emocionado.

Morreram ali até onde sei aquelas duas pessoas que foram esmagadas. Tiveram morte rápida. Houve feridos que ficaram presos por horas nas ferragens, um horror. Ao menos resta talvez o consolo da morte instantânea, sem sofrimento.

Mas sei lá, será mesmo um consolo? Aquele breve segundo deve ser por demais aterrador e é o que se leva de imediato para o outro mundo se tal existir. Não será uma boa lembrança. E além do mais dá-se adeus ao mundo, que ainda com suas mazelas não deixamos de amar.

Quão efêmera e insignificante é a vida...

domingo, 31 de janeiro de 2010

Ainda a estrela

















Cheguei ontem de viagem. Estive em Itaúnas, no norte do Espírito Santo. Gostei muito do lugar. Há belas praias com muitas dunas de areia. Há um certo sossego e, em janeiro, um turismo de famílias. Há deliciosos frutos do mar - um tanto caros é verdade - Há o delicioso albergue da Dona Adalzina onde fiquei - depois coloco mais fotos - Há o vento gostoso que sopra o tempo topo de nordeste e aplaca um pouco o forte calor. Há as belas e saudáveis morenas do lugar. Há as águas quentes do mar e de um rio que deságua não muito longe da vila - mas precisa ter disposição para andar ou ir de carro - Há uma formidável cultura popular, do ciclo das janeiras, em homenagem a São Sebastião e São Benedito. No vídeo que acompanha esta postagem, feito pela câmera do celular, temos um dentre os muitos grupos de Reis de Boi que se apresentam durante o período de festas. É o grupo de Mestre Lino. O auto se compõe de uma sucessão de momices desenvolvidas pelo "homi", que é um mascarado que, durante uma entrevista com a "dona da casa", vai apresentando o seu cortejo de bichos, que são figuras mascaradas e bonecos habitados. Tudo com uma boa pitada de sacanagem. Simplesmente hilariante. Neste vídeo que sucede ao "bicho ti come" tem a "mulé". Consiste num mascarado vestido de mulher que, após dançar com o "homi", isto é, o marido, e de dar-lhe alguns safanões, sai pela audiência tentado agarrar os desavisados. É engraçadíssimo! Um deles fica com tanto medo que simplesmente sai correndo da praça. As crianças vão ao delírio. E nós adultos também. Depois falo um pouco mais sobre a viagem, onde nem tudo foram flores.

video

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Sobre a estrela

Amanhã cedo faço uma viagem. Vou para onde nunca antes fui. Vou desbravar. Vou só no carro.
Alguns dias para o tão saudoso e querido mar: Praia, calma, céu estrelado, 700 km no volante, incerteza.
Espero chegar, curtir e voltar.
Depois falo mais sobre isso.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Poema chato redundante

Não há controle de nada.
Não há, não há, não há.
Não há nada de controle.
Simplesmente não há.
Nenhum-zinho controle
de nada.
Não há controle.
Não tem mesmo controle.
Acreditem: não há
nenhum controle
de nada.
Carpe diem!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Conta para ajuda aos haitianos

Caixa Econômica Federal
Ag 0647
Operação 003
C/C 600-1
PNUD - Haiti

Mia informações aqui.

O cataclisma














Una es de los mortales y los Númenes
La estirpe original;
Una la madre de ambos; mas sepáranos
Fortuna desigual.
Polvo es el hombre: inmóvil en su asiento
De bronce, permanece el firmamento.

Una chispa nos queda (aunque disímiles)
De La Divinidad.
Índole celestial, grandioso el ánimo,
En el hombre admirad,
Si bien camina á tientas á la meta
A que el Hado llevar su pie decreta.

...

(Oda sexta - Nemeas - Píndaro)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Provérbios gregos e latinos - para o Haiti


Ἀνάγκῃ οὐδὲ Θεοὶ μάχονται.

Necessitati nec Dii repugnant.

Com as coisas da vida nem os Deuses.

Leituras - Horácio

















Musa e cítara


Não tenhas pudor de amar uma ancila,
ó Xântias da Fócida, outrora, a serva
Briseis excitou, com sua nívea cor
o insolente Aquiles.

Horácio

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

As táticas do poder














O Paulo Henrique Amorim fez uma postagem, repercutindo um comentário em seu blog, conclamando as pessoas a protestarem junto à Anatel contra o Boris Casoy e a Rede Bandeirantes de Televisão. A idéia é interessante pois transcende o episódio (ocorrido recentemente, onde o Casoy desdenha dos garis) e tenta atingir mais incisivamente as mídias golpistas, anti-populares e anti-patriotas do Brasil.
Mas vejam o que acontece quando a gente tenta entrar no site da Anatel: Kakakaka!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

As Nuvens de Magalhães















Quando criança, mesmo na cidade, sempre reparava e me assombrava com as Nuvens de Magalhães ao olhar o céu. Naquele tempo, parece, a cidade ainda não era tão iluminada. Mas não sou tão velho assim, as mudanças tecnológicas é que voam.
Hoje é impossível vê-las nos céus das grandes cidades. Aqui em BH a Cemig não deixa. A eletricidade é inimiga da astronomia.
Com os binóculos tive muito trabalho para encontrá-las como pequeninas manchas claras sobre o vazio escuro. Para quem não sabe, são duas galáxias satélites da Via Láctea. Praticamente só são visíveis no hemisfério sul, estando entre os objetos mais distantes vistos a olho nu.
Em melhores condições daria para ver as inúmeras nebulosas e conglomerados abertos dentro das Nuvens.
Por essas razões poéticas e outras de natureza mais material é que vou acabar mesmo me mudando para longe da cidade, pagar o preço da distância e ganhar em troca um verdadeiro céu estrelado.
Com as bênçãos de Urânia.

Provérbios gregos