No sábado passado, voltando de uns dias de férias no litoral norte capixaba, escapei da morte por um dedo de Deus talvez. Mas não escapei de presenciar uma das cenas mais chocantes de minha vida quando o grupo de carros que se adiantou a mim na ultrapassagem de alguns caminhões se envolveu em um medonho acidente com uma carreta que vinha em sentido contrário. Só não estava eu no mesmo grupo porque o motorista do caminhão que se encontrava à minha frente não me permitiu a ultrapassagem. Agradeço-lhe meu amigo!
O acidente foi próximo à cidade de São Gonçalo do Rio Abaixo, logo após passar por Monlevade, a 80 km de BH.
Após passarem a cidade de João Monlevade as rodovias federais Brs 262 e 381 se encontram e seguem juntas para Belo Horizonte num trecho de 100 kilômetros somente de curvas e sem duplicação. Há uma quantidade imensa de caminhões, sendo pois o trecho um afunilamento do tráfego dos eixos São Paulo-Bahia e Espírito Santo-Oeste de Minas e de seus inter-cruzamentos. Todos os dias morre-se ali.
É simplesmente uma loucura.
Os gritos de desespero dos que estavam presos entre as ferragens os escuto até agora, juntamente às imagens. Em especial a de um braço que pendia na janela de um dos carros que ficou inteiramente esmagado pelas rodas da carreta.
Pavoroso.
Não parei para dar socorro pois aqueles que chegaram instantes antes de mim já o estavam fazendo e a coisa já se ia tornando numa pequena confusão de carros parando, gente correndo, gritos, desespero, mas também e principalmente é claro, solidariedade. Segui por alguns quilômetros e parei em uma lanchonete para beber uma água e me acalmar. Fiquei muito emocionado.
Morreram ali até onde sei aquelas duas pessoas que foram esmagadas. Tiveram morte rápida. Houve feridos que ficaram presos por horas nas ferragens, um horror. Ao menos resta talvez o consolo da morte instantânea, sem sofrimento.
Mas sei lá, será mesmo um consolo? Aquele breve segundo deve ser por demais aterrador e é o que se leva de imediato para o outro mundo se tal existir. Não será uma boa lembrança. E além do mais dá-se adeus ao mundo, que ainda com suas mazelas não deixamos de amar.
Quão efêmera e insignificante é a vida...
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
O trânsito e os batráquios com complexo de Ayrton Senna

Aqui em Belo Horizonte o trânsito é muito louco, como todos já sabem, e em parte é por causa dos sobes-e-desces e em parte pela burrice mesmo. Então todo dia, ou melhor, toda a noite é a mesma coisa. A grande artéria que liga a zona leste à oeste, no trecho sinalizado com os semáforos, tem o limite de velocidade de 60 km/hora. Eu estou voltando para casa, já são dez e quarenta, ou por aí, e me interesssa muito não precisar parar em sinais. É que é um tanto quanto perigoso. Há um comércio bastante intenso de peças de motocicletas. Ah, é claro, sou motociclista.
Mas como ia dizendo, não é lá muito saudável ficar parado em sinais em cruzamentos ermos depois das dez horas da noturna. Por isso, não gosto de parar em sinais à essas horas. Por incrível que possa parecer, a programação semafórica dessa grande artéria urbana transportadora de veículos e seres humanos, entre outras coisas, é feita justamente para que se ande dentro do limite de velocidade, que como disse é de 60 km/h. E assim eu faço porque assim não preciso parar em sinais. Há noites em que percorro os 15 km entre a escola e minha casa sem precisar parar em um único dos mais de 20 semáforos que há no caminho. A única coisa que me impede de realizar este extraordinário feito é a burrice. Porque passam por mim, às vezes a mais de 140 km/h, os idiotas alucinados pela velocidade. Mas o que que eu tenho com isso? Tenho que os mesmos idiotas, quando chego com a minha calma dos 60 ao sinal, estão todos lá, parados, esperando, às 11 da noite, numa esquina erma do centro da cidade, sem que isto fosse necessário. E aí, quando não tem aquela brechinha pra eu passar, tenho que parar.
FICO INDIGNADO E MUITO PUTO DA VIDA COM ESSAS BESTAS QUE PASSAM POR TODA A VIDA SEM COMPREENDEREM QUE NÃO PRECISAM PARAR NO SINAL, NEM ARRISCAR A PRÓPRIA VIDA E A DOS OUTROS, NEM ME OBRIGAR A REDUZIR AS MARCHAS, NEM GASTAR A MINHA EMBREAGEM, SE ANDASSEM DENTRO DA PORRA DO LIMITE DE VELOCIDADE DA VIA.
VÃO SE F..., BATRÁQUIOS!
Pronto, desabafei. Me perdoem os leitores que não gostam de palavrões e quepisloques, mas isso aqui é mesmo um bom lugar pra gente desabafar, não é? Então sejam tolerantes comigo, por favor, porque é só o que me resta. Os dromedários da velocidade urbana jamais irão compreender estas singelas explicações.
Ps. Hoje vi dois acidentes com motociclistas. Um deles, se não morreu, ficou muito machucado. Vamos acalmar minha gente, para que tanta velocidade? Eta gente louca!
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