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sábado, 11 de abril de 2009

Sonetinho à Bocaje

Se não dizer for parte dela e minha,
a carta de amor jazerá na mesa
e o envelope junto, e a estranheza
do poema que me vem na miudinha.

Ouve, estranha, a tua forma é todinha
linda, mas desconfio de tigresas,
o que me faz lançar-me em asperezas
e esfregar as mãos, Ai! a sinhazinha

é uma delícia, um prato fino, um canto
de amor à forma e só de exemplo os seios
grandes, voluptuosos, um encanto.

Já estou tarado em imaginar os meios
de que me vou valer, e que rodeios
para seduzir-te e quando e quanto.

terça-feira, 31 de março de 2009

Sonetinho à Bocaje

Se não dizer for parte dela e minha,
a carta de amor jazerá na mesa
e o envelope junto, e a estranheza
do poema que me vem na miudinha.

Ouve, estranha, a tua forma é todinha
linda, mas desconfio de tigresas,
o que me faz lançar-me em asperezas
e esfregar as mãos, Ai! a sinhazinha

é uma delícia, um prato fino, um canto
de amor à forma e só de exemplo os seios
grandes, voluptuosos, um encanto.

Já estou tarado em imaginar os meios
de que me vou valer, qual os rodeios
para seduzir-te e quando e quanto.

sábado, 7 de março de 2009

Endecassílabo, macumba, jurupari, pois que não importa...é uma outra coisa ainda













O doceamargo Eros fez me uma visita
de surpresa, por esta eu não esperava.
Já acostumado com o vazio estava,
mas, oh... lançou-me um olhar a Afrodita!

E se é amor, diz-se: amigo, é desdita!
Pois de Cupido a felicidade estava
muito distante. Sim, que naquela aljava
setas lancinantes só. E a senhorita,

que de tão confusa não percebe o peito
meu, que mais confuso e trespassado ainda,
das flechas de Amor quase que se finda.

E tudo é sonho, uma artimanha, um defeito
que a Cípria me incutiu, com o veneno feito
da cauda azul de uma lagartixa linda.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Sobre nada

Uma tarde de quarta-feira de cinzas quente e abafada.
No fim irá chover.
Acabei de assistir um filme interessante.
Título em português: Paixão de suicídio ou algo parecido.
A história se passa em um planeta terra onde não há folhas, flores e frutos, apenas o chão seco e áspero. E onde ninguém sorri. Mundo dos suicidas, espécie de além reservado aos que cometem o suicídio. Tem o Tom Waits e uma brunete de cabelos à Chanel muito bonita, com o nome engraçado de Shannyn Sossamon e que adota um ar assim meio desleixado. De qualquer forma, uma belezura. Parece ser um daqueles filmes independentes de baixo orçamento. Enfim, um filme interessante.
Estou tomando uma cervejinha e a moça da limpeza apareceu em pleno feriado. Bom, vou terminar o carnaval, ao contrário de muita gente, com a casa limpa, cheirosa e organizada.
Para encerrar a abobrinha, outro soneto de Olavo Bilac, sobre o tempo:

Um cometa passava... Em luz, na penedia,
Na erva, no inseto, em tudo uma alma rebrilhava;
Entregava-se ao sol a terra, como escrava;
Ferviam sangue e seiva. E o cometa fugia...

Assolavam a terra o terremoto, a lava,
A água, o ciclone, a guerra, a fome, a epidemia;
Mas renascia o amor, o orgulho revivia,
Passavam religiões... E o cometa passava.

E fugia, riçando a ígnea cauda flava...
Fenecia uma raça; a solidão bravia
Povoava-se outra vez. E o cometa voltava...

Escoava-se o tropel das eras, dia a dia:
E tudo, desde a pedra ao homem, proclamava
A sua eternidade ! E o cometa sorria...
Por isso, não se preocupem, tudo acabará num átimo.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

poema

Tenho andado cansado e sem ideias, melancólico. O feriado já se avizinha solitário e chato. Como é mesmo a vida...tenho até um dinheirinho, o carro novo, saúde; mas tesão nenhum pela vida. Tudo um porre. Aliás, só tomando um porre pra esquecer essa merda toda. Do jeito que ando, bem que Deus podia acontecer de existir e me dar uma forcinha pra sair da bossa. Mas não adianta, não acredito mais em ajudas de Deus.

Eis que me sempre volta aquela imagem
Do escafandro e da sombra em hora bela.
Já a sombra se espraia em torno à ela
E em minha alma permanece a imagem.

Havia lá um córrego selvagem,
E os jardins e as rosas, as alamedas
De flores, lembro bem que todas ledas
Perfumavam a lembrança, a miragem.

Lá, na infância, fica aquela porta,
Há o cadeado, o trinco, a maçaneta.
Lá ficou a minha alma como morta.

Procuro um norte, um caminho, a greta
Por onde passe o mito e sua clivagem,
E da Citérea fique a sacanagem.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Um poema

Como a floresta secular, sombria,
Virgem do passo humano e do machado,
Onde apenas, horrendo, ecoa o brado
Do tigre, e cuja agreste ramaria

Não atravessa nunca a luz do dia,
Assim também, da luz do amor privado,
Tinhas o coração ermo e fechado,
Como a floresta secular, sombria...

Hoje, entre os ramos, a canção sonora
Soltam festivamente os passarinhos.
Tinge o cimo das árvores a aurora...

Palpitam flores, estremecem ninhos, . .
E o sol do amor, que não entrava outrora,
Entra dourando a areia dos caminhos.

Olavo Bilac

sábado, 20 de dezembro de 2008

Soneto para um mar melancólico

A linha tênue da ilusão rompeu
o sonho que me percorreu, senti
que não errei em eleger a ti.
Oh, linda, tu, quimera, engano meu!

E o coração uma vez mais sofreu
a ausência de outro coração que aqui
junto do meu a vida ofereceu; pedi
a Deus o instante, a graça, o himeneu.

Mas quão inútil esperar que a vida
traga esse tempo de gozar, de canto,
a vida só me traz o fel e o pranto.

Inda esta vez a solidão, a estrela
de meu caminho é a esperança em vê-la
aqui, ali ou acolá, querida.

Ps. No quarto verso, da segunda estrofe, achei por bem trocar a palavra gineceu por himeneu. Gineceu é por demais negativa, eu acho. E além do mais, a segunda tem mais a ver com o poema. Não me incomoda alterá-lo, assim, depois de postado. Tudo está vivo.

Provérbios gregos