sábado, 19 de fevereiro de 2011
domingo, 28 de fevereiro de 2010
terça-feira, 25 de agosto de 2009
"Scuola metafisica"
"Quero estar só a qualquer preço", disse a estátua de olhar eterno. Vento, vento que refresca minhas faces em fogo. E a terrível batalha começou. Cabeças quebradas caíram e crânios brilharam como se fossem de mármore.
Fugir, fugir para a praça e a cidade radiante. Atrás, demônios me chicoteiam com toda força. Minhas pernas sangram horrivelmente. Ah, a tristeza da estátua solitária ali! Beatitude.
E nenhum sol, nunca. Nunca o consolo amarelo da terra iluminada.
Ela deseja.
Silêncio.
Ela ama sua alma estranha. Ela conquistou.
E agora o sol parou, alto, no centro do céu. E em eterna felicidade a estátua mergulha a alma na contemplação de sua sombra.
Há uma sala cujas cortinas estão sempre fechadas. Num canto, um livro que ninguém nunca leu. E na parede um quadro que não se pode ver sem chorar.
Há arcadas na sala onde ele dorme. Quando a noite vem a multidão reúne-se ali com um zum-zum. Quando o calor é tórrido ao meio-dia, ela vai para lá, ofegante, buscando a fresca. Mas ele dorme, ele dorme, ele dorme.
Que aconteceu? A praia estava vazia e agora vejo alguém sentado ali, numa rocha. Um deus está sentado ali, e ele contempla o mar em silêncio. E isso é tudo.
A noite é profunda. Agito-me em minha cama escaldante. Morfeu me detesta. Ouço o som de uma carruagem distante aproximando-se. Os cascos de um cavalo, um galope; o barulho explode e desaparece na noite. À distância uma locomotiva apita. A noite é profunda.
A estátua do conquistador na praça, sua cabeça nua e calva. O sol por toda parte. Por toda parte as sombras consolam.
Amigo, com olhar de abutre e boca sorridente, um portão de jardim te faz sofrer. Leopardo enjaulado, andas pela tua jaula e agora, sobre teu pedestal, na pose de um rei conquistador, proclamas tua vitória.
Giorgio De Chirico
(in Teorias da arte moderna, Chipp, Scuola metafisica, Martins Fontes, São Paulo, 1993)
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Poesia

Giorgio De Chirico
Partiste
à nova vida rumo.
De comum agora a lembrança.
Vivo mal assim e a criança
está perdida.
Ultrasonografias levam
do peito formas, mas
não revelam teus amores
e, igualmente, nem as dores
se desvelam.
Triste, porém, sempre fico,
o que dizer da vida
plena,...os mistérios?
Hei quê de fazer agora?
_À despedida!
Rápido o fato se faz
e só no tempo haverá
sentido.
Saudade, palavra
de assombrar.
Tenho ido.
sábado, 15 de agosto de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
primeiro estado

O monge no trigal, Rembrandt, água forte, 1645
No século XVIII, religiosos contavam com uma vantagem: um nobre tinha de abaixar as calças, um frade apenas levantava a batina.
(in http://jlmdias.blog.uol.com.br/index.html)
sexta-feira, 24 de abril de 2009
terça-feira, 7 de abril de 2009
domingo, 29 de março de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Colírio para os olhos
Releva-se as baixarias.
Gosto muito dos nus de Modigliani.




Quase tudo do genial italiano aqui.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Um fim de ano plural, como o Brasil.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
imagens da agricultura
Rubens, O Rapto de Prosérpina
Museu do Prado, Madri
180 x 270 cm
Prosérpina é o nome romano de Perséfone. A intenção da postagem é imagética, mas decidi colar o texto da wikipedia. Há sempre gente que desconhece a história. Chamo a atenção para o tratamento que Rubens consegue dar às carnes de seus personagens. Seus volumes são mais reais nas carnes do que nos demais objetos ou panejamentos. Acho que Rubens era um sensual. E um grande mestre do Barroco e da Arte.
"Proserpina (correspondente na Grécia a Perséfone) era filha de Júpiter com Ceres, uma das mais belas deusas de Roma. Enquanto colhia flores, foi raptada por Plutão, que fê-la sua esposa. Sua mãe, desesperada com o desaparecimento da filha, caiu numa fúria terrível, destruindo as colheitas e as terras. Somente a pedido de Júpiter, acedeu a devolver a vida às plantas, exigindo, no entanto, que Plutão lhe devolvesse a filha. Como, por um ardil deste último, Proserpina havia comido um bago de romã, não poderia abandonar o submundo de forma definitva. Acabou por se encontrar uma solução do agrado de todos: Proserpina passaria metade do ano debaixo da terra, no submundo, na companhia do marido - corresponde essa época, ao Inverno, quando Ceres, desolada, descuida a Natureza, deixando morrer as plantas - e a outra metade do ano à superfície, na companhia da mãe - corresponde ao Verão, quando a Natureza renasce, fruto da alegria de Ceres. Àquela deusa os romanos dedicavam um festival realizado no dia 31 de maio."
domingo, 10 de agosto de 2008
Um anuncio
Todo final de tarde estabelece-se a rede de bem-te-vis.
Uma trama complexa e dinâmica.
Eles vêm e vão constantemente
entre as árvores daquela minha circunscrição.
Sempre se comunicando numa intrincada cadeia
de Bentiiviis! e Bintiviiis! Beeeeentiiivis!
e Beennnntivis! e outras palavras beentivínicas.
Eu gosto de ouvi-los,
eles e elas bem-te-vis
encerram o dia com dignidade e sabedoria.
Orquestram entre si o desenrolar da noite e,
depois, quedam-se em silêncio gentil.
Seus volteios circunflexos e gritos briguentos
são de qualquer coisa de vida de ver.
Boas tardes de domingos, enquanto
os escafandros pendurados
em estratégicos lugares
de algum museu no sul de Minas,
projetam, entre sombras
da árvore frutífera em seu redor,
os contornos frios, sombrios propriamente,
que, no fundo letras – como a linha preta
sobre a branca mancha do papel – nos
lançam as imagens aos sonhos, às quimeras...
Confusão.
Nada há mais difícil que as palavras.
As bem-te-vis acalmam o embate do dia.
O lusco-fusco,
gentilmente convidado por elas,
instaura as suas cores.
Os cinzas chamados são a prevalecer.
Mais uma noite se anuncia...
As letras perdem espaço aos sentidos.
Não se assustem, o amor, mais uma vez, reclama o seu trono.
Tudo besteira.













