terça-feira, 15 de dezembro de 2009

provérbios gregos e latinos


















Afrodite e os erotes. Aqui.

Ἐξ τοῦ εἰσορᾷν γίνεται ἀνθρωποις ἐρᾷν.

Ex aspectu homnibus nascitur amor.

De se olhar para dentro nasce o amor.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Continuidades






















Aion (em grego Αἰών) - Divindade que personifica o tempo. Eon em português. Original.

Um poema do mestre Whitman para a desejada mudança que caminha.

Continuidades

Nada nunca jamais está perdido
ou pode ser perdido:
nenhuma forma, identidade, nascimento,
nenhum objeto do mundo,
nem vida ou força ou qualquer coisa visível;
não devem as aparências deter
nem a esfera em mudança confundir
o seu cérebro.
Amplos são o espaço e o tempo, amplos os campos da Natureza.
O corpo lerdo, envelhecido, frio
_ brasas restantes de antigos fogos,
esmaecida luz nos olhos _
há de outra vez flamejar como deve;
o sol agora baixo no poente
levanta-se em manhãs e meio-dias
contínuos;
aos canteiros cobertos de gelo
retorna sempre o invisível código
da primavera,
com relva e flores, grãos e frutos
de verão.

(Areia dos setenta anos - folhas soltas - in Folhas das Folhas de Relva - pg. 137 - seleção e tradução de Geir Campos com introdução de Paulo Leminski - Ediouro - 1987)

Entre o sonho e a realidade

Era uma espécie de festa na praia. Uma rave. Havia muita gente de todas as idades. Pessoas bonitas, muitos endinheirados. Eu vagueava por ali com minha sacola onde ia o celular e algumas roupas. Havia belas garotas. Contactei-as algumas. Mas não deu em nada, como sempre. Havia o escorpião. O inimigo que sempre me atrapalhava. Houve uma garota que me levou para sua barraca, deitou-me no colchonete, sentou-se sobre minha barriga e ficamos por ali namorando até o maldito escorpião chegar para atrapalhar tudo. Acho que esse escorpião é minha própria neurose. Brochei e decidi me mandar. Eu sempre fujo quando a situação se complica. Depois era numa parte onde havia ilhas flutuantes que eram também brinquedos de parque de diversão. Carrosséis, balanços, gangorras. Havia o bar flutuante também. E pequenas ilhas para apenas se deitar e tomar sol. Nadei por ali também e passeei entre as aleias em flor. Depois algumas cenas difusas que não me lembro mais. Por fim, apareceu-me um buraco enorme na perna, um pouco acima da canela, como se fora um tomate escaldado. Horrível, dava para ver o tutano do osso. Aí acordei. Eram 4:30 da manhã. Rolei na cama um pouco e adormeci novamente. Não fui trabalhar hoje pela manhã. Mandei a escola e a prefeitura para a puta que as pariu. Estou aqui a escrever sobre o sonho da noite e comendo minha banana seca, porque em seguida, enquanto todos enlouquecem, eu vou fazer uma simples caminhada e aproveitar a primeira manhã de sol em quase três semanas.
Fui!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Trabalhando feito burro e sonhando

Tenho trabalhado muito. E escola me joga quase todo no emocional, fica difícil pensar, refletir. Estou sonhando, plasmando um sítio com um pomar, plantas aromáticas e medicinais.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Provérbios

Σήψει καὶ πέτρην ὁ πολὺς χρόνος.

Consumit lapidem longaevum tempus idemque.

E o longo tempo desgastará a pedra ou

O tempo desgasta a mais dura pedra.

Onde o superlativo traduz a sutileza do contraste entre o tempo e a pedra, que a tradução literal não consegue oferecer, em minha modesta opinião. Fica mais interessante intensificar a dureza da pedra; o tempo, por si só, já é vasto e abstrato por demais. O verbo no futuro também é dispensável. Ao provérbio, me parece, soa melhor o durativo. O tempo não apenas desgastará, mas ele desgasta agora. O tempo não apenas passou, nem só passará; ele está passando. Ele está, agora, desbastando a dura pedra.

Provérbios

Μῦς εἰς τρώγλην οὐ χωρῶν, κωλοκύνταν ἔφερεν.

Mus cum antro suo non caperetur etiam cucurbitam ferebat.

O rato não volta para casa sem ao menos uma lasca da abóbora.

domingo, 29 de novembro de 2009

provérbios gregos e latinos






















Zeus como touro e Europa. Aqui.

O velho leão é maior que os vigores da juventude.

Γῆρας λεόντων κρεῖσσον ἀκμαίων νεβρῶν.

Leonon senectus melior juvenibus hinnulis.

sábado, 28 de novembro de 2009

provérbios gregos e latinos

























Ἀδικεῖ τοὺς ἀγαθοὺς ὁ φειδόμενος τῶν κακῶν.

Injuria probos afficit, qui malis parcit.

Quem protege os maus os bons prejudica.


Mas quem protege os bons
os maus prejudica.
E é a minha homenagem de hoje ao Lula!

sábado, 21 de novembro de 2009

E a educação, ó, top, top, top...

Ontem tive um debate acalorado com alguns professores lá na escola. Um grupo de cinco ou seis se uniu para defender a tese de que o bolsa família era um programa para sustentar vagabundos. Utilizaram essa expressão mesmo: vagabundos. É impressionante como as pessoas conseguem permitir que a televisão e os jornal(ões)? substituam a sua experiência concreta por uma opinião alheia e reacionária como essa. Uma professora, com o discurso de que ela sempre foi pobre ( a família veio do vale do jequitinhonha) mas trabalhadora, e os que recebem os setenta ou oitenta reais do bolsa família são vagabundos, quando lhe disse que ela não tinha ascendência na senzala, e que portanto não podia fazer essa comparação, cinicamente me respondeu: _ Como você sabe que eu não tenho o pé na senzala?!
Ela é branca dos olhos verdes...
Essas pessoas odeiam o povo. São educadores, convivem com as crianças diariamente, mas não conseguem fazer uma reflexão honesta do porquê os meninos e as meninas são difíceis como são. Não conseguem entender que a responsabilidade por terem na mão a batata quente de educar pessoas advindas de uma condição social sub-humana é delas mesmas; ninguém as obrigou a serem educadores. Que o estado é ausente e que quem produz a política educacional é incompetente ou perverso eu não tenho dúvidas. Mas culpar o povo que nunca teve acesso aos direitos individuais e coletivos mais básicos, como à saúde e à educação, de ser vagabundo é reproduzir tolamente as bobagens que escutam na televisão de reacionários como o Arnaldo Jabour ou a Míriam Leitão.
Essa sim é uma das causas de recebermos maus salários. Há, entre nós, pessoas muito pequenas.
É por isso e por outras mumunhas mais que o meu grande sonho, agora na vida, é largar a educação. Talvez comprar uma terrinha, ir viver da agricultura e deixar para outros a ingrata tarefa de ser professor. O paradigma da educação no mundo está falido e não serei eu que vou mudá-lo. É um buraco negro de onde não sai mais nada.
Só mesmo uma revolução.

Provérbios gregos