segunda-feira, 23 de maio de 2011

140 anos da Comuna de Paris


Gostaria de saber quem é o autor desse trabalho, que com certeza foi inspirado em Goya e ambos nas atrocidades do exército francês. O muro, talvez, seja um dos muros originais onde parte dos comunardos foi fuzilada. Ou talvez sejam apenas os blocos de pedra, que foram removidos e aproveitados. Observa-se, se olharmos com atenção, os buracos de bala. Ou talvez seja tudo mímese mesmo. Mas achei tocante demais essa mulher, de braços e peito abertos - um dos seios nus - no auge do orgulho e coragem, como que a tentar, inutilmente, proteger quem lhe estivesse atrás e, ao mesmo tempo, dizer, num mutismo gritante, o quão covardes eram aqueles por detrás das baionetas e o quão maior éramos nós. 


E aqueles rostos apagados, tênues memórias, como espectros de alguma forma ainda vivos a relatar, a dizer e a mostrar aos que passam: Vejam o quê a nossa bela humanidade gosta de, quando em vez, praticar a si mesma.


domingo, 15 de maio de 2011

Galo

Galo é galo. De como um suposto time grande tem a 'sabedoria' de manter um jogador como Renan Oliveira há anos em seu plantel e de como o suposto 'um dos grandes' espera soluções de um Magno Alves.

E um dirigente inútil e falastrão.

E de um treinador e de uma torcida que nunca veem nada.

O atlético é um enunciado em extinção.

Ou nunca vai passar de timinho.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Bilitis



O Vestido Rasgado

_ Arre! Quem foi o insolente que pisou meu vestido?

_ Um apaixonado.
_ Um tolo.
_ Fui desastrado. Perdoa-me.

_ Imbecil! Meu vestido amarelo está todo rasgado atrás. Se eu andar assim pela rua, vão me tomar por uma moça pobre que serve a Kypris inversa.

_ Não vais parar?
_ Acho que ele ainda está falando comigo!
_ Vais embora assim zangada?... Não respondes? Ai de mim, não me atreverei mais a te falar.

_ Preciso ir para casa trocar o vestido.
_ E não posso te acompanhar?
_ Quem é teu pai?
_ É o rico armador Nikias.
_ Tens belos olhos. Perdoo-te.


(Pierre Louys - As canções de Bilitis)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Hoje

Hoje, num pensar de morte
e paz e solidão,
da janela do carro os infinitos
morros de BH e o
céu descarnando em
nuvens e rosas e em
amarelos-lilases
de cachos do sol
fixaram bem o tempo
e o espaço em mim.
Eu estava vivo.

Provérbios gregos