A jovem, quatorze anos, dedo em riste à outra,
que, igualmente jovem, escuta entre calma e
apavorada: _ Você que não me olha quando eu
passar que eu te mato!...toda vez que passar
por mim você vai baixar a cabeça e olhar pro
chão, que se não eu te mato, te corto a cabeça
e prego ela naquela grade, tá ouvindo, sua desgraçada!
E o professor observou tudo, e então pediu à menina
que parasse com aquilo e que fosse embora.
Mais um dia na escola.
Quem se importa?
terça-feira, 22 de maio de 2012
domingo, 8 de janeiro de 2012
Renovação
A nada imploram tuas mãos já coisas,
Nem convencem teus lábios já parados,
No abafo subterrâneo
Da húmida imposta terra.
Só talvez o sorriso com que amavas
Te embalsama remota, e nas memórias
Te ergue qual eras, hoje
Cortiço apodrecido.
E o nome inútil que teu corpo morto
Usou, vivo, na terra, como uma alma,
Não lembra. A ode grava,
Anônimo, um sorriso.
Odes, RICARDO REIS (Fernando Pessoa) - Belo Horizonte. Itatiaia: 2005. p. 81.
domingo, 23 de outubro de 2011
Eu sei que sou
ignorante
em muitas coisas, mas
a maior delas não
é errar a ortografia que,
em português é
difícil; embora não
mais que no inglês, que
não tem relação
alguma
entre a o conteúdo e a forma.
Foda-se!
Que tenho eu com isso?
O problema é minha vaidade
estúpida e o sono,
que sempre se interpõe
entre a lembrança e a
criação dela.
Não acrescento nada ao
tempo. Penso que
passarei
somente.
E mais nada.
ignorante
em muitas coisas, mas
a maior delas não
é errar a ortografia que,
em português é
difícil; embora não
mais que no inglês, que
não tem relação
alguma
entre a o conteúdo e a forma.
Foda-se!
Que tenho eu com isso?
O problema é minha vaidade
estúpida e o sono,
que sempre se interpõe
entre a lembrança e a
criação dela.
Não acrescento nada ao
tempo. Penso que
passarei
somente.
E mais nada.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Ao amigo querido que partiu
O meu amigo foi corajoso
que esperou-me dormir e
sozinho
atravessou o Aqueronte
o meu amigo
por longos doze
longos anos
o meu amigo esperou-me
sempre a sorrir
batendo o rabo
que é como sorria
o meu amigo
sempre sereno
nos últimos instantes
ainda
não gritou
nem gemeu
foi no silêncio após
esperar-me dormir
de tanto velar
como eu disse
partiu
o meu amigo
e uma parte de mim
também.
que esperou-me dormir e
sozinho
atravessou o Aqueronte
o meu amigo
por longos doze
longos anos
o meu amigo esperou-me
sempre a sorrir
batendo o rabo
que é como sorria
o meu amigo
sempre sereno
nos últimos instantes
ainda
não gritou
nem gemeu
foi no silêncio após
esperar-me dormir
de tanto velar
como eu disse
partiu
o meu amigo
e uma parte de mim
também.
Hassan
* Setembro 98 + 17 de Outubro de 2011
Uma coisa que diferencia a relação afetiva com os animais, cães em especial, é que eles amam incondicionalmente.
domingo, 25 de setembro de 2011
Salvando o blog
Almoço de domingo:
arroz com abóbora,
salada de tomates
com linguiça de porco.
Simples se não fosse
o Chardonnay e o
auxílio luxuoso do
doce de leite
cremoso.
arroz com abóbora,
salada de tomates
com linguiça de porco.
Simples se não fosse
o Chardonnay e o
auxílio luxuoso do
doce de leite
cremoso.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
UFMG
Estando de volta ao campus da federal aqui em BH, a gente vai logo se deparando com seus contrastes.
Há os espaços da elite e os há dos pobres.
Ontem pela manhã, na praça de serviços, circulando em torno a uma feira de produtos do campo, as patricinhas e mauricinhos. E me desculpem os rótulos, mas é que são concisos.
De noite, na hora da janta, no bandeijão, a periferia.
Há os espaços da elite e os há dos pobres.
Ontem pela manhã, na praça de serviços, circulando em torno a uma feira de produtos do campo, as patricinhas e mauricinhos. E me desculpem os rótulos, mas é que são concisos.
De noite, na hora da janta, no bandeijão, a periferia.
sábado, 2 de julho de 2011
Provérbios gregos e latinos
Edouard Toudouze - Farewell of Oedipus to the Corpses of His Wife and Sons
Τὸν καπνὸν φέυγων, εἰσ τὸ πῦρ ἔπεσον.
Fumum fugiens, in ignem incidi.
Fugindo da fumaça, caí no fogo.
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sexta-feira, 1 de julho de 2011
The Final Cut
Este foi o primeiro disco do Pink Floyd que comprei e escutei. Foi lá pelos meados dos anos 80 e tinha acabado de ser lançado, marcando o fim da banda de tanto sucesso.
Lembrei desta música, "The post war dream", porque hoje faz dez anos da morte de papai e o Roger Waters, nesse disco, faz algumas referências ao pai morto no Pacífico.
E por causa das guerras, da dura vida, da beleza, da arte e, também, por causa de você e de mim.
O velho não gostava muito de rock, mas curtia um pouco do Raul.
Que esteja bem o pai aonde quer que ande por agora.
Tive um amigo que não podia ouvir esse disco sem chorar. Daí que não ouvia.
Mas eu gosto muito e tenho andado triste.
Lembrei desta música, "The post war dream", porque hoje faz dez anos da morte de papai e o Roger Waters, nesse disco, faz algumas referências ao pai morto no Pacífico.
E por causa das guerras, da dura vida, da beleza, da arte e, também, por causa de você e de mim.
O velho não gostava muito de rock, mas curtia um pouco do Raul.
Que esteja bem o pai aonde quer que ande por agora.
Tive um amigo que não podia ouvir esse disco sem chorar. Daí que não ouvia.
Mas eu gosto muito e tenho andado triste.
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