segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Cai ou não cai?



















Henrique Meirelles, do BC, esteve hoje às 11:00 no Planalto para uma reunião com o Presidente Lula; Copom anuncia nesta quarta-feira decisão sobre taxa de juro
(Carta Maior com agências, 08-12, 12:29)

Tomara que seja verdade e que o conservador Banco Central brasileiro diminua consideravelmente a taxa de juros. É o que espero para comprar a porcaria do carro. Ainda não posso viver sem ele.


Enquanto isso, em Pindorama...














por EMIR SADER, na CARTA MAIOR

A manchete do Diário Oficial Tucano (DOT), a FSP (Força Serra Presidente) estava pronta. O editor chefe encomendou nova pesquisa de opinião, menos de 2 meses antes da anterior, para constatar os evidentes desgastes na imagem do presidente, com a crise e, principalmente, com o clima de pânico e de pessimismo que a mídia privada – e em especial, o DOT – tinham disseminado. Como toda pesquisa fabricada, não se pesquisava a popularidade de Lula, mas a eficácia da campanha de desgaste que a mídia oligárquica tinha desatado. Propagandeia-se todo o tempo OMO LAVA MAIS BRANCO e se contrata pesquisa para conferir a efetividade da lavagem de cérebro.

Tudo pronto, convocados os zelosos funcionários tucanos da página 2, os chamados “especialistas” – disfarce da tucana fernandohenriquista - para comentar, tudo pronto para explorar a queda irreversível do apoio a Lula. CRISE FAZ DESPENCAR POPULARIDADE DE LULA. Ou: LUA DE MEL DE LULA TERMINA DEFINITIVAMENTE. Sub-título: Serra se diz pronto para enfrentar a crise. Economistas tucanos: Só volta das privatizações pode salvar o Brasil.

Faltava combinar com o povo brasileiro. Mais uma vez “o povo derrotou a opinião pública” fabricada pela mídia privada. 70% de apoio, 6% a mais que na ultima pesquisa, depois da intensa campanha propagandística contra o governo. Crescimento em todos os setores – nível de renda, nível de escolaridade, região do país, tudo, tudo, pior não poderia ser para a FSP e a direita brasileira.Conseguiram apoio de apenas 7% de rejeição a Lula, com tudo o que gastaram na campanha. Contra eles, 93%. O resultado os surpreendeu tanto, que no dia mesmo da publicação da pesquisa, ninguém tinha nada a dizer, nenhum comentário, luto fechado.

Foram necessárias 48 horas para encontrar palavras que dessem conta do incompreensível para mentes tucanas dos jardins paulistanos. Depois da ressaca, das doses de uísque para consolar, o jornal sai todo sem graça, buscando razões que a própria razão desconhece, esfarrapadas, para consolar o inconsolável, depressivo e sorumbático chefe que os havia convocado para mais uma batalha serrista.

Pensaram em títulos como:

POVO AINDA NÃO PERCEBE A CRISE.
Ou: DEMAGOGIA LULISTA ESCONDE A CRISE.
Ou ainda POVO BRASILEIRO, IGNORANTE, MERECE LULA E A CRISE.

Ou, como teria sugerido um funcionário casado com uma tucana ou outro, casado com um tucano: FHC: LULA ENGANA OS BRASILEIROS. Subtítulo: Ex-presidente sugere que FSP publique Max Weber em fascículos, embora creia que é biscoito muito fino para a plebe.

Pensaram em declarações da sua galera, como:

Gilmar Mendes: Supremo vai questionar resultado da pesquisa.

Fiesp: Pessimismo empresarial ainda vai vingar.

Gianotti: Leitura de Wittgenstein permite perceber que Lula está condenado pela Lógica.

Assim age um jornal com o rabo preso com os tucanos e, através deles, com a elite branca, milionária, um intelectual orgânico das elites dominantes brasileiras internacionalizadas. Editorial para xingar Lula, carta de leitor indignado com a realidade, um colunista diz que o desgaste de Lula ainda está por vir, não custa esperar, um “intelectual” tucano repete a mesma coisa, um psicanalista diz que o povo gosta de fugir da realidade.

Agora é fazer logo outra pesquisa, quem sabe alguma oscilação no apoio a Lula, quem sabe aumentar a dose do pânico, talvez mandar embora essa equipe de funcionários incompetentes, talvez outra dose de uísque.

Bog do Emir

domingo, 7 de dezembro de 2008

Não quero morrer de amor, quero viver...

Sobre o trovadorismo, também do entre Douro e o Minho, já fiz outra postagem.

PAI GOMEZ CHARINHO

(séc. XIII, 2ª metade)

Muytos dizem com gram coyta d'amor
que querriam morrer e que assy
perderiam coytas, mays eu de mi
quero dizer verdad' a mha senhor:

Queria-me lh' eu mui gram ben querer,
mays non queria por ela morrer,

Com'outros morreron, e que prol ten?
ca, des que morrer, non a veerey,
nen bôo serviço nunca lhi farey;
por end' a senhor que eu quero ben

Queria-me lh' eu mui gram ben querer,
mays non queria por ela morrer,

Com'outros morreron no mundo já,
que depoys nunca poderon servir
as por que morreron, nen lhis pedir
ren, por end'esta que m'estas coitas dá

Queria-me lh' eu mui gram ben querer,
mays non queria por ela morrer,

Ca nunca lhi tan ben posso fazer
serviço morto, como sse vivier.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Um poema que li esta semana que passou. Li em sala de aula, em meio à agitação adolescente. Meus olhos se encheram de lágrimas, as quais tive que conter, estou acostumado. Nunca um aluno percebeu uma dessa marca da emoção profunda. Ou sim, percebeu. Achei mesmo muito bonito o poema, parece comigo.

Mnemosine
(Leda Maria Martins)

Eu não vi quando amanheceu
e não ouvi o canto das lavadeiras
madrugada afora seguindo o rio.
- Eu não estava lá

Eu não vi quando vergaram as árvores
e fecharam os dias
Nem quando recortaram as serras
de antenas elétricas eu vi.
Disseram-me
- Mas eu não estava lá.

A memória da minha ausência
lembra os anciãos nas veredas das noites
luarando cantigas serenas
fazendo sonhar as meninas quase moças.
Eu não ouvi os últimos suspiros
da infanta já feita senhora.
Passam autos velozes pelos calendários
mas nem mesmo quando chegou o primeiro comboio
e que todos se pintaram de novo eu vi.
- Sequer me apresentei.

Eu não estive lá quando queimaram os mortos
e dançaram nas bordas do fogo.
Nem quando se abraçaram ébrios das vitórias
e nas miragens por vir
lavraram novos totens
e os celebraram.

Os barcos soçobraram em labirintos tarde
e eu não estive no vento de nenhuma vela
no marulho de nenhuma vaga.

Eu e a ausência de mim.
Não ter estado nunca em parte alguma.
Não ter feito sequer um gesto de ficar
ou partir.
Não estar simplesmente.
Assim como alguém que ouve bater à porta
uma, duas, infinitas vezes
mas não se mexe, não se levanta,
não faz barulho.

domingo, 30 de novembro de 2008

soneto estranho

O poema, que é para ser lido no ritmo, é para ela, a qual espero o possa ler um dia. Vai depender da minha coragem para ser ridículo. Mas algo me inspira: Todos os poetas e poemas de amor são ridículos.

Você voltou e não sei por quanto tempo
ainda. A vida a chance me dará de um
beijo; um encontro fortuito , ou um ensejo
com a morte que enfim se me virá

tranquila. A morte, o amor que assim em mátria
língua têm ambas quase que o mesmo conceito,
aquilo que é mutável , vira um ao peito,
a outra as células aniquile ou extinga!

Pensei que tu, do sol, não viste a hora ainda
em que te vai falar aos átomos do corpo a Deusa;
presta atenção Teresa, vou ser o primeiro!

Oh sim, quero o sagrado templo onde possa eu,
inteiro, me refastelar em água, e terra, e a alma
em ar e fogo, oh queima a minha calma de beleza!

domingo, 23 de novembro de 2008

Às mulheres
















Este fim de semana consegui retomar o grego. Em algumas passagens recorri aos mestres. A maior parte, ainda assim, fiz sozinho. Além do arranjo. A consulta de Almeida Cousin foi fundamental.

Continua a solidão
de quem não está sozinho.
Os heróis e mestres do passado
vagueiam pela casa.
A deusa utópica também.
Mas não se enganem,
em meu vocabulário
utopia não é sinônimo
de quimera.
Talvez apenas
uma porta que não se vê
ainda.

ÀS MULHERES

Aos touros deu a natureza os chifres,
os cascos aos cavalos,
a ligeireza às lebres,
o abismo de dentes aos leões.
Aos peixes deu a natação,
o bater d'asas às aves,
aos homens resolução.
Às mulheres nada mais restou.
O que devo dar-lhes? pensou a natureza.
A Beleza:
Lanças e escudos
confrontando,
vence o ferro e o fogo
quem quer que seja bela.

Anacreonte de Samos

ΕΙΣ ΓΥΝΑΙΚΑΣ

Φύσις κέρατα ταύροις,

Ὁπλάς δ' ἔδωκεν ἵπποις,
Ποδωκίην λαγωοῖς,
Λέουσι χάσμ'᾽οδόντων,
Τοῖς ἰχθύσιν τὸ νηκτόν,
Τοῖς ὀρνέοις πέτασθαι,
Τοῖς ἀνδράσιν φρόνημα.
Γυναιξίν οὐκ ἔτ' εἶχεν.
Τί οὖν δίδωσι ; κάλλος·
᾽Αντ' ἀσπίδων ἁπασῶν,
᾽Αντ' ἐγχέων ἁπαντων,
Νικᾷ δὲ καὶ σίδηρον
Καὶ πῦρ καλή τις οὖσα.

(Ἐκ τῶν᾽Ανακρέοντος ᾠδῶν)

Delenda Tucanus


O título do post não é uma invenção minha. Na verdade é uma recriação de uma recriação. O Miguel do Rosário, do blog 'Óleo do Diabo' fez há uns dias uma postagem onde pede: Delenda Serra.
Eu já estendo o pedido à tucanada em geral. Não há o que se salve ali.
Para os que não sabem ou não se lembram, a frase original é de um antigo senador romano, da época da república ainda, quando da luta contra os cartagineses pelo domínio do mediterrâneo: Delenda Cartago! Catão era seu nome. Ele insistia que a única alternativa para o problema da concorrência cartaginesa era a destruição completa da cidade de Dido e de Aníbal. Acordos e pactos não mais interessavam. O seu pedido foi ouvido. Um general romano, que não era romano, conhecido como Cipião, o africano (o jovem), tomou e arrasou a cidade até aos alicerces. Depois mandou salgá-la, para que nada mais ali nascesse. Alguns anos depois os próprios romanos reconstruíram a cidade. Mas o estrago foi bem feito. Hoje, quem visita suas ruínas, na contemporânea Túnis, não mais vê ali qualquer lembrança da arquitetura dos cartagineses. Com exceção de algumas tumbas escavadas. Os prédios cartagineses já não existem desde 146 a.c. quando de sua tomada definitiva. Outro dia faço um post sobre a história dessa grande cidade e desse grande povo da antiguidade. O de hoje é sobre a educação no Brasil e o Vlad, que tem pretensão à presidência da república. Leiam:

E não é que tucanaram a lei do piso nacional?

Por Brunna Rosa [Quarta-Feira, 8 de Outubro de 2008 às 19:36hs]

Aprovada em julho deste ano, a lei do Piso Salarial Nacional dos professores é uma conquista história dos professores e pode representar o primeiro passo para uma série de modificações necessárias para valorizar a educação pública do país. A nova lei, além de institucionalizar uma remuneração mínima para a categoria no valor de R$ 950,00 para uma jornada de 40 horas semanais, garante que 33,3% das horas sejam destinadas a atividades extra-aula. O assunto é abordado em matéria da Fórum de outubro (em bancas a partir do dia 15) e não deixa dúvidas: garantir esse um terço da jornada para a preparação das aulas, correção de atividades e formação continuada será o grande desafio da categoria.

Na 3ª Reunião do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) foi preparada uma contra-proposta pedindo a revisão da lei no Congresso Nacional e no Senado. A nova “idéia” é a decisão do governo José Serra (PSDB) de contabilizar como horário para atividades extra-classe os intervalos de dez minutos entre as aulas na rede estadual.

A medida, segundo informações do jornal Folha de São Paulo, foi tomada para ajustar a rede à Lei do piso. Na mesma matéria, o autor do projeto de lei, o senador Cristovam Buarque (PDT), afirma que a nova interpretação do governo paulista "é uma farsa". O parlamentar ainda questiona: "como o professor vai corrigir provas, preparar aulas, em dez minutos?”. E declara o óbvio. “Esse período é para ele tomar água, ir ao banheiro."

Segundo a Secretaria de Educação de São Paulo, se não considerasse o intervalo, teria de gastar R$ 1,4 bi com novos professores. Informação controversa, uma vez que os custos adicionais do piso salarial deverão ser arcados em conjunto com a União. Agora, com a nova “adequação”, a proporção de atividades extra na rede estadual subiu de 17,5% para 31% da jornada.

Ou seja, após implementar metas, introjetar a política neoliberal e congelar o salário da categoria agora a pedagógica tucana quer acabar com o café e xixi dos professores...

sábado, 22 de novembro de 2008

Sapho



















As palavras de Safo,
fragmentadas em pedaços resistentes de papiros,
complementadas por citações em manuscritos outros,
antigos,
intercaladas de silêncios,
nos falam através de enigmas.
Formam mais de um possível pensamento.
Reservam, para nós, o preenchimento;
tornam-se outras.
Variações, como diz Brasil Fontes.
O grande barato são os espaços vazios,
onde colocamos a nós mesmos.
É ali que a poesia dança.

Enamorei-me de ti Átis.
Foi há muito:
pequena criança,
a mim
feia (a)parecias...


Ἠράμαν μὲν᾽Éγω σέθεν,
Ἄτθι, πάλαι ποτά
σμίχρα μοι πάις
ἔμμεν ' ἐφαίνεο
χἄχαρις


quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Poema ufanista revisitado

















Filhas e Filhos do Kosmos...
... e de Tupis e Áfricas sagradas,
e hermosos Portugais
nós somos.
Proliferam-se as flores
e abelhas e rosas.
De antas, e pacas, tatus;
Xavantes, Tapuias e sárx;
entre estes, todos
ocultaram-se à visualização
das "xaves" helênicas orgânicas.
E de atlântidas-sumérias e
de sulaméricas-fenícicas-floraclóricas
nos fizemos.
E com atos e efeitos serumanominais e
tão sublimes
quanto
os Átenas e Dórios,
todos tortos;
também tosaram
os cabelos de Astartês
dos sertões, e de
Diadorins e Tróias abundantes;
e Ártemis e
Deméters sagradas.
Chega a onda
que vem de longe
e geme no tempo,
e Tétis não
pode pará-lo,
impedi-lo de
levar-lhe embora
o adorado guerreiro,
Tupi de tao bugre
história.
De Ílio tão
antiga como a anta,
como yara, ou uiara,
ou aiuuiara,
sereia, sirene, Silena.
Helena, de belas luas-madeixas,
e queixas de pedidos,
com toques nos queixos tão lindos,
os toques e gestos faceiros,
nas faces sublimes quão
já, servil e sedudora Rainha,
sujeita Páris, Heitores e Aquiles,
e Menelaus na rinha.
E de estar-se sujeita
ao cio da Terra, que
a Lua, de novo,
empurra
às antigas e novas
freqüencias de
Frânciscas-Fenícicas
Guilhotínicas luzes,
declarações e
testamentos; dizem,
que a história do mundo
inda é torpe por demais,
e vil.
O resto da história
cabe ao Brasil.

Poema megalomaníaco.

Provérbios gregos