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sábado, 4 de julho de 2009

Le Notti Bianche















Um filme belíssimo. Direção de Luchino Visconti. Com Maria Schell, Marcello Mastroanni e Jean Marais. Todo rodado em estúdio. Visconti mandou reconstruir um bairro da cidade de Livorno, inclusive com seus canais, para a filmagem. O cenário e a fotografia (preto e branco) são simplesmente magníficos. O roteiro é baseado no conto homônimo de Dostoievsky: Noites Brancas em português. Todas as cenas são noturnas. O enredo é simples: Mario, homem pobre, recém chegado à cidade de Livorno para trabalho, é triste e, praticamente, só convive com a família do patrão. Em uma noite, em que vaga solitário pelas redondezas, conhece Natalia e se apaixona por ela. Natalia não corresponde ao amor, pois já está enamorada de outro, mas dedica-lhe uma amizade. O outro, a quem Natalia ama, está ausente e a trama toda gira em torno de seu retorno. Enquanto tal não acontece, Mario tenta conquistar Natalia.
Aqui, no blog do Leandro, ele faz uma bela resenha.

Filme de arte, sensível, para almas sensíveis. Altamente recomendado.

Ah velho Fiodor e suas loucas mulheres, como deves ter tu vivido para poderes engendrar tantas Natalias e Nastacias e Aglaias e Grushenkas! Diz-se mesmo que eram todas uma só.

Agora tenho que ler o livro.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Os livros de 2008

Entre os livros que li durante o ano que se finda, quero fazer uma pequena, mas significativa, lista dos que considerei os melhores. Devo ter lido uma média de quatro livros por mês. São os seguintes, sendo que alguns trazem os links dos modestos comentários que fiz sobre eles:

Madame Bovary, de Flaubert, foi um livro belo, um excelente livro. Considerei-o um clássico.
A San Felice, de Dumas Père, que me custou mais de um mês para percorrer suas 1800 páginas, também foi um livro tocante, como a maioria do autor francês.
A feiticeira, de Jules Michelet, curioso e difícil que precisarei reler para compreendê-lo melhor.
O Homem que ri, de Victor Hugo, um livro muito triste.
E, os três mais importantes, daqueles que mudam alguma coisa na alma da gente, ainda que se não perceba:
O Idiota, de Dostoievsky, uma maravilha, emocionou-me profundamente.
Os miseráveis, também de Victor Hugo, cujo protagonista só está a um passo atrás de Jesus, se é que não caminha ao lado dele.
E Memórias de um médico (1,2,3,4), também de Dumas Père, uma coleção de várias livros, todos interligados numa epopéia de mais de vinte anos da história de França, contando ao todo quase 5.000 páginas, onde desfilam inúmeros personagens, os quais não esquecerei nunca. Ou pelo menos perto disso.

Ano que vem, se conseguir realizar os planos, quero estudar francês com mais profundidade do que a gramática que comprei, continuar com a franco-literatura, pois ainda faltam muitos livros de Dumas (reler Os três mosqueteiros, Vinte anos depois e alguns outros que ainda não li, tais como A rainha Margot, O Visconde de Bragelone, Luis XIV e seu século, O cavaleiro de Harmental, entre outros), de Victor Hugo (A Notre Dame de Paris, O último dia de um condenado, entre outros), de Balzac, Eugene Sue entre outros.
O interesse pela literatura francesa vem das vidas passadas, é claro, marcadas ainda pelo sobrenome e por devaneios difusos da alma. Não precisam acreditar nisso.
Quero também, atacar um pouco a literatura brasileira do século dezenove, principalmente Machado e Alencar. Todos, é claro, empréstimos da biblioteca pública. Comprar, só as raridades.
Os livros de autores contemporâneos, não os desprezo, mas é que a maioria tem que ser comprada, pois demoram a aparecer nas estantes da Luis de Bessa os poucos que ali chegam.
Tudo planos, talvez quimeras, como o amor...

domingo, 3 de agosto de 2008

Um livro - O Idiota, Fédor Dostoiévsky






















Acabei de ler O Idiota, de Dostoiévsky - ed. 34, tradução de Paulo Bezerra, direta do russo. É um livro que entrou para aquela minha galeria de livros terríveis. Esse tipo de livro, geralmente, me obriga a uma leitura compulsiva e sem pausas. No entanto, tive de interrompê-lo no final da segunda parte por cansaço, mas principalmente, para me permitir uma digestão do volume de sensações e imagens que o romance traz. Há muita coisa nesse livro.
Os livros terríveis são aqueles que me jogam a alma no desassossego e em um sentimento de angústia e de solidão. Mas também me colocam em contato com a sublimidade da vida.
É o quinto livro que leio de Dostoiévsky, sendo o primeiro “Humilhados e Ofendidos” - que é o que mais gostava até ontem – depois “O Jogador”, seguidos por “Crime e Castigo” e “Os Irmãos Karamázov”. Todos terríveis.
A história de “O Idiota” gira em torno de dois dentre os mais fascinantes personagens que já vi: o bom e puro príncipe Míchkin e a irremediavelmente perdida e cindida Nastácia Filíppovna. No final do livro, Dostoiévsky, com sua pena mágica, nos apresenta uma cena que, confesso, talvez seja a principal razão de meu desassossego. Cena trágica, terrível e de difícil assimilação.
“O Idiota” é, seguramente, um daqueles livros que, se a vida o permitir, deve-se ler várias vezes.

Há um ebook na internet, em português, da tradução de José Geraldo Vieira, em PDF aqui.
Ou aqui em DOC.
Ou compre o livro.

Um exemplo trágico, mas belo. Magnífico, mas triste. A mulher cindida, a santa e a puta. Talvez o único sentido desse livro seja por si mesmo. Talvez os dramas e tragédias dessa vida só sirvam mesmo para isso, para se fazer arte. Se há algum outro sentido em tudo isso, alguém mo diga. Se não fosse assim, melhor seria jogar livros como esse fora. E como teria Michkin dito: A beleza salvará o mundo.

O idiota

"- Quem manda aqui ainda sou eu. Se me der na veneta ainda o ponho para fora aos pontapés! E ainda está com o dinheiro, hein? Tire a mão desse embrulho aí em cima da mesa. Dê-mo. Neste pacote tem mesmo cem mil rublos? Credo que embrulho horrendo! Mas que é que tu queres, Dária Aleksiéievna? Achavas então que eu deveria me casar com o outro. com o príncipe? (Apontava para Míchkin.) Querias que eu me arruinasse com ele? O coitado necessita é de uma aia! Como pode ele casar? Ali o general bem podia ser a ama dele. Repara: não o quer largar. Olhe, príncipe, eu, sua ex-noiva, agarrei o dinheiro. Sou ou não sou uma mulher ordinária? E era com uma mulher assim, príncipe, que desejava casar? Mas... que é isso? Está... chorando?! Ficou triste? Ora, ria como eu.
- E ao dar este conselho não pôde Nastássia Filíppovna evitar que duas grandes lágrimas lhe deslizassem pelo rosto abaixo. - Confie no tempo, que tudo faz passar. É preferível refletir dobrado agora do que mais tarde sem parar... Mas vocês todos deram agora para chorar? Pois não que Kátia também está chorando? Que é isso, Kátia? Vou deixar um presente para você e outro para Pácha. Não pensem que me esqueço de vocês, não. E agora, Kátia, volte para os seus. Fiz uma rapariga honesta como você perder o seu tempo com uma mulher ordinária como eu... Pois, príncipe, a falar verdade, é melhor assim, muito melhor. Mais tarde se arrependeria, príncipe, e não seríamos felizes. Não adianta jurar; sei que me desprezaria! E como tudo viria a ser estúpido, depois... Não, mais vale nos separarmos como amigos, pois não daria certo. Teria sido um sonho, nada mais. Não sonhei eu com príncipe? Claro que sonhei! Sim, sonhei, há muito tempo, quando morei solitária durante cinco anos, naquela casa de campo em plena estepe. Outra coisa não fazia eu senão pensar e sonhar... sonhar e pensar. Imaginava sempre alguém como o meu bondoso Príncipe Míchkin, correto e direito, e ao mesmo tempo tão ingênuo que não cessaria de proclamar diante de toda gente: “Por que censurar-te, Nastássia FiLíppovna? Em quê? Por quê? Eu... que te adoro!” Era hábito meu devanear assim. E tanto, tanto... que, quase perdi o juízo. E eis que vinha sempre aquele homem, quedava-se dois meses por ano, e me trazia o quê? Vergonha, desonra corrupção, degradação, posto o que, se ia embora. Como podia eu suportar aquilo? Milhares de vezes me vinha a tentação de me atirar na represa: mas tão pobre criatura era eu que nem coragem para isso me sobrava... Mas agora... Rogójin, você está pronto. Então vamos!!!"





Provérbios gregos