Vamos reformando o barraco.
Cinco dias de argamassa, selador e tinta.
As férias estão terminando.
Dia dois, dia de Iemanjá, o inferno da sala de aula.
A imprensa nativa, marrom, reacionária e burra está puta da vida.
Lula deu tapa de luva de pelica neles. Lula de pelica.
Estão se mordendo. Que se danem.
As criancinhas continuam morrendo em Gaza.
Também no nosso Nordeste, na África e em outros bolsões de miséria.
A vida segue.
Gilmar Dantas posa de déspota esclarecido.
Quero comprar um carro, preciso.
Me recuso a pagar os juros do mercado. Vou economizar.
Meu dinheiro é suado demais para entregar de bandeja aos bandidos capitalistas.
Aguardarei mais um pouco se preciso.
A vida segue, as crianças morrem, os juros não caem, Gilmar Dantas, este, ainda mais, deveria cair.
José Erra quer ganhar de qualquer jeito. Só se a história fizer uma curva de noventa graus a trezentos por hora.
Difícil hein!
A casa está de cabeça para baixo. E muito empoeirada.
As aulas vão recomeçar. Até arrepio. Vou ter de baixar a 30 km daqui às sete da matina.
A vida segue. As mulheres não me amam e eu não as quero mais seduzir.
Que se dane.
Volto, lentamente, a fazer arte. Estava com saudades de meus traços.
Estou lendo "As Heroídes" de Ovídio. Queria ler no original mas é demais agora para a minha cabeça aprender latim.
Belo Horizonte tem estado bela.
Gosto dos meus amigos virtuais.
Apesar de tudo, meu coração ainda espera.