Hoje tomei uma atitude que já há anos desejava tomar: exonerei-me do cargo de professor em Contagem. Por enquanto vou segurar as pontas com a escola da tarde em BH. Não estou querendo tecer muitas conjecturas sobre o futuro. Com o tempo vago penso em voltar a pintar. Também quero estudar para algum concurso que valha mais a pena, algum órgão que pague melhor. O que não dava mais era para aguentar o ultraje da prefeita para com a gente. Lá na hora, no balcão do protocolo, onde entrei com o pedido de exoneração, havia outros funcionários indignados. A profissão de professor não oferece muitas perspectivas, mas trabalhar em Contagem oferece menos ainda. Eu não sei aonde tudo isso vai parar, mas não importa. Volto a fazer arte, volto a estudar, passo em outro concurso, sei lá...
Como hoje é São Pedro, faço uma metáfora para mim mesmo de que abro uma porta. Vamos ver para onde ela dá.
O diabo vai ser terminar de pagar o carro.
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segunda-feira, 29 de junho de 2009
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Manifestação a favor da Educação
O vídeo é da passeata que fizemos na noite de quinta feira, 27 de novembro, no coração de Contagem. Éramos pouco mais de mil: 200 professores e o restante de alunos e pais, além dos espias do governo, claro. Protestávamos contra a implantação do pró-jovem no município, que estava (e ainda está) sendo feita autoritariamente e sem qualquer diálogo com as escolas e a comunidade. A prefeitura (que é do PT, mas que junto com a de BH, está tendo um caso com o governo Aécio Neves) nunca deu a menor bola para os professores. Nossas manifestações sempre foram sumariamente ignoradas. E como a unidade da categoria não existe, fruto de um quadro docente onde predominam professoras já em fim de carreira, que sempre furam as greves, conformadas que são com as coisas e com as suas tristes vidas, vamos engolindo o desdém.
No entanto, a manifestação que vocês viram acima surtiu efeito. Não foi por causa do descontentamento dos professores, mas sim pela presença maciça das comunidades. Que tomou o microfone e se posicionou criticamente com relação às mencionadas reformas que obrigariam alunas e alunos a se deslocarem do bairro, à noite e, em muitas casos, a pé. Entre outras coisas. O que a prefeitura quer é passar a mão no dinheiro do governo federal para substituir a sua própria responsabilidade, o seu próprio e obrigatório gasto com a educação do município. Como, para poder receber a verba, tinham eles (os burocratas politiquentos da secretaria de educação) que iniciar com mais de mil alunos o pró-jovem, decidiram tirá-los da EJA. Não querem ter que gastar dinheiro com a necessária campanha para mobilizar o público-alvo do programa federal: o jovem de periferia, desocupado e perdido, que se encontra com um pé (se não os dois) no crime. Então resolveu a prefeitura se apropriar dos alunos da EJA que são, em sua maioria empregados, que trabalham o dia inteiro e à noite vão à escola, e que não estão interessados em pró-jovem e nem em ter que se deslocar para longe do bairro onde moram, principalmente à noite, depois de um dia de trabalho.
A prefeita Marília Campos suspendeu a operação. O melhor para ela é deixar de ser autoritária e dialogar com a escola e a comunidade. Somos nós que podemos diagnosticar os alunos com o perfil que o pró-jovem demanda. Nós é que estamos no contato real e cotidiano com a comunidade. A prefeita retrocedeu por causa do envolvimento da comunidade. Nós, professores, sozinhos, no Brasil, somos nada apesar de muitos. Mas o povo, e isso foi o mais bonito, tem poder. A passeata me lembrou muito aquelas das Diretas-já, lá nos distantes anos oitenta. Havia um sentimento de união e harmonia: não houve um só incidente, a população abraçou a manifestação, ainda que esta lhe impedisse de pegar o ônibus, de chegar em casa; mesmo os motoristas, que tiveram que aguardar quase meia hora a liberação da Av. João César de Oliveira ( uma das principais da cidade), não buzinaram uma vez sequer. Foi mesmo bonito.
Power to the people!
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