domingo, 8 de janeiro de 2012

Renovação

A nada imploram tuas mãos já coisas,
Nem convencem teus lábios já parados,
No abafo subterrâneo
Da húmida imposta terra.
Só talvez o sorriso com que amavas
Te embalsama remota, e nas memórias
Te ergue qual eras, hoje
Cortiço apodrecido.
E o nome inútil que teu corpo morto
Usou, vivo, na terra, como uma alma,
Não lembra. A ode grava,
Anônimo, um sorriso.

Odes, RICARDO REIS (Fernando Pessoa) - Belo Horizonte. Itatiaia: 2005. p. 81.

domingo, 23 de outubro de 2011

Eu sei que sou
ignorante
em muitas coisas, mas
a maior delas não
é errar a ortografia que,
em português é
difícil; embora não
mais que no inglês, que
não tem relação
alguma
entre a o conteúdo e a forma.
Foda-se!
Que tenho eu com isso?
O problema é minha vaidade
estúpida e o sono,
que sempre se interpõe
entre a lembrança e a
criação dela.
Não acrescento nada ao
tempo. Penso que
passarei
somente.
E mais nada.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ao amigo querido que partiu

O meu amigo foi corajoso
que esperou-me dormir e
sozinho
atravessou o Aqueronte
o meu amigo
por longos doze
longos anos
o meu amigo esperou-me
sempre a sorrir
batendo o rabo
que é como sorria
o meu amigo
sempre sereno
nos últimos instantes
ainda
não gritou
nem gemeu
foi no silêncio após
esperar-me dormir
de tanto velar
como eu disse
partiu
o meu amigo
e uma parte de mim
também.

Hassan

* Setembro 98 + 17 de Outubro de 2011

Uma coisa que diferencia a relação afetiva com os animais, cães em especial, é que eles amam incondicionalmente.

domingo, 25 de setembro de 2011

Salvando o blog

Almoço de domingo:
arroz com abóbora,
salada de tomates
com linguiça de porco.
Simples se não fosse
o Chardonnay e o
auxílio luxuoso do

doce de leite
cremoso.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

UFMG

Estando de volta ao campus da federal aqui em BH, a gente vai logo se deparando com seus contrastes.
Há os espaços da elite e os há dos pobres.
Ontem pela manhã, na praça de serviços, circulando em torno a uma feira de produtos do campo, as patricinhas e mauricinhos. E me desculpem os rótulos, mas é que são concisos.
De noite, na hora da janta, no bandeijão, a periferia.

sábado, 2 de julho de 2011

Provérbios gregos e latinos

 
Edouard Toudouze - Farewell of Oedipus to the Corpses of His Wife and Sons

Τὸν καπνὸν φέυγων, εἰσ τὸ πῦρ ἔπεσον. 

Fumum fugiens, in ignem incidi.

Fugindo da fumaça, caí no fogo.   

sexta-feira, 1 de julho de 2011

The Final Cut

Este foi o primeiro disco do Pink Floyd que comprei e escutei. Foi lá pelos meados dos anos 80 e tinha acabado de ser lançado, marcando o fim da banda de tanto sucesso.
Lembrei desta música, "The post war dream", porque hoje faz dez anos da morte de papai e o Roger Waters, nesse disco, faz algumas referências ao pai morto no Pacífico.
E por causa das guerras, da dura vida, da beleza, da arte e, também, por causa de você e de mim.
O velho não gostava muito de rock, mas curtia um pouco do Raul.
Que esteja bem o pai aonde quer que ande por agora.
Tive um amigo que não podia ouvir esse disco sem chorar. Daí que não ouvia.
Mas eu gosto muito e tenho andado triste.


domingo, 12 de junho de 2011

Hendrix - Voodoo child

Hendrix é o meu roqueiro preferido. Acho que sua música traduziu como nenhuma outra toda a ambiguidade da contracultura.
A busca polifônica do Apolo e do Dionísio.
Essa música é - no sentido estrito de música - uma representação desse diálogo ambíguo e polifônico. Hendrix, o domador de raios, como dizia a Ana Maria Bahiana, vai tentando apolonizar a Baco em acordes perfeitos maiores, como quem respira vez em quando em meio ao naufrágio e à tempestade.
Essa versão, ao vivo, não é a que gosto mais. Prefiro aquela do disco original, que tem o andamento um pouco mais atrás, mais lenta.
De qualquer forma, é magnífica!

Provérbios gregos