
Sobre essa história toda de crise, lembrei-me de duas coisas. De Criseida, a filha de Crisis, sacerdote de Apolo. Agaménon tomou a moça como escrava, o que provocou a ira de Apolo, que lançou uma praga entre os gregos. Aquiles sugere que se lhe devolvam a filha. Agaménon, o líder do exército grego, concorda. Mas como compensação decide tomar a escrava de Aquiles, Briseida (filha de Brisis). Em uma das passagens mais belas da Ilíada, o guerreiro cruel senta-se a beira-mar e chora a perda da amante. Com esse argumento Homero começa o poema épico mais famoso da literatura:
"Canta-me, ó deusa, do Peleio Aquiles
A ira tenaz, que, lutuosa aos Gregos,
Verdes no Orco lançou mil fortes almas,
Corpos de heróis a cães e abutres pasto:
Lei foi de Jove, em rixa ao discordarem
O de homens chefe e o Mirmidon divino."
Mas francamente, quem tem medo de Guimarães Rosa é porque não conhece Odorico Mendes, que é o dono de uma das mais antigas traduções para o português do poema Homérico; essa aí de cima. Chamou-me a atenção a imagem do verde adjetivando os heróis. Não sei de onde ele tirou esse verde. Não há nada disso no original. Mas é certo que os gregos associavam o verde, mais especificamente o verde-amarelado, à palidez e à morte. Mas a palavra para esse verde - chlorós - não consta dos primeiros versos da Ilíada. Há uma outra tradução, que ando procurando e que está fora de catálogo, de Carlos Alberto Nunes. Estou aguardando a resposta de um sebo onde parece que há um exemplar dela. Vamos ver. E eu continuo com meus helenismos, que comento aqui no blog porque não tenho mesmo ninguém para conversar sobre. Mas a gente vai vivendo.
A outra coisa que a crise me lembrou vocês já advinharam. É o disco de Supertramp que vocês podem ver na imagem acima.
Crise, que crise?
Josaphat, queria aprender grego. Numa época me inscrevi num curso de latim, frequentei tipo um ano, aí adoeci e não continuei. Tinha vontade de retomar uma língua antiga. Bacana viu.
ResponderExcluirBete querida,
ResponderExcluiro curso de extensão em grego clássico, aqui na UFMG, é bem barato por causa da pouca procura. Há o gasto com a gramática e o dicionário. A maioria dos textos originais encontra-se para download na internet. Há também alguns cursos online, como esse
didascalica
em português em que você pode experimentar o seu interesse. Estou certo que em SP não haverá dificuldades em encontrar extensões universitárias onde estudar o grego. Você pode também assistir às aulas como ouvinte sem pagar nada. Seria ótimo uma interlocutora. :)
abraço.