sábado, 26 de março de 2011

Recomeços

Letras na UfMG.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Maria da Conceição Tavares

Seria o caso de baixar as taxas?

Baixar agora já não é mais suficiente. Nosso problema cambial não se resolve mais só com inteligência monetária. Meu medo é que a situação favorável aqui dentro e a super oferta de liquidez externa leve a um novo ciclo de endividamento. Não endividamento do setor público, como nos anos 80. Mas do setor privado que busca lá fora os recursos fartos e baratos, aumentando sua exposição ao risco externo. E quando os EUA subirem as taxas de juros, como ficam os endividados aqui?

No blog do Miro

domingo, 13 de março de 2011

terça-feira, 8 de março de 2011

Zap

Não sei como, mas toquei a moto por mais de 20 kilômetros, da Lagoa da Pampulha até aqui em casa, em Santa Teresa, com o pneu traseiro furado, montado no tanque o quanto foi possível, enquanto chovia no asfalto úmido à noite.
Havia os inais vermelhos que eu furei e
amarelos ambém;
Salve!, agora chove
como sempre.
Tô salvo!
:)

8 de Março

Os Mistérios

No recinto três vezes misterioso, vedado
aos homens, festejamos-te, Astarté da Noite,
Mãe do Mundo, Fonte da Vida dos Deuses!

Mas revelarei apenas o permitido. Em tor-
no do Falo coroado, cento e vinte mulhe-
res se balançavam gritando. As iniciadas, ves-
tidas de homem, as outras, em túnica aberta.

Como nuvens, flutuava entre nós o fumo
de tochas e arômatas. Eu chorava ardentes
lágrimas. Todas, aos pés da Berbéia, nos dei-
tamos de costas.

Finalmente, quando o ato religioso foi
consumado, e quando, no Triângulo Único,
imergiu o Falo coberto de púrpura, come-
çou o mistério. Mas nada mais poderei dizer.

(As canções de Bilitis - Pierre Louys)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Trovadorismo, Vieira e as lágrimas de São Pedro

Repostando pr'atualizar. 

Dizem que o mal entra ou sai pela boca. Mas é pelos olhos, de fato, que os homens entram pelo cano. Ou não. Quiçá seja a ventura maior.
Estes meus olhos nunca perderán,
senhor, gran coyta, mentr' eu vivo fôr;
e direy-vos, fremosa mha senhor,
d'estes meus olhos a coyta que an:
choram e cegan, quand'alguen non veen,
e ora cegan por alguen que veen.

Guisado têen de nunca perder
meus olhos coyta e meu coraçon,
e estas coytas, senhor, mias son,
mays os meus olhos, por alguen veer,
choram e cegan, quand'alguen non veen,
e ora cegan por alguen que veen.

E nunca ja poderey aver ben,
poys que amor já non quer nem quer Deus;
mays os cativos d'estes olhos meus
morrerán sempre por veer alguen:
choram e cegan, quand'alguen non veen,
e ora cegan por alguen que veen.

Joan Garcia de Guilhade (séc. XIII, 1ª metade)
Trovadores galego-portuguêses - cantigas d'amor - in A Lírica Trovadoresca, Segismundo Spina, Grifo, 1972


Porque, segundo Vieira, chorar é próprio dos olhos e, sendo dos sentidos o único que tem dois ofícios, ver e chorar, o chorar é o lastimoso fim do ver; e o ver é o triste princípio do chorar.

Mas chora-se também pelo falar.


"E senão pergunto. Por que dizem os Evangelistas, com tão particular advertência, que chorou Pedro amargamente. Flevit amare? Se queriam encarecer as lágrimas de Pedro pela cópia, digam que se fizeram seus olhos duas fontes perenes de lágrimas: digam que chorou rios: digam que chorou mares: digam que chorou dilúvios. E se queriam encarecer esses dilúvios de lágrimas, não pela cópia, senão pela dor, digamos que chorou tristemente; digam que chorou sentidamente, digam que chorou lastimosamente, digam que chorou irremediavelmente, ou busque outros termos de maior tristeza, de maior lástima, de maior sentimento, de maior pena, de maior dor. Mas que deixado tudo isto só digam e ponderem, que chorou amargamente: Flevit amare? Sim, e com muita razão; porque o chorar pertence aos olhos, a amargura pertence à língua; e como os olhos de Pedro choravam por si, e mais pela língua, era bem que a amargura se passasse da língua aos olhos, e que não só chorasse Pedro, senão chorasse amargamente. Flevit amare. Como a culpa dos olhos em ver se ajuntou com a culpa da língua em negar; ajuntou-se também o castigo da língua, que é a amargura, com o castigo dos olhos, que são as lágrimas, para que as lágrimas pagassem o ver, e a amargura pagasse o negar, e os olhos chorando amargamente pagassem por tudo: Flevit amare.

Antônio Vieira, Sermão das lágrimas de São Pedro.

Rio-Niterói

Estive no Rio. Mais precisamente em Niterói. Camboinhas.
Levei a velha mãe, de carro.
Ficamos em casa de sobrinha dela.
A prima.
Voltamos hoje cedo.
A ponte às 6 da manhã,
com a neblina sobre
a baía, o Cristo, 
mesmo entremostrado
em nuvens cinza-escuras,
sentia-o em toda a presença. 
Cidades sagradas. 
Em cima da pedra,
era o mais calmo terror
da paisagem.

Provérbios gregos