O meu amigo foi corajoso
que esperou-me dormir e
sozinho
atravessou o Aqueronte
o meu amigo
por longos doze
longos anos
o meu amigo esperou-me
sempre a sorrir
batendo o rabo
que é como sorria
o meu amigo
sempre sereno
nos últimos instantes
ainda
não gritou
nem gemeu
foi no silêncio após
esperar-me dormir
de tanto velar
como eu disse
partiu
o meu amigo
e uma parte de mim
também.
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segunda-feira, 17 de outubro de 2011
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Coisas do tempo e de finais de ano
Ontem estive com alguns amigos que os tenho há coisa de trinta anos. Lembramos dos 'causos', das viagens, dos ausentes; tiramos fotos e admiramos outras, antigas; conversei com a velha namorada que está ficando velha, como todos nós; tomamos bons vinhos e champanhe, comemos foie gras; contamos uma parte de nossas histórias pessoais, lamentamos algumas perdas e valorizamos os ganhos, se é que podem haver.
Bebi e falei demais, como sempre.
Acho que todos falamos coisas que até então não tinham sido ditas.
Foi muito divertido apesar dos momentos melancólicos e de algumas palavras mais ásperas.
E hoje bateu um enorme banzo.
Saturno, que, como diz o poeta, jamais volve a sua face.
Bebi e falei demais, como sempre.
Acho que todos falamos coisas que até então não tinham sido ditas.
Foi muito divertido apesar dos momentos melancólicos e de algumas palavras mais ásperas.
E hoje bateu um enorme banzo.
Saturno, que, como diz o poeta, jamais volve a sua face.
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