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sábado, 4 de julho de 2009

Le Notti Bianche















Um filme belíssimo. Direção de Luchino Visconti. Com Maria Schell, Marcello Mastroanni e Jean Marais. Todo rodado em estúdio. Visconti mandou reconstruir um bairro da cidade de Livorno, inclusive com seus canais, para a filmagem. O cenário e a fotografia (preto e branco) são simplesmente magníficos. O roteiro é baseado no conto homônimo de Dostoievsky: Noites Brancas em português. Todas as cenas são noturnas. O enredo é simples: Mario, homem pobre, recém chegado à cidade de Livorno para trabalho, é triste e, praticamente, só convive com a família do patrão. Em uma noite, em que vaga solitário pelas redondezas, conhece Natalia e se apaixona por ela. Natalia não corresponde ao amor, pois já está enamorada de outro, mas dedica-lhe uma amizade. O outro, a quem Natalia ama, está ausente e a trama toda gira em torno de seu retorno. Enquanto tal não acontece, Mario tenta conquistar Natalia.
Aqui, no blog do Leandro, ele faz uma bela resenha.

Filme de arte, sensível, para almas sensíveis. Altamente recomendado.

Ah velho Fiodor e suas loucas mulheres, como deves ter tu vivido para poderes engendrar tantas Natalias e Nastacias e Aglaias e Grushenkas! Diz-se mesmo que eram todas uma só.

Agora tenho que ler o livro.

domingo, 26 de abril de 2009

A marselhesa

Para mim, um hino nacional é um mantra. Uma sequência de sons e letras com a intenção de se produzir um determinado efeito. No caso, valorizar e estimular o sentimento mátrio. Ontem, "la marseillaise" fez anos. Foi composta por Rouget de Lisle em 25 de abril de 1792. Aqui, em uma antológica cena de cinema.

sábado, 27 de setembro de 2008

Homenagem ao Paul

Os atores e atrizes do cinema e os filmes sempre me lembrarão as noites mau dormidas, passadas em frente à TV, lá na já distante adolescência. Foi ali que aprendi um pouco de cinema e conheci desde Heidi Lamar, por quem me apaixonei ainda quando eu tinha 6 ou 7 anos (nunca me esqueço do close up da câmera em seu rosto no "Sansão e Dalila"; o que ela tinha de bela, Victor Mature tinha de cara de bebê chorão), passando pelos Roberts (Redford, o canastrão Taylor e os grandes Mitchum e Ryan), pelos clássicos farwests de John Waine e Gary Cooper, pelos noir de Mr. Bogart, pelas maravilhosas Ritas e Marilyns e tantas outras deusas, até as science fictions de Guerra nas Estrelas, os filmes de arte, as comédias, o gênio de Chaplin. O cinema me maravilhou naqueles distantes tempos. Ainda me fascina, mas nem tanto como na adolescência, quando a fantasia ainda impera sobre a razão.
Fica aqui uma homenagem ao carismático Paul Newman, em uma das cenas que assisti nas insones noites lá pelos idos de 70/80. Antológica.

domingo, 4 de maio de 2008

O labirinto do fauno



Já que estamos em Espanha, vamos de cinema espanhol. "O labirinto do fauno" é um filme muito interessante. Como toda boa obra de arte, não se contenta em contar apenas uma história, mas muitas. Recheado de alegorias e metáforas, agrada a sonhadores e realistas pragmáticos. Quero dizer, tanto se pode seguir uma história real, onde em meio à uma situação de guerra, tudo parece sem sentido e sofrível, quanto se pode seguir com as fantasias da personagem principal em seu mundo de fadas, faunos, princesas e mundos encantados. Fantasias que, note-se, não a ocupavam o tempo todo e que podiam não ser tão fantasiosas assim. Não se pode dizer qual é o fio verdadeiro da história. E é precisamente nisto que se encontra a grande qualidade do filme: misturar, com inteligência, fantasia e realidade. Então temos eros e psiquê, mundos subterrâneos, reinados encantados, imortalidade, Freud, feminismo, magia, fascismo, helenismo, história de Espanha, patriarcalismo, e outras coisas mais misturadas em um mesmo caldeirão. E é isto, caros leitores e leitores que, em minha modesta opinião, consiste uma boa obra de arte, uma síntese equilibrada de coisas diferentes. Aqui se tem uma análise do filme muito mais interessante e competente que a minha. Mas assistam, apesar de aparentemente triste, nos transmite uma possibilidade maior. Boa arte, bom cinema. Recomendo.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

as despedidas



Quando adolescente via muita televisão. Gostava demais de passar noites diante da telinha assistindo a filmes. Bons tempos aqueles. Aprendi um bocado sobre o cinema. Hollywood é claro. Mas naquele tempo, como ainda hoje, o cinema americano dominava. Ainda assim assisti a muitos bons filmes. Alguns inesquecíveis. Outro dia, no youtube, encontrei um trecho do "Dr. Jivago" que mostra a partida de Lara. Acho a cena de uma beleza incrível. A certeza do que tem de ser. O contraste entre a calma com que a despede e o desespero com que se precipita ao segundo andar para uma última visão da amada. Filme belo e triste, como a Rússia.



Então decidi procurar por outras cenas semelhantes, de despedida. A memória não ajudou muito. Me lembrei da cena final de "Por quem os sinos dobram", de "Casablanca", de Forrest Gump em frente ao túmulo de Jenny, de Sean Connery e Audrey Hepburn no "Robin e Marian". Destes, só a cena de "Por quem os sinos dobram" encontrei que valesse. A virtude das cenas está mais no contexto do enredo, da história do filme, do que na interpretação dos atores. Mas os olhos de Ingrid têm o seu lugar, não?
Uma pergunta aos raros visitantes: Será que alguém sabe de outras mais?

Dr. Jivago, a partida de Lara

Por quem os sinos dobram, cena final

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Humberto Mauro



Hoje, dia 30 de abril, há um outro aniversário importante. Este, para nós brasileiros e amantes do cinema. Há 111 anos nascia Humberto Mauro. Um dos pioneiros do cinema no Brasil e no mundo. Deixo dois links (queria que fossem três, mas não encontrei o Chuá-chuá) para alguns de seus mais conhecidos curta-metragens:

a velha a fiar


a casinha pequenina

segunda-feira, 14 de abril de 2008

A guerra do fogo - beleza, fanatismo e ignorância






















Como mencionei em um post passado, passei para meus alunos o filme "A guerra do fogo". Quase todos gostaram muito do filme e vários me pediram uma cópia. O filme é de uma poesia sensível e silenciosa. Não há diálogos traduzíveis, isto é, não importa o que os personagens falam pois se trata de uma linguagem rudimentar e desnecessária à compreensão da história. O trabalho de expressão corporal é maravilhoso. A cena em que o protagonista presencia a fabricação do fogo pela primeira vez é linda. Uma música (a trilha sonora, instrumental, auxilia no entendimento das cenas) dramática em crescendo, o homem estupefato, o fogo se acendendo, sua expressão de mistura de espanto, assombro, alegria e compreensão. Tal cena mereceu de uma aluna, senhora já, faxineira da escola, recém alfabetizada a seguinte fala: _Professor, fiquei tão emocionada com aquilo!...São estas coisas que ainda me mantêm na escola, que dão sentido a toda aquela droga: Escutar de alguém uma palavra sensível, um registro de fruição verdadeira, um gesto humano.
Os que não gostaram foram os previsíveis de sempre: os néscios e os fanáticos religiosos. A fanáticos me refiro aos que acreditam (ou querem acreditar) na versão bíblica sem uma pitada de crítica sequer. A minha Bíblia é a "Tradução do novo mundo das escrituras sagradas" (Watch tower bible and tract society of Pennsylvania, 1984), cuja edição em português é de 1992. O texto foi traduzido diretamente do hebraico e do grego para o inglês ao longo dos anos 50 e 60. Inicialmente lançada em seis volumes, a obra, posteriormente, recebeu revisões e notas. Bem, não sei nada de hebraico e por isso não posso falar sobre a parte do velho testamente desta edição. Mas os textos gregos dos apóstolos são muito fiéis ao códice do século IV D.C. que se encontra no Vaticano e é o mais antigo manuscrito completo dos quatro evangelhos que se conhece. Esta Bíblia, segundo me falou um colega de aulas de grego, é aquela utilizada pelas Testemunhas de Jeová. Não sei nada disto também, não sou católico nem protestante. No entanto, alguns professores da escola, evangélicos, tentaram desclassificar esta Bíblia. Ficaram sem argumento quando lhes disse que estava fazendo a tradução do evangelho de João e pude perceber que ela era praticamente literal. São interessantes todas essas diferenças e dissensões dentro da Igreja. Por mim, quero que se danem todas. Não gosto de Igreja alguma.
Mas voltando ao assunto inicial, lá no Gênesis da minha Bíblia recusada, no capítulo dois, versículos 6 e 7 lê-se assim:
" 6 Mas uma neblina subia da terra e regava toda a superfície do solo.
7 E Jeová Deus passou a formar o homem do pó do solo e a soprar nas suas narinas o fôlego da vida, e o homem veio a ser uma alma vivente."
Não é preciso ser nenhum grande estudioso da História ou da Ciência para se fazer uma relação entre este verso e as teorias científicas. Ora, o homem surgiu do pó, ou da lama como se pode verificar pela mistura de terra e umidade. A ciência nos fala da sopa primordial, dos unicelulares, da evolução.
Como sou professor, preciso me limitar em minhas afirmações à versão da ciência. Isto não me impede de emitir opiniões pessoais, desde que deixe claro aos alunos que se trata de uma opinião pessoal, uma crença. Se foi Deus ou a evolução que fez o homem, confesso que não sei dizer e que não me interessa esta dicotomia porque tudo se trata de uma coisa só. Deus é os homens e estes são a ciência. A genética e a reencarnação são uma coisa só e, muito provavalmente, há um plano por trás de toda evolução. Isto em minha modestíssima opinião. Mas os fanáticos têm medo de Deus. Que se danem também os fanáticos!
Já os néscios, estes são para mim um mistério. Jamais encontrei uma forma de falar-lhes. São pior que pedras pois estas ainda são sensíveis à temperatura e pressão. Mas já dizia Sócrates que o pior da ignorância era ignorar-se a si mesma.
Deus os ajude.

Ps. Depois vou fazer um post sobre o filme e sua relação com a ascensão do patriarcalismo.

sábado, 5 de abril de 2008

Tróia, o filme



















Assisti ontem ao filme Tróia, aquele em que Brad Pitt é Aquiles. Como filme de ação, gostei. Há boas cenas de batalhas e a produção dos cenários e figurinos me pareceu atender à maneira como as coisas se dispunham naquela época. Porém, do ponto de vista da arte dramática, o filme deixa muito a desejar. Brad Pitt, que quando quer consegue ser mais que um homem bonito, não parece muito interessado em sua atuação. Diane Kruger (Helena) e Orlando Bloom (Páris) são horríveis. Dentre a atuação apenas mediana dos demais, pode-se destacar as de Brian Cox (Agamenon), Eric Bana (Heitor) e a do único grande ator do filme, Peter O'Toole (Príamo). Este protagoniza a melhor cena onde o rei Príamo implora a Aquiles o corpo do filho Heitor. Embora Pitt não colabore, O"Toole carrega a cena sozinho. Vale dizer que esta passagem é uma das mais belas e tocantes da Ilíada. Quem já a leu se lembrará. Outra passagem magnífica do livro é tratada de forma que eu diria até irresponsável, como a da despedida entre Heitor, Andrômaca e Astíanax. Esta passagem é talvez a mais singela e humana de um livro onde a tônica é a guerra e o horror que esta encerra. Também não há a menor consideração pela participação dos deuses. Em Homero estes são protagonistas tão atuantes quanto os humanos e são decisivos nas lutas entre Heitor e Pátroclo, Páris e Menelau e Aquiles e Heitor. Nesta última, o filme mostra um Heitor a altura do terrível Aquiles de pés ligeiros. Homero não confere a Heitor este tamanho. No livro, Heitor, que apesar de valoroso, simplesmente foge de Aquiles que o persegue dando três voltas em torno da muralha em uma das passagens mais patéticas e humilhantes para os troianos. Um outro trecho do livro, que é também tocante pois cheia de dubiedade, foi eliminada. Logo após Agamenon ter roubado a bela Briseida do Pelida, este, à beira mar, chora de tristeza e saudade da donzela sendo consolado pela mãe, a nereida Tétis (no filme, Julie Christie, vocês se lembram, a Lara do "Doutor Jivago"). Esta passagem da epopéia me tocou e me fez refletir sobre a natureza dos grandes guerreiros. Eles não têm coragem apenas para lutar, mas para expor seus sentimentos também. O filme reduz o poema de Homero é claro. Não seria possível colocar todo o enredo (que ultrapassa em muito a própria epopéia tendo outras versões e variáveis) em duas horas de película. No entanto, não precisavam alterar o samba tanto assim, como dizia Paulinho da Viola. Com todas as maldades de Agamenon (que talvez as fosse obrigado a fazer) é absurdo colocá-lo sendo morto por Briseida, que no livro não teve maiores aparições e tendo sua importância em ser a causa da ira de Aquiles. Aliás, nem Agamenon, nem Menelau, nem o gigante Ájax morrem em terras troianas. Este último, de fato morre em Tróia, mas suicidando-se, numa história que mereceu pelo menos uma tragédia, que eu saiba, de Sófocles. No mais, senti falta de Hécuba, Cassandra, do outro Ájax, Diomedes, de Enéas (que aparece de forma ridícula) que vai ser cantado na difícil Eneida de Virgílio, de Afrodite (que a meu ver, dentro do sentido mitológico da história, é a responsável pela guerra), de Hera terrível de olhos bovinos, de Zeus e Apolo, Hefesto e seu escudo para Aquiles e tantos outros a quem acompanhamos os dramas em uma história que se dobrou e desdobrou em muitas outras no que se convencionou chamar de ciclo troiano. É uma pena que o cinema americano, que é um dos únicos que tem condições de realizar uma superprodução, tenha tão pouca sensibilidade para tratar de temas assim complexos. No entanto, vale para aqueles que os desconhecendo são apresentados aos clássicos de uma forma mais fácil e acessível.
E, lembrando-me dos primeiros versos da Ilíada onde Homero diz:

"Canta, ó deusa, a cólera de Aquiles, filho de Peleu, funesta, que inumeráveis dores aos Aqueus causou e muitas valorosas almas de heróis ao Hades lançou, e a eles tornou presa de cães e de todas as aves de rapina; cumpriu-se o desígnio de Zeus, o qual desde o princípio separou em discórdia o filho de Atreu, senhor de guerreiros, e o divino Aquiles."

não posso fugir de meu romantismo e esquecer a causa de tamanha e funesta ira. Assim, fico com a lembrança de Briseida, ou Briseis, ou Hipodâmia (a belíssima e boa atriz Rose Byrne) deitada, a dormir, sonhando talvez que dias melhores virão.

segunda-feira, 24 de março de 2008

surgimento da (agri)cultura


Tenho trabalhado, lá na escola onde leciono para jovens e adultos, sobre o conceito de cultura. Estamos investigando as origens do patriarcalismo com a descoberta da participação masculina na procriação, o declínio da deusa, a relação sêmen/semeadura, o desenvolvimento da cerâmica, das habitações, a domesticação de certos animais, o sedentarismo e o surgimento de uma civilização baseada na figura do pai e, é claro, logo em seguida, a criação dos deuses e, por fim, de Deus. Masculino claro. Então estou passando o filme "A guerra do fogo", direção do francês Jean-Jacques Annaud. Os alunos estão pirando. O filme é realmente muito bom. Desde os figurinos, à linguagem rudimentar, aos gestos. Era uma época de profundo silêncio, revelado logo na primeira cena do rapaz que vigia e observa a noite e a solidão. Quanta coisa mudou e esta humanidade, que não desiste de saber quem é, continua. Quantos serão, hoje, os que escutam o silêncio, sem terem na mente os tantos pensamentos, imagens/palavras? Talvez que seja na mesma proporção que os havia antes.
Assisti, hoje, agora a noite, ao filme "10000 a.c.". Fraco, não vai servir para uma aula.

Ps. Ainda estou preparando o texto sobre A condessa de Charny. Sei que, um dia, haverá interessados.

Provérbios gregos