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segunda-feira, 23 de maio de 2011

140 anos da Comuna de Paris


Gostaria de saber quem é o autor desse trabalho, que com certeza foi inspirado em Goya e ambos nas atrocidades do exército francês. O muro, talvez, seja um dos muros originais onde parte dos comunardos foi fuzilada. Ou talvez sejam apenas os blocos de pedra, que foram removidos e aproveitados. Observa-se, se olharmos com atenção, os buracos de bala. Ou talvez seja tudo mímese mesmo. Mas achei tocante demais essa mulher, de braços e peito abertos - um dos seios nus - no auge do orgulho e coragem, como que a tentar, inutilmente, proteger quem lhe estivesse atrás e, ao mesmo tempo, dizer, num mutismo gritante, o quão covardes eram aqueles por detrás das baionetas e o quão maior éramos nós. 


E aqueles rostos apagados, tênues memórias, como espectros de alguma forma ainda vivos a relatar, a dizer e a mostrar aos que passam: Vejam o quê a nossa bela humanidade gosta de, quando em vez, praticar a si mesma.


quinta-feira, 11 de junho de 2009

Babilônias reencarnadas






















(Félicien Rops, a tentação de Santo Antônio, 1878)


Em Paris, durante o cerco por Bismarck em 1870, alguns meses antes da famosa Comuna, a situação estava um tanto calamitosa. Tal como em parte a descreveu Edmond Deschaumes, estudante adolescente, em seu diário:

Digard juntou-se à turma da noite depois de almoçar com um de seus tios no Hôtel de Ville, e nos contou algumas novidades espantosas. Na Praça, em frente à sede do governo, há um mercado de ratos. Os mais comuns são vendidos por trinta cêntimos, os gordos e suculentos custam sessenta. Ao mesmo tempo, descreveu o menu da refeição que o tio lhe oferecera: picadinho de lombo de gato, maionese, postas de cachorro com petits pois. Digard lambeu os beiços, gulosamente, e com um jeito arrogante declarou de maneira incontestável: "Comi uma carne de rato de primeira no restaurante do meu tio." E ainda acrescentou que o cardápio do tio incluía salmis de rato. Na sobremesa, devorou um pudim de tutano de cavalo.

(in Rupert Christiansen, Paris Babilônia, a capital francesa nos tempos da Comuna)

Provérbios gregos